Quem me conhece um pouquinho sabe que eu adoro fotografar e tenho até um album no Flickr onde mostro os cliques que faço por aí.
No final do ano minha namorada (talentosa diretora de arte) resolveu fazer uns calendários com fotos que eu tirei para que pudesse presentear aos amigos. Pois bem, pensei de imediato "porque não distribuir alguns entre os leitores do meu blog, que me aturam todo dia e me presenteiam com seus comentários?".
Daí surgiu a idéia de fazer esse sorteio.
Porque não dar pra todo mundo (ui) logo? Porque tenho poucos e são feitos meio artesanalmente. Tratamos a imagem, colocamos os meses e dias do ano, imprimimos como uma foto e colamos um imã atrás para que os calendários possam ser presos em quadros de metal ou na sua geladeira, daí não tenho como dar um para todos.
Aqui estão eles: http://twitpic.com/xqdyq
O sorteio funcionará assim: você entra aqui de terça-feira 12 de janeiro até segunda-feira 18 de janeiro e posta seu comentário sobre o texto do dia.
Conforme as pessoas forem comentando, ganharão um número correspondente à ordem em que postou, o primeiro será o 1 e assim por diante.
No final do dia, lançarei os números no site http://sorteiospt.com/ e o vencedor leva o calendário.
1) Comentários tipo "Pronto, comentei, quero meu calendário" serão desconsiderados, é lógico.
2) Um número por pessoa.
3) Comentário nesse post aqui é bem vindo, mas está fora do sorteio. :P
Dessa forma, preciso que ao comentar você deixe seu e-mail, para que eu possa pegar seu endereço depois e enviar o presentinho pra sua casa.
Sei que não é nada demais, mas não deixa de ser um negocinho bem legal, não é?
Boa sorte!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O mundo como voyeur
Cena típica: você está parado num engarrafamento, entediado, olha para o carro ao lado e uma bela moça está passando batom e fazendo caretas pro espelho ou então um sujeito com pinta de executivo corta os pelos do nariz com uma tesourinha.
Outra bem comum é alguém "perfeitamente protegido" pelas janelas do carro fechadas dançando e abanando as mãos ao som do rádio como se estivesse numa rave.
É curioso o nosso comportamento quando estamos sozinhos dentro do nosso automóvel.
Todos sabem que aquelas janelas de vidro não garantem propriamente privacidade (exceção para quem instala horríveis e bregas películas pretas, que deixam o carro com aparência de viatura do FBI tupiniquim ou carro de bandido mesmo).
Mas tirando estes que atentam contra o bom gosto, o restante dos mortais fica naquela espécie de aquário com a estranha ilusão de que ninguém os observa enquanto estão ali dentro. Ainda mais com a quantidade de câmeras espalhadas pra todos os lados.
Se isso não foi estudado ainda, aposto que o será. Porque aquele ambiente devassado nos dá tamanha ilusão de privacidade? Seriam as travas fechadas? Seriam as janelas levantadas?
Estamos parados no trânsito, o rádio só toca a "Hora do Brasil", porque não damos uma namoradinha? Aí rolam uns beijos, amassos e quando menos se espera o casalzinho vai parar no You Tube, filmado por uma dezena de celulares da galera do ônibus que estava parado ao lado.
Tem quem faça de propósito, para se exibir, mas quando não é a intenção a coisa complica e a gente fica sabendo até se a menina se lambuza ou não quando está tomando picolé.
Ou o cara tirando meleca, olha pro lado e vê aquela gatinha que estava dando mole sem ele saber até um minuto atrás olhando agora com cara de nojo.
Estava dentro de um ônibus um dia desses e o sujeito no carro parado ao lado via um DVD na telinha do seu painel e, pelo gestual que ele fazia com as mãos acariciando a braguilha da calça(tudo bem, estava fechada pelo menos), devia ser um filme erótico. Mal sabia o nosso onanista de congestionamento que ele era a atração de toda a lotação do coletivo ao lado.
Deixando exageros e brincadeiras, é engraçado esse sentimento de proteção que uma simples janela de vidro pode trazer, nos permitindo fazer solitariamente e em público certas coisas que talvez não faríamos nem na intimidade do lar.
E de acordo com o entendimento de uma leitora do blog, a Valéria, talvez isto seja fruto da nossa solidão, de um sentimento que nos diz intimamente que "ninguém liga para nós, então não presta mesmo muita atenção".
É assunto para reflexão e para lembrar sempre, até mesmo para não cairmos nessa furada: em todo lugar, sempre tem alguém te olhando.
Outra bem comum é alguém "perfeitamente protegido" pelas janelas do carro fechadas dançando e abanando as mãos ao som do rádio como se estivesse numa rave.
É curioso o nosso comportamento quando estamos sozinhos dentro do nosso automóvel.
Todos sabem que aquelas janelas de vidro não garantem propriamente privacidade (exceção para quem instala horríveis e bregas películas pretas, que deixam o carro com aparência de viatura do FBI tupiniquim ou carro de bandido mesmo).
Mas tirando estes que atentam contra o bom gosto, o restante dos mortais fica naquela espécie de aquário com a estranha ilusão de que ninguém os observa enquanto estão ali dentro. Ainda mais com a quantidade de câmeras espalhadas pra todos os lados.
Se isso não foi estudado ainda, aposto que o será. Porque aquele ambiente devassado nos dá tamanha ilusão de privacidade? Seriam as travas fechadas? Seriam as janelas levantadas?
Estamos parados no trânsito, o rádio só toca a "Hora do Brasil", porque não damos uma namoradinha? Aí rolam uns beijos, amassos e quando menos se espera o casalzinho vai parar no You Tube, filmado por uma dezena de celulares da galera do ônibus que estava parado ao lado.
Tem quem faça de propósito, para se exibir, mas quando não é a intenção a coisa complica e a gente fica sabendo até se a menina se lambuza ou não quando está tomando picolé.
