Se fosse tão fácil, provavelmente você também já teria feito.
Quantas vezes nós já não tivemos esse pensamento, não é? Eu pelo menos vivo tendo.
O sujeito senta na sala de casa e fica olhando pro ventilador de teto pensando "colocar isso aí é mole". Até o dia que resolve tentar colocar um no escritório e descobre que, de perto, a montanha é mais alta do que parece.
Dizem que todo brasileiro é um técnico de futebol, mas eu acho que isso é mentira. Todo brasileiro é técnico de futebol, médico, pedreiro, eletricista, mecânico, engenheiro, economista, dentista, advogado e mais o que você puder imaginar. Todo mundo tem um palpite "infalível" pra dar sobre tudo e, no fim, não sabe de quase nada.
Atire a primeira pedra quem nunca perguntou pro balconista da farmácia qual o "remedinho infalível" ele recomenda pra sua unha encravada.
Eis uma cena clássica: o carro dá uma rateada, sai uma fumacinha do motor e o "MacGyver" de ocasião sai do carro de peito estufado, achando que sabe mais do que mecânico da Ferrari.
Abre o capô, e aí nesse momento lembra que todas aquelas engrenagens, borrachas, mangueiras, fios, ligações, etc, ainda não foram devidamente apresentadas a ele e que são "só um pouquinho" diferentes das correias de bicicleta que ele colocava no lugar quando era criança.
Quem possui seguro e pode chamar o mecânico/guincho, perfeito. Quem não tem, senta e chora.
É mais ou menos quando a faxineira do escritório falta e a gente descobre que o lixo das salas não vai pro caminhão sozinho e que o banheiro não é auto-limpante.
Existe sempre um trabalho sujo e alguém precisa fazê-lo, mas de preferência que esse alguém não seja a gente.
Daí essa nossa mania de palpitar em tudo, desde que não tenha que colocar a mão na massa pra fazer nada, o que às vezes é até bom e evita curtos-circuitos e desmoronamentos, tipo aquela churrasqueira que o seu tio jurou que sabia construir melhor do que o "pedreiro ladrão que cobrou os olhos da cara" e que terminou soterrando picanhas, lingüiças e coxas de frango quando resolveu cair em cima do churrasco, lembrando ao seu tio que "cimento também se usa em churrasqueira".
A moral disso tudo é aquela história do técnico em informática que foi resolver um problemaço na empresa de um milionário que estava com um potente computador encostado e ninguém descobria qual era o problema.
O técnico vira pra ele e diz: "eu sei qual o problema, é preciso apertar um parafuso que está solto, o conserto custa R$1.000,00". E o empresário "Mas mil reais para apertar um parafuso? Isso é um absurdo! Isso é um roubo! Até eu sei apertar um parafuso e não cobraria mais de 10 reais!".
E o rapaz responde "Eu também cobro só 10 reais para apertar o parafuso, mas cobro R$990,00 pra dizer ao Senhor qual parafuso deve apertar".
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Faça você mesmo
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O Palmeiras, sua diretoria e sua torcida
Lá pelo início do ano fizeram este profético vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=nI4mP4NefQM , para tirar sarro de um outro vídeo feito sobre o Palmeiras, um tal "vídeo motivacional", que uma comunidade de orkut (que tem toda a pinta de ser apadrinhada do clube) fez.
O tal "vídeo motivacional"(na verdade um conjunto de imagens piegas, música brega e depoimentos de torcedores), foi feito por esta trupe do orkut talvez na intenção de obter uma e outra "benção" da cartolagem do clube.
Cartolagem esta que ao invés de se preocupar tanto em cooptar a simpatia de internautas e membros de torcidas organizadas, deveria é arregaçar as mangas e trabalhar sério pelo clube, coisa que pelos resultados que vemos em campo, e pela qualidade do futebol do time, não está sendo feita a contento.
Já esse vídeo feito pela turma considerada "corneteira", eu achei engraçadíssimo, porque satiriza todo esse picadeiro que o Palmeiras se transformou na última década.
Mas tem torcedor que acha um absurdo, diz que esse tipo de crítica acerba atrapalha e que "nenhuma empresa vai pra frente se os funcionários não tem estímulo".
Noves fora o salário gordo que todos e os jogadores e comissão técnica, além de dirigentes, recebem, e que deveria ser estímulo mais do que suficiente, eu acredito que a torcida do Palmeiras apóie o time até demais.
Você que me lê concorda que os palmeirenses, em sua maioria e totalmente contra o que eu acho que deveriam fazer, apoiam esse time bem mais do que ele merece?