Ou o cara tirando meleca, olha pro lado e vê aquela gatinha que estava dando mole sem ele saber até um minuto atrás olhando agora com cara de nojo.
Estava dentro de um ônibus um dia desses e o sujeito no carro parado ao lado via um DVD na telinha do seu painel e, pelo gestual que ele fazia com as mãos acariciando a braguilha da calça(tudo bem, estava fechada pelo menos), devia ser um filme erótico. Mal sabia o nosso onanista de congestionamento que ele era a atração de toda a lotação do coletivo ao lado.
Deixando exageros e brincadeiras, é engraçado esse sentimento de proteção que uma simples janela de vidro pode trazer, nos permitindo fazer solitariamente e em público certas coisas que talvez não faríamos nem na intimidade do lar.
E de acordo com o entendimento de uma leitora do blog, a Valéria, talvez isto seja fruto da nossa solidão, de um sentimento que nos diz intimamente que "ninguém liga para nós, então não presta mesmo muita atenção".
É assunto para reflexão e para lembrar sempre, até mesmo para não cairmos nessa furada: em todo lugar, sempre tem alguém te olhando.
Marcadores:
comportamento,
opinião,
relacionamentos,
sociedade
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Brasileiro: o autêntico bunda mole.
Pra começar, antes de dar vazão ao seu ufanismo bananense leia até o final, depois se quiser me xingue à vontade.
Eu estava num supermercado outro dia, mais precisamente no caótico mês de dezembro, e as filas nos caixas eram intermináveis. Aquele monte de senhoras comprando castanhas, senhores comprando vinho e "galeras" comprando cerveja.
Se houvesse no lugar aquelas placas dizendo o tempo estimado de atendimento, elas deveriam indicar algo próximo da idade de Matuzalém. Pois bem, no meio desse "conforto" todo, uma caixa desliga sua máquina registradora, coloca uma plaquinha de "fechado" no seu posto e avisa que "está na hora do lanche".
Longe de mim pretender que uma caixa de supermercado morra de fome bem ali num dos templos da gulodice, tal qual morrer poeticamente de sede em frente ao mar, mas isso é problema dela. O problema do caixa fechado, que logicamente deveria ter sua operadora substituida, era do gerente da espelunca e o meu problema era só um: conseguir sair dali enquanto 2009 não acabava.
As pessoas que estavam na fila do caixa da mocinha que foi lanchar, eu incluído, começaram a reclamar de ter que mudar para outra fila, da demora no atendimento, de um monte de coisas, mas aquela reclamação tímida, meio que ao pé do ouvido, típica de um contínuo na fila de um café da manhã gratuito.
Como posso ser tudo, menos um cara "dócil", resolvi que aquele muro das lamentações não era o meu lugar e fui procurar o tal gerente, se é que aquele local possuia um.
Bom, sim, havia um gerente que estava ocupado batendo papo com os rapazes da entrega sobre as possíveis contratações do Botafogo. Fui obrigado a interromper a mesa redonda e falar com o dito cujo.
- Boa noite, o Senhor acha normal que um supermercado tenha filas deste tamanho, mal organizadas, entupidas de gente, lentas, e no meio disso tudo uma caixa saia para lanchar sem que ninguém a substitua?
- Senhor (lá veio ele com esse "Senhor", botam na sua b..., você sabe, e te chamam de "Senhor"), o Sindicato exige que elas tenham direito à uma pausa para o lanche.
- Amigo, não me interessa o Sindicato e nem o misto-quente da menina, ela que saia, mas é seu trabalho colocar alguém no lugar ou então você mesmo ir pra lá operar a caixa, já que não acredito que um gerente de supermercado não saiba fazer isso.
- Mas ela não vai demorar nada, em 10 minutos ela volta.
- Senhor (Rá! Agora era minha vez!), eu já estou aqui há uns 20 minutos e não faz parte dos meus planos dar mais 10 para vocês, mas já notei que essa conversa não levará a nada, me diz o telefone de reclamação do estabelecimento ou me entregue um livro para isso que eu não vou comprar mais nada aqui, porém vou relatar a forma absurdamente imbecil com a qual vocês tratam seus clientes.
- Tudo bem, Senhor (Bah, me devolveu a bola), vou pegar o livro.
Bom, depois do "desabafo", voltei pra fila para esperar o tal livro. E qual minha surpresa?
O livro chegou? O livro não veio? Nada disso! O gerente mandou que abrissem o caixa para me atender, isso mesmo, para que eu fosse atendido, somente eu e ele se livrasse do problema.
Chegou dizendo "Senhores, eu vou ter que abrir esse caixa 1 minuto para atender a este Senhor, mas por favor, permaneçam nos seus lugares".
Sabe o que aconteceu? Desculpem a caixa alta: TODOS OBEDECERAM!
Eu que precisei dizer: "Mas não mesmo! Que negócio é esse?! Quer dizer que porque eu reclamei você vai me tirar da fila e o resto das pessoas vai continuar na União Soviética? Nem pensar!".
Aí ele se tocou que havia deparado com um "sujeito pé no saco"(ou seja, eu) e abriu a fila para todos.
Moral da história: os políticos nos roubam, o Metrô nos trata que nem sardinhas em lata, a prefeitura deixa sua rua esburacada e mal iluminada mas te cobra impostos e multas cada vez mais leoninos, o Estado te cobra outros tantos impostos e te dá em troca um tratamento que nem chimpanzé de circo recebe, pedágios sobem, passagens sobem, os serviços só pioram, somos cercados de absurdos e excrescências diariamente e pouco ou nada melhora, sabe porque?
Porque temos no Brasil gente demais que fica quieta na fila do caixa, que vê alguém sendo privilegiado porque "defendeu seu lado" e não exige que defendam o lado delas também, gente que murmura reclamações mas não toma atitude nenhuma e, pior, quando alguém faz, ainda é taxado de "reclamão", "azedo", "baixo-astral".