Grita, vibra, faz aqueles videozinhos dizendo "Eu acredito em você, Marcão!", e nem assim o clube consegue alavancar suas participações nos campeonatos relevantes (Copa do Brasil, Brasileiro, Sul-Americana, Libertadores)?
Talvez não seria a hora de parar de acreditar tanto no tal "futuro" que nunca chega e entender que se nada for feito no presente vai continuar essa esculhambação que está aí?
A tal "arena" que supostamente iria ficar pronta em dezembro de 2010, depois de passar por quase 2 anos de obras a partir de 2008(no máximo início de 2009), ainda não começou a sair do papel em abril de 2009.
Isso é só um exemplo.
A torcida dá crédito há 10 anos, daí falemos de Mustafá. Ok, a torcida dá crédito há 4 anos. Tá, falemos de Della Monica e Palaia...a torcida dá crédito há 2 anos(que é quando essa turminha da Muda Palmeiras entrou no comando do futebol), e aí?
Tirando ameaçar dar uns sopapos em juízes e "matar os bambis"(SIC) o que mais o Professor Doutor Belluzzo conseguiu em sua gestão além de uma suspensão do futebol por meses e perder o Campeonato Brasileiro mais ganho dos últimos tempos?
Qual elenco nós temos? Que divisão de base nós temos? Que revelações do clube nós temos, que não sejam jogadores arrendados da Traffic, que chegam em janeiro e voam para a Europa em julho? Que estádio reformado nós temos?
Continuando este exemplo corporativo (do funcionário que só trabalha com estímulo, bla, bla, bla), eu pergunto, usando uma outra situação: que gerente de banco continua dando limite de cheque especial para um cliente que não realiza um depósito decente há 10 anos? Porque Série B e Paulistinha são, quando muito, trocado da compra do mês.
Essa é a visão dos assim chamados "cornetas" e é justamente porque ela se coaduna com os fatos que cercam a instituição Palmeiras que ela é tão combatida pelos apaixonados que não querem enxergar a verdade e pelos sabujos que querem uma boquinha no clube, ou que já estão em uma.
E é justamente por isto que o clube se apequena a cada dia: uma mistura de amor cego de um lado e das piores intenções do outro. Mais um ano chegou ao final, mais um ano a torcida do Palmeiras assiste a festa alheia e ouve promessas para "o ano que vem".
Pobre Palmeiras, que um dia foi potência no futebol mundial e hoje é apenas o virgem do Século XXI, o eterno "campeão do ano que vem".
Muda Palmeiras, mas muda MESMO.
O tal "vídeo motivacional"(na verdade um conjunto de imagens piegas, música brega e depoimentos de torcedores), foi feito por esta trupe do orkut talvez na intenção de obter uma e outra "benção" da cartolagem do clube.
Cartolagem esta que ao invés de se preocupar tanto em cooptar a simpatia de internautas e membros de torcidas organizadas, deveria é arregaçar as mangas e trabalhar sério pelo clube, coisa que pelos resultados que vemos em campo, e pela qualidade do futebol do time, não está sendo feita a contento.
Já esse vídeo feito pela turma considerada "corneteira", eu achei engraçadíssimo, porque satiriza todo esse picadeiro que o Palmeiras se transformou na última década.
Mas tem torcedor que acha um absurdo, diz que esse tipo de crítica acerba atrapalha e que "nenhuma empresa vai pra frente se os funcionários não tem estímulo".
Noves fora o salário gordo que todos e os jogadores e comissão técnica, além de dirigentes, recebem, e que deveria ser estímulo mais do que suficiente, eu acredito que a torcida do Palmeiras apóie o time até demais.
Você que me lê concorda que os palmeirenses, em sua maioria e totalmente contra o que eu acho que deveriam fazer, apoiam esse time bem mais do que ele merece?
Grita, vibra, faz aqueles videozinhos dizendo "Eu acredito em você, Marcão!", e nem assim o clube consegue alavancar suas participações nos campeonatos relevantes (Copa do Brasil, Brasileiro, Sul-Americana, Libertadores)?
Talvez não seria a hora de parar de acreditar tanto no tal "futuro" que nunca chega e entender que se nada for feito no presente vai continuar essa esculhambação que está aí?
A tal "arena" que supostamente iria ficar pronta em dezembro de 2010, depois de passar por quase 2 anos de obras a partir de 2008(no máximo início de 2009), ainda não começou a sair do papel em abril de 2009.
Isso é só um exemplo.
A torcida dá crédito há 10 anos, daí falemos de Mustafá. Ok, a torcida dá crédito há 4 anos. Tá, falemos de Della Monica e Palaia...a torcida dá crédito há 2 anos(que é quando essa turminha da Muda Palmeiras entrou no comando do futebol), e aí?
Tirando ameaçar dar uns sopapos em juízes e "matar os bambis"(SIC) o que mais o Professor Doutor Belluzzo conseguiu em sua gestão além de uma suspensão do futebol por meses e perder o Campeonato Brasileiro mais ganho dos últimos tempos?
Qual elenco nós temos? Que divisão de base nós temos? Que revelações do clube nós temos, que não sejam jogadores arrendados da Traffic, que chegam em janeiro e voam para a Europa em julho? Que estádio reformado nós temos?
Continuando este exemplo corporativo (do funcionário que só trabalha com estímulo, bla, bla, bla), eu pergunto, usando uma outra situação: que gerente de banco continua dando limite de cheque especial para um cliente que não realiza um depósito decente há 10 anos? Porque Série B e Paulistinha são, quando muito, trocado da compra do mês.
Essa é a visão dos assim chamados "cornetas" e é justamente porque ela se coaduna com os fatos que cercam a instituição Palmeiras que ela é tão combatida pelos apaixonados que não querem enxergar a verdade e pelos sabujos que querem uma boquinha no clube, ou que já estão em uma.
E é justamente por isto que o clube se apequena a cada dia: uma mistura de amor cego de um lado e das piores intenções do outro. Mais um ano chegou ao final, mais um ano a torcida do Palmeiras assiste a festa alheia e ouve promessas para "o ano que vem".
Pobre Palmeiras, que um dia foi potência no futebol mundial e hoje é apenas o virgem do Século XXI, o eterno "campeão do ano que vem".
Muda Palmeiras, mas muda MESMO.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Sampa
Voltei à rotina.
Depois de alguns dias passeando na tal "Terra da Garoa", volto à "Cidade Maravilhosa" com uma constatação: pode fazer um sol danado em São Paulo e o Rio continua bonito, mas longe de ser maravilhoso.
Temos aqui engarrafamentos proporcionalmente tão monstruosos quanto.
Mas não é esse o assunto, hoje quero falar sobre a cidade em que não nasci, mas pela qual me apaixono mais e mais a cada visita.
São Paulo não é para pessoas rasas, isso é fato.
Apreciá-la requer um olhar que transponha a sua grandeza, o seu caos, a sua multidão de rostos indo e vindo e penetre nas suas nuances. Causa espanto para quem tem a sorte de possuir este olhar como esta cidade grandiloquente em tudo pode ser tão intimista, detalhista, minimalista.
Cafés, sorveterias, livrarias, recantos, um simples banco no Parque Trianon e a refrescante sombra de suas árvores, as esquinas, as pequenas galerias, os achados.
Seu mapa sinuoso é um mapa do tesouro, de vários tesouros, basta que se procure.
Sabores, cores, histórias e recantos de uma cidade que, para quem assim como eu aprecia sensações, é um dos melhores lugares do mundo.
Pude rever a sua Rua Augusta, que tão paulistana como é, não se contenta em ser "normal" e dependendo do referencial, tem duas subidas e duas descidas.
Cada uma guardando tesouros, como uma pequena loja que vende lindos e deliciosos cupcakes, a Sotto Zero e seus sorvetes ali há tanto tempo, a Galeria Ouro Fino e seus doidões de butique, as Alamedas e a Oscar Freire, que possuem quase todos os prazeres que o dinheiro pode comprar.
Para os demais prazeres, basta ir "pro outro lado", com seus bares, casas noturnas, puteiros e teatros. De um lado, a Estados Unidos e na outra ponta a praça Roosevelt, no meio disso tudo, o mundo. Nada poderia ser mais perfeito para definir uma rua.
São tantos assuntos, que acho que voltarei a falar sobre a cidade algumas vezes aqui, porque ela não merece um texto, uma crônica, uma poesia e nem um livro, essa cidade merece uma enciclopédia dedicada só a ela.
Fazia tempo que não visitava São Paulo, mas pude lembrar bem porque gosto tanto dessa terra. Ela desperta paixões porque possui um pouco de todos nós, um pouco do que trazemos dentro de nós, a beleza, a feiúra, a doçura, a violência, o caos e a paz.
São Paulo é um pouco da vida, cada curva revela uma surpresa e cada retorno ou cruzamento que viramos, pode revelar coisas muito belas ou muito feias, mas todas extremamente verdadeiras.
Problemas, todos os tem, não seria diferente por lá.
Mas poucos lugares no planeta possuem tantos antídotos para os males da rotina quanto o antigo Povoamento do Pátio do Colégio, essa minha querida São Paulo de Piratininga, que um dia ainda me concederá intimidade suficiente para chamá-la simplesmente de "Sampa".