Podem me falar "porque então você não vai pra rua protestar?". Porque eu seria um louco solitário que talvez conseguiria uns outros 50 loucos para andar atrás, se tanto.
E quanto ao resto? O resto murmura. Murmura e pasta.
Eu estava num supermercado outro dia, mais precisamente no caótico mês de dezembro, e as filas nos caixas eram intermináveis. Aquele monte de senhoras comprando castanhas, senhores comprando vinho e "galeras" comprando cerveja.
Se houvesse no lugar aquelas placas dizendo o tempo estimado de atendimento, elas deveriam indicar algo próximo da idade de Matuzalém. Pois bem, no meio desse "conforto" todo, uma caixa desliga sua máquina registradora, coloca uma plaquinha de "fechado" no seu posto e avisa que "está na hora do lanche".
Longe de mim pretender que uma caixa de supermercado morra de fome bem ali num dos templos da gulodice, tal qual morrer poeticamente de sede em frente ao mar, mas isso é problema dela. O problema do caixa fechado, que logicamente deveria ter sua operadora substituida, era do gerente da espelunca e o meu problema era só um: conseguir sair dali enquanto 2009 não acabava.
As pessoas que estavam na fila do caixa da mocinha que foi lanchar, eu incluído, começaram a reclamar de ter que mudar para outra fila, da demora no atendimento, de um monte de coisas, mas aquela reclamação tímida, meio que ao pé do ouvido, típica de um contínuo na fila de um café da manhã gratuito.
Como posso ser tudo, menos um cara "dócil", resolvi que aquele muro das lamentações não era o meu lugar e fui procurar o tal gerente, se é que aquele local possuia um.
Bom, sim, havia um gerente que estava ocupado batendo papo com os rapazes da entrega sobre as possíveis contratações do Botafogo. Fui obrigado a interromper a mesa redonda e falar com o dito cujo.
- Boa noite, o Senhor acha normal que um supermercado tenha filas deste tamanho, mal organizadas, entupidas de gente, lentas, e no meio disso tudo uma caixa saia para lanchar sem que ninguém a substitua?
- Senhor (lá veio ele com esse "Senhor", botam na sua b..., você sabe, e te chamam de "Senhor"), o Sindicato exige que elas tenham direito à uma pausa para o lanche.
- Amigo, não me interessa o Sindicato e nem o misto-quente da menina, ela que saia, mas é seu trabalho colocar alguém no lugar ou então você mesmo ir pra lá operar a caixa, já que não acredito que um gerente de supermercado não saiba fazer isso.
- Mas ela não vai demorar nada, em 10 minutos ela volta.
- Senhor (Rá! Agora era minha vez!), eu já estou aqui há uns 20 minutos e não faz parte dos meus planos dar mais 10 para vocês, mas já notei que essa conversa não levará a nada, me diz o telefone de reclamação do estabelecimento ou me entregue um livro para isso que eu não vou comprar mais nada aqui, porém vou relatar a forma absurdamente imbecil com a qual vocês tratam seus clientes.
- Tudo bem, Senhor (Bah, me devolveu a bola), vou pegar o livro.
Bom, depois do "desabafo", voltei pra fila para esperar o tal livro. E qual minha surpresa?
O livro chegou? O livro não veio? Nada disso! O gerente mandou que abrissem o caixa para me atender, isso mesmo, para que eu fosse atendido, somente eu e ele se livrasse do problema.
Chegou dizendo "Senhores, eu vou ter que abrir esse caixa 1 minuto para atender a este Senhor, mas por favor, permaneçam nos seus lugares".
Sabe o que aconteceu? Desculpem a caixa alta: TODOS OBEDECERAM!
Eu que precisei dizer: "Mas não mesmo! Que negócio é esse?! Quer dizer que porque eu reclamei você vai me tirar da fila e o resto das pessoas vai continuar na União Soviética? Nem pensar!".
Aí ele se tocou que havia deparado com um "sujeito pé no saco"(ou seja, eu) e abriu a fila para todos.
Moral da história: os políticos nos roubam, o Metrô nos trata que nem sardinhas em lata, a prefeitura deixa sua rua esburacada e mal iluminada mas te cobra impostos e multas cada vez mais leoninos, o Estado te cobra outros tantos impostos e te dá em troca um tratamento que nem chimpanzé de circo recebe, pedágios sobem, passagens sobem, os serviços só pioram, somos cercados de absurdos e excrescências diariamente e pouco ou nada melhora, sabe porque?
Porque temos no Brasil gente demais que fica quieta na fila do caixa, que vê alguém sendo privilegiado porque "defendeu seu lado" e não exige que defendam o lado delas também, gente que murmura reclamações mas não toma atitude nenhuma e, pior, quando alguém faz, ainda é taxado de "reclamão", "azedo", "baixo-astral".
Podem me falar "porque então você não vai pra rua protestar?". Porque eu seria um louco solitário que talvez conseguiria uns outros 50 loucos para andar atrás, se tanto.
E quanto ao resto? O resto murmura. Murmura e pasta.
Marcadores:
atendimento,
Brasil,
brasileiros,
comportamento,
serviços,
sociedade
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Avatar (ou vários avatares)
Hoje resolvi aderir à preguiça e faltar a academia de noite. Essa vida de geração saúde afasta a gente de certos programinhas usuais, tipo pegar um cinema no final da tarde durante a semana.
Ia utilizar esse post pra falar mal do Koni Store e de franquias que deixam o nível cair depois que viram uma espécie de "lousy and expensive food", mas o filme que escolhi para assistir conseguiu vencer a má impressão que os temakis de lá me causaram e esse atum que parece que ainda está nadando no meu estômago.
Aproveitei o "papa filas" eletrônico do cinema e me senti no primeiro mundo comprando meu ingresso sem ter que ir na bilheteria, somente com o auxílio de um monitor touch screen e meu cartão de débito. Coisa boa, viu.