Depois de alguns dias passeando na tal "Terra da Garoa", volto à "Cidade Maravilhosa" com uma constatação: pode fazer um sol danado em São Paulo e o Rio continua bonito, mas longe de ser maravilhoso.
Temos aqui engarrafamentos proporcionalmente tão monstruosos quanto.
Mas não é esse o assunto, hoje quero falar sobre a cidade em que não nasci, mas pela qual me apaixono mais e mais a cada visita.
São Paulo não é para pessoas rasas, isso é fato.
Apreciá-la requer um olhar que transponha a sua grandeza, o seu caos, a sua multidão de rostos indo e vindo e penetre nas suas nuances. Causa espanto para quem tem a sorte de possuir este olhar como esta cidade grandiloquente em tudo pode ser tão intimista, detalhista, minimalista.
Cafés, sorveterias, livrarias, recantos, um simples banco no Parque Trianon e a refrescante sombra de suas árvores, as esquinas, as pequenas galerias, os achados.
Seu mapa sinuoso é um mapa do tesouro, de vários tesouros, basta que se procure.
Sabores, cores, histórias e recantos de uma cidade que, para quem assim como eu aprecia sensações, é um dos melhores lugares do mundo.
Pude rever a sua Rua Augusta, que tão paulistana como é, não se contenta em ser "normal" e dependendo do referencial, tem duas subidas e duas descidas.
Cada uma guardando tesouros, como uma pequena loja que vende lindos e deliciosos cupcakes, a Sotto Zero e seus sorvetes ali há tanto tempo, a Galeria Ouro Fino e seus doidões de butique, as Alamedas e a Oscar Freire, que possuem quase todos os prazeres que o dinheiro pode comprar.
Para os demais prazeres, basta ir "pro outro lado", com seus bares, casas noturnas, puteiros e teatros. De um lado, a Estados Unidos e na outra ponta a praça Roosevelt, no meio disso tudo, o mundo. Nada poderia ser mais perfeito para definir uma rua.
São tantos assuntos, que acho que voltarei a falar sobre a cidade algumas vezes aqui, porque ela não merece um texto, uma crônica, uma poesia e nem um livro, essa cidade merece uma enciclopédia dedicada só a ela.
Fazia tempo que não visitava São Paulo, mas pude lembrar bem porque gosto tanto dessa terra. Ela desperta paixões porque possui um pouco de todos nós, um pouco do que trazemos dentro de nós, a beleza, a feiúra, a doçura, a violência, o caos e a paz.
São Paulo é um pouco da vida, cada curva revela uma surpresa e cada retorno ou cruzamento que viramos, pode revelar coisas muito belas ou muito feias, mas todas extremamente verdadeiras.
Problemas, todos os tem, não seria diferente por lá.
Mas poucos lugares no planeta possuem tantos antídotos para os males da rotina quanto o antigo Povoamento do Pátio do Colégio, essa minha querida São Paulo de Piratininga, que um dia ainda me concederá intimidade suficiente para chamá-la simplesmente de "Sampa".
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
A política brasileira cansa mais do que maratona
As pessoas estão se cansando dos políticos.
Não de um especificamete ou de um partido, mas de todos. Também pudera, só masoquista ainda acompanha o que se passa em Brasília sem passar raiva ou enjoo.
Mas não sejamos preconceituosos! Brasília é somente o epicentro deste terremoto de descaso e desvio da tal "coisa pública". Na verdade, essa coisa é particular demais, restrita a um grupo que usa e abusa dos recursos do país. Se fosse menos "coisa" e mais "pública", não teríamos tantos problemas.
É uma verdadeira chuva de termos, prevaricação, malversação, descaminho, formação de quadrilha, propinas e o meu termo preferido: peculato.
Convenhamos, mesmo sem saber o significado desta estranhíssima palavra, basta pensar na figura de um deputado, um senador ou qualquer membro do executivo nas três esferas que o termo "peculato" fica bem posto ali, sobre as cabeças das "excelências".
É uma palavra de fealdade digna da política brasileira.
Não digo que todos sejam ladrões, afinal nem eles teriam como chegar a esta perfeição. Mas a razão desta apatia e desinteresse geral em relação aos políticos, erroneamente creditada à preguiça de se informar, é mais relativa ao cenário político do país atualmente ser, como dizia o deputado federal pernambucano Agamenon Magalhães, uma "floresta de pau seco" do que a qualquer outro fator mais complexo.
Mas cansa. A política praticada no Brasil, com seus partidos de aluguel, seu clientelismo, o cinismo dos que fingem se preocupar com o país quando se preocupam no máximo com seus bolsos é um teste diário para a paciência, para o estômago e para qualquer um que não queira perder totalmente a esperança de um dia ser menos roubado pelos que se apoleiram no poder.
Temos uma classe política indigna, não somente porque lhes falte moral, mas porque a maioria ali não tem nem o mínimo estofo intelectual. A única coisa que todos tem de sobra é esperteza, no pior sentido que este termo pode ter.
Mas as qualidades individuais são as piores possíveis, afinal, vejamos: temos os preguiçosos, os inaptos, os medíocres, os provincianos e dentre todos estes grupos temos os ladrões e os honestos.
Parece-me muito pouco para suscitar qualquer esperança ou respeito em relação à classe a que pertencem.
Não de um especificamete ou de um partido, mas de todos. Também pudera, só masoquista ainda acompanha o que se passa em Brasília sem passar raiva ou enjoo.
Mas não sejamos preconceituosos! Brasília é somente o epicentro deste terremoto de descaso e desvio da tal "coisa pública". Na verdade, essa coisa é particular demais, restrita a um grupo que usa e abusa dos recursos do país. Se fosse menos "coisa" e mais "pública", não teríamos tantos problemas.
É uma verdadeira chuva de termos, prevaricação, malversação, descaminho, formação de quadrilha, propinas e o meu termo preferido: peculato.
Convenhamos, mesmo sem saber o significado desta estranhíssima palavra, basta pensar na figura de um deputado, um senador ou qualquer membro do executivo nas três esferas que o termo "peculato" fica bem posto ali, sobre as cabeças das "excelências".
É uma palavra de fealdade digna da política brasileira.
Não digo que todos sejam ladrões, afinal nem eles teriam como chegar a esta perfeição. Mas a razão desta apatia e desinteresse geral em relação aos políticos, erroneamente creditada à preguiça de se informar, é mais relativa ao cenário político do país atualmente ser, como dizia o deputado federal pernambucano Agamenon Magalhães, uma "floresta de pau seco" do que a qualquer outro fator mais complexo.
Mas cansa. A política praticada no Brasil, com seus partidos de aluguel, seu clientelismo, o cinismo dos que fingem se preocupar com o país quando se preocupam no máximo com seus bolsos é um teste diário para a paciência, para o estômago e para qualquer um que não queira perder totalmente a esperança de um dia ser menos roubado pelos que se apoleiram no poder.
Temos uma classe política indigna, não somente porque lhes falte moral, mas porque a maioria ali não tem nem o mínimo estofo intelectual. A única coisa que todos tem de sobra é esperteza, no pior sentido que este termo pode ter.
Mas as qualidades individuais são as piores possíveis, afinal, vejamos: temos os preguiçosos, os inaptos, os medíocres, os provincianos e dentre todos estes grupos temos os ladrões e os honestos.
Parece-me muito pouco para suscitar qualquer esperança ou respeito em relação à classe a que pertencem.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Favela é problema e nunca será solução
Já em 1930 o arquiteto francês Alfred Agache reclamou da burocracia urbana do Rio de Janeiro, que levava o operário pobre a erguer choupanas junto aos sem-teto. As favelas, mais ou menos no mesmo período, foram muito bem definidas como um flagelo, a lepra da estética.
Infelizmente nos dias de hoje, já no século XXI, cá estou eu ainda falando deste assunto e para dar uma triste notícia aos que viveram naquela época, estejam onde estiverem: a lepra se alastrou e como remédio, o máximo que a cidade conseguiu produzir foi passar maquiagem por cima dela.
Virou moda governante dar certificado de propriedade à ocupação ilegal de favelas. Muitas até mesmo acima da tal cota 100. Gastam-se milhões com um PAC das Favelas que, a rigor, fará maquiagem nas invasões e distribuirá títulos de propriedade, perpetuando o problema e delegando às futuras gerações essas cidades feias que vemos por todos os lados.
Ao invés de remover este cancro dos morros e dos bairros populosos, adotam este paliativo ridículo de urbanizar, o tal "favela-bairro". Populismo barato e covardia de governantes que não querem se indispor com a baderna generalizada somente para não terem custos políticos.
Alegam que como aqueles amontoados de barracos estão ali há vários anos, a favela é fato consumado e é "direito" de quem mora ali assim permanecer.
São agressões para a estética e o meio-ambiente e encubadoras do crime, porque aquele ambiente claustrofóbico e caótico é ideal para servir de esconderijo para marginais que acabam ganhando um ponto elevado e privilegiado para defender suas empresas do crime.
Aliás, permanecerem nas encostas é somente mais uma das excrescências deste fenômeno das favelas, já que na maioria das cidades do mundo as encostas são terrenos valorizados enquanto que por aqui são tomados por invasões que destróem a natureza e a estética das cidades.