Mas vamos lá, fui assistir o famosíssimo, campeoníssimo de vendas, faladíssimo, assistidíssimo e deixo aqui este espaço: _______(íssimo) para você criar seu próprio neologismo grandiloquente sobre ele, filme de James Cameron, "Avatar".
Poderia falar aqui sobre atuações, sobre os espetaculares efeitos especiais que tiram nosso fôlego e sobre o visual esplendoroso que o filme proporciona (e olha que nem vi em 3D), porque acho que esses aspectos já foram abordados à exaustão pela mídia especializada, que inclusive chegou a considerar o filme um "divisor de águas" na história do cinema.
Exageros da crítica à parte, o que mais me chamou a atenção em "Avatar" foi a impressão que ele me causou de parecer estar assistindo a recortes de outros filmes famosos e conhecidos que já vi.
Sério, não que seja um "plágio" ou que diminua a importância da película, mas pelo menos para mim, encontrei ali referências tanto claras quanto sutis a diversos filmes.
Vou procurar não ser estraga prazeres e contar coisas que possam tirar o efeito surpresa do filme, por isso vou evitar a analogia que vi com outro filme de James Cameron, "Titanic". Quem já viu ambos os filmes lembrará bem da cena de "Avatar" que remete àquele afundamento do transatlântico, com suas luzes apagando em alto mar.
Mas vamos lá, as demais analogias são menos "spoilers".
Um forasteiro que chega para espionar uma cultura nativa para ajudar a dominá-la e, após ser encontrado, tratado como inimigo e conseguir com muito esforço falar até mesmo a língua deles e com que estes mesmos nativos passem a considerá-lo um igual, fazendo com que o forasteiro mude de lado na história: "Dança com Lobos", não é?
Uma cultura alienígena (no caso de "Avatar", os alienígeas somos nós) que chega para sugar os recursos de um planeta e subjugar os seus habitantes pela força de armas mais poderosas: "Indepence Day".
Um líder muito, muito, muito mal que põe fogo no que vê pela frente, deixa atrás de si um rastro de destruição, não respeita os entes da floresta e planeja vingar-se das "forças do bem" não só pelo poder mas também para mostrar simplesmente que pode e se vê enfrentando uma liga de seres diferentes (e bizarros) que se unem pela preservação do mundo que conhecem, a partir de uma "força superior": "Senhos dos Anéis".
O clima de fantasia e mundo maginário continua, na luta entre um "lado negro" da força e os mocinhos, com batalhas em florestas, confrontos grandiosos e até alguns simulacros de naves do Império, sendo assim, porque não? "Avatar" também tem uma pitada de "Starwars".
Esse caráter épico aliás, também remeteu para "Braveheart", onde um bravo e diferenciado guerreiro é escolhido para liderar um povo, fazendo belos discursos, inflamando e unindo as massas, tal qual William Wallace.
Guerreiros alados que não só escolhem sua montaria como são "escolhidos por elas", caríssimos, podem me xingar, mas já vi isso em Dinotopia.
Sem contar pessoas que controlam manequins a partir de sua mente, assumindo então a vida a partir de um avatar (daí o nome do filme, claro) não tem como não fazer lembrar um outro filme recém-lançado com Bruce Willis, "Surrogates".
Enfim, quando comentei com o pessoal do Twitter, teve quem falasse até de "Pocahontas" e "World of Warcraft", mas prefiro parar por aqui, acho que já consegui demonstrar meu ponto.
Sei que este é um texto que talvez interesse mais a quem já viu o filme (e entenderá o que digo, ainda que para discordar) do que para quem ainda não viu.
Só espero não ter estragado a diversão de ninguém, porque acredite: justamente por conter tantos elementos de filmes muito bons e de ação, mesclados com muita competência pelo diretor James Cameron e aliados à um visual inesquecível, "Avatar" é diversão garantida.
Vale o ingresso.
Ia utilizar esse post pra falar mal do Koni Store e de franquias que deixam o nível cair depois que viram uma espécie de "lousy and expensive food", mas o filme que escolhi para assistir conseguiu vencer a má impressão que os temakis de lá me causaram e esse atum que parece que ainda está nadando no meu estômago.
Aproveitei o "papa filas" eletrônico do cinema e me senti no primeiro mundo comprando meu ingresso sem ter que ir na bilheteria, somente com o auxílio de um monitor touch screen e meu cartão de débito. Coisa boa, viu.
Mas vamos lá, fui assistir o famosíssimo, campeoníssimo de vendas, faladíssimo, assistidíssimo e deixo aqui este espaço: _______(íssimo) para você criar seu próprio neologismo grandiloquente sobre ele, filme de James Cameron, "Avatar".
Poderia falar aqui sobre atuações, sobre os espetaculares efeitos especiais que tiram nosso fôlego e sobre o visual esplendoroso que o filme proporciona (e olha que nem vi em 3D), porque acho que esses aspectos já foram abordados à exaustão pela mídia especializada, que inclusive chegou a considerar o filme um "divisor de águas" na história do cinema.
Exageros da crítica à parte, o que mais me chamou a atenção em "Avatar" foi a impressão que ele me causou de parecer estar assistindo a recortes de outros filmes famosos e conhecidos que já vi.
Sério, não que seja um "plágio" ou que diminua a importância da película, mas pelo menos para mim, encontrei ali referências tanto claras quanto sutis a diversos filmes.
Vou procurar não ser estraga prazeres e contar coisas que possam tirar o efeito surpresa do filme, por isso vou evitar a analogia que vi com outro filme de James Cameron, "Titanic". Quem já viu ambos os filmes lembrará bem da cena de "Avatar" que remete àquele afundamento do transatlântico, com suas luzes apagando em alto mar.
Mas vamos lá, as demais analogias são menos "spoilers".
Um forasteiro que chega para espionar uma cultura nativa para ajudar a dominá-la e, após ser encontrado, tratado como inimigo e conseguir com muito esforço falar até mesmo a língua deles e com que estes mesmos nativos passem a considerá-lo um igual, fazendo com que o forasteiro mude de lado na história: "Dança com Lobos", não é?