É claro que 100% dos moradores de favelas não são "bandidos"como os coitadistas adoram falar, generalizando e tentando colocar quem critica esse monumento ao horror do caos urbano e do estupro urbanístico na defensiva, mas não é esse o ponto, o ponto é que partindo do princípio da organização das cidades e da qualidade de vida do cidadão, contribuinte que paga impostos e sustenta direta ou indiretamente grande parte dos moradores das favelas com seus gatos de luz, TV a cabo, furto de água e assistem à desvalorização dos bairros onde moram, a favela é um crime primário, originário de todos os outros, quase um "pecado original".
Deixar ocupar uma área, permitir impassível a sua favelização e depois "legalizá-la" é a cultura do jeitinho, do arranjo, é o mesmo que o cara estuprar uma mulher todo dia e num dado momento o estado resolver casá-la com o estuprador, afinal, o estupro já é "fato consumado"mesmo e este é o remédio mais fácil.
A favelização é um estupro da cidade enquanto ambiente coletivo, a lepra urbanística e até aqui nosso remédio tem sido casar a vítima com o estuprador e passar pó compacto nas feridas.
Infelizmente nos dias de hoje, já no século XXI, cá estou eu ainda falando deste assunto e para dar uma triste notícia aos que viveram naquela época, estejam onde estiverem: a lepra se alastrou e como remédio, o máximo que a cidade conseguiu produzir foi passar maquiagem por cima dela.
Virou moda governante dar certificado de propriedade à ocupação ilegal de favelas. Muitas até mesmo acima da tal cota 100. Gastam-se milhões com um PAC das Favelas que, a rigor, fará maquiagem nas invasões e distribuirá títulos de propriedade, perpetuando o problema e delegando às futuras gerações essas cidades feias que vemos por todos os lados.
Ao invés de remover este cancro dos morros e dos bairros populosos, adotam este paliativo ridículo de urbanizar, o tal "favela-bairro". Populismo barato e covardia de governantes que não querem se indispor com a baderna generalizada somente para não terem custos políticos.
Alegam que como aqueles amontoados de barracos estão ali há vários anos, a favela é fato consumado e é "direito" de quem mora ali assim permanecer.
São agressões para a estética e o meio-ambiente e encubadoras do crime, porque aquele ambiente claustrofóbico e caótico é ideal para servir de esconderijo para marginais que acabam ganhando um ponto elevado e privilegiado para defender suas empresas do crime.
Aliás, permanecerem nas encostas é somente mais uma das excrescências deste fenômeno das favelas, já que na maioria das cidades do mundo as encostas são terrenos valorizados enquanto que por aqui são tomados por invasões que destróem a natureza e a estética das cidades.
É claro que 100% dos moradores de favelas não são "bandidos"como os coitadistas adoram falar, generalizando e tentando colocar quem critica esse monumento ao horror do caos urbano e do estupro urbanístico na defensiva, mas não é esse o ponto, o ponto é que partindo do princípio da organização das cidades e da qualidade de vida do cidadão, contribuinte que paga impostos e sustenta direta ou indiretamente grande parte dos moradores das favelas com seus gatos de luz, TV a cabo, furto de água e assistem à desvalorização dos bairros onde moram, a favela é um crime primário, originário de todos os outros, quase um "pecado original".
Deixar ocupar uma área, permitir impassível a sua favelização e depois "legalizá-la" é a cultura do jeitinho, do arranjo, é o mesmo que o cara estuprar uma mulher todo dia e num dado momento o estado resolver casá-la com o estuprador, afinal, o estupro já é "fato consumado"mesmo e este é o remédio mais fácil.
A favelização é um estupro da cidade enquanto ambiente coletivo, a lepra urbanística e até aqui nosso remédio tem sido casar a vítima com o estuprador e passar pó compacto nas feridas.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Geisy Arruda no BBB
Estapafúrdio? Não acho. A ex-aluna da Uniban e quase um vestido ambulante, Geisy (ou seria Geysi?), poderia perfeitamente fazer parte de um desses reality shows fajutos que pululam nas TVs.
Ela possui todos os atributos de talento normalmente exigidos para participar de um BBB da vida ou da Fazenda do Macedão.
Pensem comigo: com um personal trainer, um personal stylist, um personal hairdresser, um personal plastic surgeon e um assessor de imprensa, a Geisy terá tudo o que um BBB possui: um corpitcho mais ou menos, uma carinha pós-extreme-makeover e praticamente zero talento artístico.
Não sei se alguém acredita mesmo que os participantes do BBB são escolhidos através de fitas ou DVDs que o "povão" envia para testes que cairão em algum programa que fará chacota deles depois, mas eu não acredito mesmo nisso.
Imagino mais um "casting" em agências de modelo, com profissionais menos requisitados (ainda que bonitos), que são convidados para esta chance de entrar no "Mundo de Caras".
Às vezes colocam alguém "do povo" ali para satisfazer uma espécie de cota social/estética como aquela clone do Zacarias que acabou até vencendo uma edição, ou uma pessoa com formação superior e uma cota acima da média de cérebro como o Dr. Marcelo, mas o usual ali é o modelo-manequim-aspirante-a-ator-barra-apresentador.
E ao que eles se dedicam durante sua participação nos tais programas? Criar polêmicas, "causar", aparecer o máximo (seja com barracos, nudez ou mesmo sexo explícito, sem esquecer as trocas de casais) e dali extrair uma fama que se extenda mesmo após o final do programa.
Quando finalmente saem "da casa", passam a frequentar revistas de fofoca, as moças posam nuas, alguns dos rapazes também, viram arroz de festa em eventos-jabá, participam de programas em emissoras de menor expressão, alguns vão parar em programas de humor, colunas sociais eletrônicas, viram destaques de escola de samba e, em comum, tem o fato de seram tal qual um pastel de feira: possuem 90% de vento como conteúdo.
Ora, a Geisy apareceu para o país inteiro numa polêmica: foi praticamente linchada pelos boçais da universidade onde estudava porque foi assistir aula com um vestido "muito curto".
Chorou, virou estrela do YouTube, o Twitter inteiro clamou por justiça, a faculdade ameaçou expusá-la e, por fim, virou personagem de programas de TV, revistas, jornais, foi convidada para posar nua e...vai desfilar numa escola de samba!
Como vocês podem ver, a moça soube mais do que ninguém transformar o seu limão numa belíssima limonada. Ela já teve o sua versão de BBB, ocorrido na Uniban e transmitido via YouTube, porque não poderia ser convidada para o "oficial"?
Seus "talentos" já estão comprovados, e se isso fosse viral de candidato a BBB seria o mais bem sucedido da história.
A única sugestão que fica é que a emissora providencie, pelo menos, um bom estoque de vestidinhos-curtos-rosa-brega para ela, porque um dia aquele lá precisará de uma máquina de lavar.
Ela possui todos os atributos de talento normalmente exigidos para participar de um BBB da vida ou da Fazenda do Macedão.
Pensem comigo: com um personal trainer, um personal stylist, um personal hairdresser, um personal plastic surgeon e um assessor de imprensa, a Geisy terá tudo o que um BBB possui: um corpitcho mais ou menos, uma carinha pós-extreme-makeover e praticamente zero talento artístico.
Não sei se alguém acredita mesmo que os participantes do BBB são escolhidos através de fitas ou DVDs que o "povão" envia para testes que cairão em algum programa que fará chacota deles depois, mas eu não acredito mesmo nisso.
Imagino mais um "casting" em agências de modelo, com profissionais menos requisitados (ainda que bonitos), que são convidados para esta chance de entrar no "Mundo de Caras".
Às vezes colocam alguém "do povo" ali para satisfazer uma espécie de cota social/estética como aquela clone do Zacarias que acabou até vencendo uma edição, ou uma pessoa com formação superior e uma cota acima da média de cérebro como o Dr. Marcelo, mas o usual ali é o modelo-manequim-aspirante-a-ator-barra-apresentador.
E ao que eles se dedicam durante sua participação nos tais programas? Criar polêmicas, "causar", aparecer o máximo (seja com barracos, nudez ou mesmo sexo explícito, sem esquecer as trocas de casais) e dali extrair uma fama que se extenda mesmo após o final do programa.
Quando finalmente saem "da casa", passam a frequentar revistas de fofoca, as moças posam nuas, alguns dos rapazes também, viram arroz de festa em eventos-jabá, participam de programas em emissoras de menor expressão, alguns vão parar em programas de humor, colunas sociais eletrônicas, viram destaques de escola de samba e, em comum, tem o fato de seram tal qual um pastel de feira: possuem 90% de vento como conteúdo.
Ora, a Geisy apareceu para o país inteiro numa polêmica: foi praticamente linchada pelos boçais da universidade onde estudava porque foi assistir aula com um vestido "muito curto".
Chorou, virou estrela do YouTube, o Twitter inteiro clamou por justiça, a faculdade ameaçou expusá-la e, por fim, virou personagem de programas de TV, revistas, jornais, foi convidada para posar nua e...vai desfilar numa escola de samba!
Como vocês podem ver, a moça soube mais do que ninguém transformar o seu limão numa belíssima limonada. Ela já teve o sua versão de BBB, ocorrido na Uniban e transmitido via YouTube, porque não poderia ser convidada para o "oficial"?