Uma cultura alienígena (no caso de "Avatar", os alienígeas somos nós) que chega para sugar os recursos de um planeta e subjugar os seus habitantes pela força de armas mais poderosas: "Indepence Day".
Um líder muito, muito, muito mal que põe fogo no que vê pela frente, deixa atrás de si um rastro de destruição, não respeita os entes da floresta e planeja vingar-se das "forças do bem" não só pelo poder mas também para mostrar simplesmente que pode e se vê enfrentando uma liga de seres diferentes (e bizarros) que se unem pela preservação do mundo que conhecem, a partir de uma "força superior": "Senhos dos Anéis".
O clima de fantasia e mundo maginário continua, na luta entre um "lado negro" da força e os mocinhos, com batalhas em florestas, confrontos grandiosos e até alguns simulacros de naves do Império, sendo assim, porque não? "Avatar" também tem uma pitada de "Starwars".
Esse caráter épico aliás, também remeteu para "Braveheart", onde um bravo e diferenciado guerreiro é escolhido para liderar um povo, fazendo belos discursos, inflamando e unindo as massas, tal qual William Wallace.
Guerreiros alados que não só escolhem sua montaria como são "escolhidos por elas", caríssimos, podem me xingar, mas já vi isso em Dinotopia.
Sem contar pessoas que controlam manequins a partir de sua mente, assumindo então a vida a partir de um avatar (daí o nome do filme, claro) não tem como não fazer lembrar um outro filme recém-lançado com Bruce Willis, "Surrogates".
Enfim, quando comentei com o pessoal do Twitter, teve quem falasse até de "Pocahontas" e "World of Warcraft", mas prefiro parar por aqui, acho que já consegui demonstrar meu ponto.
Sei que este é um texto que talvez interesse mais a quem já viu o filme (e entenderá o que digo, ainda que para discordar) do que para quem ainda não viu.
Só espero não ter estragado a diversão de ninguém, porque acredite: justamente por conter tantos elementos de filmes muito bons e de ação, mesclados com muita competência pelo diretor James Cameron e aliados à um visual inesquecível, "Avatar" é diversão garantida.
Vale o ingresso.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Twittess na Playboy
Em 10 de junho de 2009, a Gabriela Rolim postou no seu blog um texto com um título bem parecido com este. Na época, ninguém imaginava que ele seria profético.
Não falo da entrevista que a Tessália, mais conhecida como @Twittess, viria a dar para a publicação logo adiante, mas para a iminência de um convite para um ensaio ocorrer assim que ela saia da casa do BBB, seja como eliminada em alguma edição ou como vencedora.
Sim, para você que está numa situação semelhante à de Chuck Noland no universo do Twitter e dos assuntos mais "hot" da internet, a curitibana Tessália Serighelli foi uma das selecionadas para participar do reality show-trash da TV Globo em sua décima edição.
Sim, trash. Não vou dizer agora que aprecio a qualidade do programa só porque uma pessoa da qual eu gosto vai participar.
Torço para que ela até vença o grande prêmio e se lembre do pobre blogueiro aqui (eca, usar essa expressão, mas tudo bem) que tanto a defendeu (ironia on, please), mas não nego que acho BBB um lixo semelhante à "Fazenda" da Record e todos esses reality shows que transformam uzerumano e suas mazelas em exibição de zoológico.
Só que chegar a ser uma "big brother" (ou seria sister?) é sim, um grande passo para Tessália, não porque ela seja cultural e intelectualmente insipiente, coisa que ela não é absolutamente, mas porque essa exposição era um de seus objetivos.
A partir de uma conta no Twitter ela apareceu em grandes veículos de comunicação, fez ensaios para revistas, foi indicada para um prêmio na MTV e agora foi chamada para um programa em TV aberta de grande audiência no horário nobre.
Digo que é um grande passo para ela porque a Twittess não tem como objetivo reescrever um tratado de física nuclear, não quer se candidatar a presidente (se bem de que seria melhor ela "lá" do que a bonitona da Dilma, não?), não pretende outra coisa senão continuar sendo a menina simpática que sempre foi, que distribui cool links diariamente, bate-papo com seus seguidores, comenta fofocas do dia a dia de forma espirituosa e escreve em seu blog sobre variedades.
Diferente de seus detratores, dos quais não perderei tempo falando hoje porque já tratei deles aqui e aqui, e que se levam a sério demais, ela não se considera uma grande escritora injustiçada e confinada num blog, um cientista de Wikipedia ainda não valorizado pelo Nobel (se bem de que depois do Obama, o Nobel virou Troféu Imprensa) ou ainda uma ilustre formadora de opinião só porque é convidada para lançamentos de produtos e ganha brindes em troca de falar bem deles depois.
A Twittess só agiu até aqui com um único objetivo claro: tornar-se uma figura do universo "pop". E o que mais pode torná-la pop (seja lá que diabos isso valha) do que aparecer no Big Brother Brasil e depois arrumar uns contratos por aí?
O que a turma do gueto da bostosfera (como carinhosamente chamo os azedinhos da tal "blogosfera") não entende é que o conceito de relevância deles não se aplica à Twittess, antes de mais nada porque a relevância dela fora dessa panela de blogs e Twitters da "tchurma" do "PQP Camp" soterraria facilmente qualquer um deles.
Uma coisa é você ser um escritor de ensaios famosíssimo na sua área e no ambiente acadêmico. Outra coisa é aparecer na TV, ganhar muito dinheiro com isso e ser "famoso".
Notem, não entro no mérito de um ou de outro, mas todos que culpam a Twittess pela fama que ela possui e pela forma como foi construída, esquecem-se de que é essa fama justamente que ela persegue e, dessa forma, ela sim, chegou lá.
Como muito bem disse o @Gravz em seu artigo ontem, todos os que "detestam" a Twittess somente pelo fato dela ser ela (e não ver problema algum nisso, assim como eu não vejo) e tentaram denegri-la, destruí-la e ridicularizá-la apenas por este motivo, devem ter em mente uma coisa bem simples: ela venceu, vocês perderam.
E perderam feio.
Não falo da entrevista que a Tessália, mais conhecida como @Twittess, viria a dar para a publicação logo adiante, mas para a iminência de um convite para um ensaio ocorrer assim que ela saia da casa do BBB, seja como eliminada em alguma edição ou como vencedora.
Sim, para você que está numa situação semelhante à de Chuck Noland no universo do Twitter e dos assuntos mais "hot" da internet, a curitibana Tessália Serighelli foi uma das selecionadas para participar do reality show-trash da TV Globo em sua décima edição.
Sim, trash. Não vou dizer agora que aprecio a qualidade do programa só porque uma pessoa da qual eu gosto vai participar.
Torço para que ela até vença o grande prêmio e se lembre do pobre blogueiro aqui (eca, usar essa expressão, mas tudo bem) que tanto a defendeu (ironia on, please), mas não nego que acho BBB um lixo semelhante à "Fazenda" da Record e todos esses reality shows que transformam uzerumano e suas mazelas em exibição de zoológico.
Só que chegar a ser uma "big brother" (ou seria sister?) é sim, um grande passo para Tessália, não porque ela seja cultural e intelectualmente insipiente, coisa que ela não é absolutamente, mas porque essa exposição era um de seus objetivos.
A partir de uma conta no Twitter ela apareceu em grandes veículos de comunicação, fez ensaios para revistas, foi indicada para um prêmio na MTV e agora foi chamada para um programa em TV aberta de grande audiência no horário nobre.
Digo que é um grande passo para ela porque a Twittess não tem como objetivo reescrever um tratado de física nuclear, não quer se candidatar a presidente (se bem de que seria melhor ela "lá" do que a bonitona da Dilma, não?), não pretende outra coisa senão continuar sendo a menina simpática que sempre foi, que distribui cool links diariamente, bate-papo com seus seguidores, comenta fofocas do dia a dia de forma espirituosa e escreve em seu blog sobre variedades.
Diferente de seus detratores, dos quais não perderei tempo falando hoje porque já tratei deles aqui e aqui, e que se levam a sério demais, ela não se considera uma grande escritora injustiçada e confinada num blog, um cientista de Wikipedia ainda não valorizado pelo Nobel (se bem de que depois do Obama, o Nobel virou Troféu Imprensa) ou ainda uma ilustre formadora de opinião só porque é convidada para lançamentos de produtos e ganha brindes em troca de falar bem deles depois.
A Twittess só agiu até aqui com um único objetivo claro: tornar-se uma figura do universo "pop". E o que mais pode torná-la pop (seja lá que diabos isso valha) do que aparecer no Big Brother Brasil e depois arrumar uns contratos por aí?
O que a turma do gueto da bostosfera (como carinhosamente chamo os azedinhos da tal "blogosfera") não entende é que o conceito de relevância deles não se aplica à Twittess, antes de mais nada porque a relevância dela fora dessa panela de blogs e Twitters da "tchurma" do "PQP Camp" soterraria facilmente qualquer um deles.
Uma coisa é você ser um escritor de ensaios famosíssimo na sua área e no ambiente acadêmico. Outra coisa é aparecer na TV, ganhar muito dinheiro com isso e ser "famoso".
Notem, não entro no mérito de um ou de outro, mas todos que culpam a Twittess pela fama que ela possui e pela forma como foi construída, esquecem-se de que é essa fama justamente que ela persegue e, dessa forma, ela sim, chegou lá.
Como muito bem disse o @Gravz em seu artigo ontem, todos os que "detestam" a Twittess somente pelo fato dela ser ela (e não ver problema algum nisso, assim como eu não vejo) e tentaram denegri-la, destruí-la e ridicularizá-la apenas por este motivo, devem ter em mente uma coisa bem simples: ela venceu, vocês perderam.
E perderam feio.
Marcadores:
blog,
blogosfera,
Brasil,
cultura,
hipocrisia,
internet,
sociedade,
Twitter
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Agredindo e louvando o Senhor
Hoje li uma tuitada da @giovanaduarte contando que um vizinho seu, membro de uma dessas seitas evangélicas radicalizadas, foi flagrado pelas câmeras de segurança do seu condomínio retirando e destruindo decorações de Natal.
Quando apanhado com a boca na botija, justificou-se dizendo que "sua igreja não permite que se comemore" a data religiosa em questão.
Ato isolado como muitos gostam de dizer? Não. Pode não ser prática da maioria dos membros destas igrejas evangélicas pentecostais, mas é uma prática que se concentra neles. Digamos que nem todo evangélico chute santas, mas todos que chutam santas geralmente são evangélicos.
Primeiro de tudo quero dizer que considero, parafraseando o ex-deputado e jornalista já falecido Márcio Moreira Alves, que tudo que só existe no Brasil e não é jaboticaba, normalmente é besteira.
Sendo assim, aberrações como "Renascer", "Deus é Amor", "Universal", aquela outra do "missionário" R.R. Soares (que até ainda agora eu achava que era J.J.) e mais tantas outras igrejas que crescem em regiões favelizadas das metrópoles ou em grotões do interior são, para mim, só e somente expoentes do nosso subdesenvolvimento e do desamparo que parte da sociedade sente, precisando recorrer a este tipo de charlatanismo para "ter fé".
Não dá pra levar a sério seitas que promovem espetáculos ridículos como este, este e este.
Mas não deixa de ser reveladora e perturbadora esta história que a Giovana, ela mesma protestante e batista conforme me disse, contou.
Isso mostra o grau de intolerância que pregam estas igrejas, numa tentativa de "mobilizar" e "eletrizar" seus fiéis, seja com objetivos pecuniários, seja por pura e simples manipulação espiritual.