Seus "talentos" já estão comprovados, e se isso fosse viral de candidato a BBB seria o mais bem sucedido da história.
A única sugestão que fica é que a emissora providencie, pelo menos, um bom estoque de vestidinhos-curtos-rosa-brega para ela, porque um dia aquele lá precisará de uma máquina de lavar.
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São sapatos (altos) de dança para criança...
A singela frase acima foi dita por Katie Holmes, esposa do esquisitão-galã Tom Cruise, acerca da polêmica foto em que sua filha, Suri, que tem apenas 3 anos, aparece usando sapatos de salto alto.
Nem vou entrar no mérito desse caso específico, porque acho que todas as esquisitices que vierem desse casal são quase impossíveis de me chocar.
Mas essa história me lembrou algo que penso faz tempo: a perda precoce da infância. No meu tempo (e nem faz tanto tempo assim), a gente com 11, 12 anos ainda pensava mais em jogar bola, correr atrás de balão, falar bobagem entre amigos.
Tudo bem que um pouco depois disso só pensávamos em "ficar", namorar, etc, etc, mas também já era hora, né?
Só que atualmente a erotização e a "adultização" das crianças acontece cada vez mais cedo, e algumas já começam a emular trejeitos dos adultos antes dos 9. Preocupações como maquiagem, roupas, "pagar mico" entre outras aparecem precocemente, estimuladas pela TV, pela sociedade e, se não estimuladas pela família também são muito pouco combatidas por esta.
Eu acho triste ver menininhas vestidas como "mini-mulheres", de sapato alto, batom, roupas provocantes, coladas, agindo como se já fossem moças.
Parece que os meninos sofrem menos com isso e tem direito a um pouco mais de infância, todavia bem menos do que na minha época.
A vida é pra ser vivida em sua plenitude, todas as suas fases tem belezas e pequenos desastres, mas estes formarão a pessoa que seremos um dia.
Pulando etapas, o que se vê é a formação desses adultos cada vez mais infantilizados, homens e mulheres de mais de 20 que se comportam como bobalhões, talvez numa tentativa torta de resgate do que lhes foi roubado.
Não sei, sinceramente, qual o benefício que pode existir em abreviar um dos períodos mais felizes e gostosos da nossa vida, período que sempre lembraremos com saudade e gratidão.
Seja a filha do Tom Cruise e da Katie Holmes, seja o filho do Zé das Couves, sejam as nossas crianças, todas elas tem direito a uma infância plena, sem se vestirem como micro-adultos e muito menos anteciparem uma maturidade que terão o resto da vida pra viver e padecer.
Nem vou entrar no mérito desse caso específico, porque acho que todas as esquisitices que vierem desse casal são quase impossíveis de me chocar.
Mas essa história me lembrou algo que penso faz tempo: a perda precoce da infância. No meu tempo (e nem faz tanto tempo assim), a gente com 11, 12 anos ainda pensava mais em jogar bola, correr atrás de balão, falar bobagem entre amigos.
Tudo bem que um pouco depois disso só pensávamos em "ficar", namorar, etc, etc, mas também já era hora, né?
Só que atualmente a erotização e a "adultização" das crianças acontece cada vez mais cedo, e algumas já começam a emular trejeitos dos adultos antes dos 9. Preocupações como maquiagem, roupas, "pagar mico" entre outras aparecem precocemente, estimuladas pela TV, pela sociedade e, se não estimuladas pela família também são muito pouco combatidas por esta.
Eu acho triste ver menininhas vestidas como "mini-mulheres", de sapato alto, batom, roupas provocantes, coladas, agindo como se já fossem moças.
Parece que os meninos sofrem menos com isso e tem direito a um pouco mais de infância, todavia bem menos do que na minha época.
A vida é pra ser vivida em sua plenitude, todas as suas fases tem belezas e pequenos desastres, mas estes formarão a pessoa que seremos um dia.
Pulando etapas, o que se vê é a formação desses adultos cada vez mais infantilizados, homens e mulheres de mais de 20 que se comportam como bobalhões, talvez numa tentativa torta de resgate do que lhes foi roubado.
Não sei, sinceramente, qual o benefício que pode existir em abreviar um dos períodos mais felizes e gostosos da nossa vida, período que sempre lembraremos com saudade e gratidão.
Seja a filha do Tom Cruise e da Katie Holmes, seja o filho do Zé das Couves, sejam as nossas crianças, todas elas tem direito a uma infância plena, sem se vestirem como micro-adultos e muito menos anteciparem uma maturidade que terão o resto da vida pra viver e padecer.
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