É comum lermos noticiários contando agressões por parte de evangélicos neo-petencostais contra umbandistas, católicos, espíritas, homosexuais e outros grupos que eles consideram "desviados".
Lembro uma vez na entrada do Sambódromo, em pleno Carnaval, de um grupo de evangélicos tentando "convencer na boa" alguns foliões a "saírem daquele caminho" e insultando com gritos de "endemoniado!" e "satanás!" os que não queriam perder tempo ouvindo aquela cantilena deles.
Esse tipo de gente dá razão aos ateus e pseudo-ateus, quando estes dizem que "religião emburrece" ou que "toda religião acaba causando conflitos". Assim como as antigas posturas da Igreja Católica na idade média, estes evangélicos de hoje pensam que devem impor a Bíblia na base da força.
Aí abordam as pessoas em pontos de ônibus, calçadas, vão bater de porta em porta, não respeitam sua opinião e sua crença, ofendem as demais religiões, consideram-se portadores de uma "verdade única e incontestável".
Chega ser impossível estabelecer qualquer grau de conversa com alguns deles, porque parece que você é alguém que "deve ser convertido" até que prove o contrário e vá para o inferno.
Não cedo ao politicamente correto, mas também não quero generalizar. Existem igrejas protestantes tradicionais como a Batista e a Presbiteriana que tem um grau de tolerância mil vezes maior do que essas igrejinhas de laje, ainda que também falem muito mal de católicos em certas ocasiões.
O ponto disso tudo é que, seja qual for a religião (até mesmo aquela fábrica de psicopatas, assassinos e terroristas que é o Islã), todas pregam a paz, o respeito ao próximo e a harmonização da vida de quem a pratica.
É uma contradição imperdoável, quase um "pecado mortal" para utilizar linguagem religiosa, que você pregue isso no templo, traga isso consigo nas suas leituras e preces e falhe justamente na hora que mais importa, que é a hora de pôr em prática aqueles ensinamentos.
Boas palavras só valem se acompanhadas de atos concretos, creia você em Deus ou não.
Quando apanhado com a boca na botija, justificou-se dizendo que "sua igreja não permite que se comemore" a data religiosa em questão.
Ato isolado como muitos gostam de dizer? Não. Pode não ser prática da maioria dos membros destas igrejas evangélicas pentecostais, mas é uma prática que se concentra neles. Digamos que nem todo evangélico chute santas, mas todos que chutam santas geralmente são evangélicos.
Primeiro de tudo quero dizer que considero, parafraseando o ex-deputado e jornalista já falecido Márcio Moreira Alves, que tudo que só existe no Brasil e não é jaboticaba, normalmente é besteira.
Sendo assim, aberrações como "Renascer", "Deus é Amor", "Universal", aquela outra do "missionário" R.R. Soares (que até ainda agora eu achava que era J.J.) e mais tantas outras igrejas que crescem em regiões favelizadas das metrópoles ou em grotões do interior são, para mim, só e somente expoentes do nosso subdesenvolvimento e do desamparo que parte da sociedade sente, precisando recorrer a este tipo de charlatanismo para "ter fé".
Não dá pra levar a sério seitas que promovem espetáculos ridículos como este, este e este.
Mas não deixa de ser reveladora e perturbadora esta história que a Giovana, ela mesma protestante e batista conforme me disse, contou.
Isso mostra o grau de intolerância que pregam estas igrejas, numa tentativa de "mobilizar" e "eletrizar" seus fiéis, seja com objetivos pecuniários, seja por pura e simples manipulação espiritual.
É comum lermos noticiários contando agressões por parte de evangélicos neo-petencostais contra umbandistas, católicos, espíritas, homosexuais e outros grupos que eles consideram "desviados".
Lembro uma vez na entrada do Sambódromo, em pleno Carnaval, de um grupo de evangélicos tentando "convencer na boa" alguns foliões a "saírem daquele caminho" e insultando com gritos de "endemoniado!" e "satanás!" os que não queriam perder tempo ouvindo aquela cantilena deles.
Esse tipo de gente dá razão aos ateus e pseudo-ateus, quando estes dizem que "religião emburrece" ou que "toda religião acaba causando conflitos". Assim como as antigas posturas da Igreja Católica na idade média, estes evangélicos de hoje pensam que devem impor a Bíblia na base da força.
Aí abordam as pessoas em pontos de ônibus, calçadas, vão bater de porta em porta, não respeitam sua opinião e sua crença, ofendem as demais religiões, consideram-se portadores de uma "verdade única e incontestável".
Chega ser impossível estabelecer qualquer grau de conversa com alguns deles, porque parece que você é alguém que "deve ser convertido" até que prove o contrário e vá para o inferno.
Não cedo ao politicamente correto, mas também não quero generalizar. Existem igrejas protestantes tradicionais como a Batista e a Presbiteriana que tem um grau de tolerância mil vezes maior do que essas igrejinhas de laje, ainda que também falem muito mal de católicos em certas ocasiões.
O ponto disso tudo é que, seja qual for a religião (até mesmo aquela fábrica de psicopatas, assassinos e terroristas que é o Islã), todas pregam a paz, o respeito ao próximo e a harmonização da vida de quem a pratica.
É uma contradição imperdoável, quase um "pecado mortal" para utilizar linguagem religiosa, que você pregue isso no templo, traga isso consigo nas suas leituras e preces e falhe justamente na hora que mais importa, que é a hora de pôr em prática aqueles ensinamentos.
Boas palavras só valem se acompanhadas de atos concretos, creia você em Deus ou não.
Marcadores:
Brasil,
brasileiros,
comportamento,
cultura,
hipocrisia,
Religião,
sociedade
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Tiana, a princesa negra
Confesso que quando li a notícia que dizia que os estúdios Walt Disney lançavam um filme com a primeira "princesa negra" em desenhos animados eu torci o nariz.
Já achei que era mais uma etapa do marco-zero afro-americano tão bem representado por Obama. Sabe como é, "o primeiro presidente negro", "o primeiro negro a sentar-se no Salão Oval", "o primeiro negro a prestar juramento como comandante-em-chefe", "o primeiro negro a fazer uma viagem internacional como presidente dos EUA", "o primeiro negro a ter seu café servido por um mordomo negro na Casa Branca", "o primeiro negro a fazer um discurso no Congresso como presidente", poderia continuar sem parar aqui, mas vamos em frente.
Pelo exposto acima, achei que este desenho era mais uma etapa do "fortalecimento" e "reparação" do orgulho de uma "raça", num mundo aonde dizem às crianças brancas e orientais, por exemplo, que "não existem raças", levando adianta esta dicotomia de valores esquizofrênica politicamente-correta-coitadista-ongueira.
É aquela velha, eterna e infinita discussão sobre uma camiseta "100% Negro" ser considerada menos afrontosa pela turma dos "movimentos sociais" do que uma escrita "100% branco".
Mas a minha antipatia pela idéia do tal desenho durou, no máximo, uns 20 minutos. Sério.
Primeiro porque a Princesa Tiana é uma graça, depois porque ela traz muito mais do que simples "reparação" para os histriônicos racialistas, ela traz inclusão para as crianças, inclusão real.
Será na tenra idade que combateremos os histéricos que defendem esse perverso sistema de cotas e onde temos a oportunidade de extirpar esse verdadeiro flagelo da divisão da sociedade em "brancos x negros", "ricos x pobres", "bons x maus" que os esquerdocanalhas adoram patrocinar sempre que tem oportunidade.
Já explico.
Tenho uma sobrinha que é filha do meu irmão com uma chinesa. Ela é uma criança linda, dessas que chamam a atenção por onde vai e é criada totalmente fora desse conceito de "diferença de raças". Brincamos com ela chamando de "chinesinha" mas ela não tem dúvida alguma de que é uma brasileira com características físicas de alguém que descende de orientais.
Parece simplório, não? Mas não é.
Quando ela vai comprar uma boneca ou ver um filme de "Princesas" e depois quer brincar com as amiguinhas, logicamente ela diz "eu vou ser a Mulan!", assim como uma menina que seja loirinha escolherá a princesa de cabelos dourados e assim por diante.
E uma criança negra? Ela não tinha quem escolher para se identificar. Agora tem. Agora ela pode ir numa loja e comprar uma miniatura de uma princesa da Disney que se parece exatamente como ela. Agora ela pode ir no cinema e dizer pras amiguinhas "Olha lá! Eu quero ser igual a Tiana!".
Dessa forma, já na infância, você garante que essa criança cresça sem complexos, tornando-se um adulto menos neurótico do que estes de hoje em dia, essa gente que exige "reparações" autoritárias que só aumentam ainda mais a fenda entre os seres humanos.
E tudo que contribuir para isso é muito bem vindo.
Já achei que era mais uma etapa do marco-zero afro-americano tão bem representado por Obama. Sabe como é, "o primeiro presidente negro", "o primeiro negro a sentar-se no Salão Oval", "o primeiro negro a prestar juramento como comandante-em-chefe", "o primeiro negro a fazer uma viagem internacional como presidente dos EUA", "o primeiro negro a ter seu café servido por um mordomo negro na Casa Branca", "o primeiro negro a fazer um discurso no Congresso como presidente", poderia continuar sem parar aqui, mas vamos em frente.
Pelo exposto acima, achei que este desenho era mais uma etapa do "fortalecimento" e "reparação" do orgulho de uma "raça", num mundo aonde dizem às crianças brancas e orientais, por exemplo, que "não existem raças", levando adianta esta dicotomia de valores esquizofrênica politicamente-correta-coitadista-ongueira.
É aquela velha, eterna e infinita discussão sobre uma camiseta "100% Negro" ser considerada menos afrontosa pela turma dos "movimentos sociais" do que uma escrita "100% branco".
Mas a minha antipatia pela idéia do tal desenho durou, no máximo, uns 20 minutos. Sério.
Primeiro porque a Princesa Tiana é uma graça, depois porque ela traz muito mais do que simples "reparação" para os histriônicos racialistas, ela traz inclusão para as crianças, inclusão real.
Será na tenra idade que combateremos os histéricos que defendem esse perverso sistema de cotas e onde temos a oportunidade de extirpar esse verdadeiro flagelo da divisão da sociedade em "brancos x negros", "ricos x pobres", "bons x maus" que os esquerdocanalhas adoram patrocinar sempre que tem oportunidade.
Já explico.
Tenho uma sobrinha que é filha do meu irmão com uma chinesa. Ela é uma criança linda, dessas que chamam a atenção por onde vai e é criada totalmente fora desse conceito de "diferença de raças". Brincamos com ela chamando de "chinesinha" mas ela não tem dúvida alguma de que é uma brasileira com características físicas de alguém que descende de orientais.
Parece simplório, não? Mas não é.
Quando ela vai comprar uma boneca ou ver um filme de "Princesas" e depois quer brincar com as amiguinhas, logicamente ela diz "eu vou ser a Mulan!", assim como uma menina que seja loirinha escolherá a princesa de cabelos dourados e assim por diante.
E uma criança negra? Ela não tinha quem escolher para se identificar. Agora tem. Agora ela pode ir numa loja e comprar uma miniatura de uma princesa da Disney que se parece exatamente como ela. Agora ela pode ir no cinema e dizer pras amiguinhas "Olha lá! Eu quero ser igual a Tiana!".
Dessa forma, já na infância, você garante que essa criança cresça sem complexos, tornando-se um adulto menos neurótico do que estes de hoje em dia, essa gente que exige "reparações" autoritárias que só aumentam ainda mais a fenda entre os seres humanos.
E tudo que contribuir para isso é muito bem vindo.
Marcadores:
brasileiros,
comportamento,
Cotas,
cultura,
relacionamentos,
sociedade
Assinar:
Postagens (Atom)
