terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Follow, Unfollow, Follow, Unfollow
Resolvi escrever isto depois que recebi uma mensagem no Twitter (não vou contar o nome do usuário pra não personalizar demais a coisa) dizendo algo como "dei unfollow no @mvsmotta e voltei a seguir, mas tô dando unfollow de novo porque não gosto do que ele escreve".
Achei engraçado porque não foi a primeira vez que li algo desse teor. É mais ou menos assim: o cara te segue, fica puto com algo que você diz ali (sobre política, sacaneando algum time de futebol, qualquer coisa) e aí resolve te dar unfollow. Beleza, direito dele, follow é concessão e não obrigação, mas aí ele meio que sente falta de te ler na timeline e manda o aviso: "parei de te seguir, mas tô seguindo de volta, vê lá hein!".
É quase uma censura prévia. Num primeiro momento eu chego até a pensar "pô, vou me policiar no que digo...", mas esse primeiro momento dura uns 5 segundos, até que chega o segundo momento. E o segundo momento é o que gosto mais, porque ele é o momento do "f*da-se ele, fica se quiser".
Mas aí fica aquela tocação de "corneta" eterna. O cara segue, pára de seguir, segue de novo, aí não gosta de algo que você fala e lá se vai ele outra vez e de novo, de novo, de novo...
É uma atitudezinha tão escrota quanto anunciar que vai dar unfollow em alguém. Parar de seguir é um direito de qualquer um, mas recomenda-se que seja feito silenciosamente, caso contrário soa como uma tia lavadeira querendo polemizar com o outro.
Tem um famoso troll que uma vez me mandou uma mensagem mais ou menos assim "Lulz, man, você só tuita coisas que os outros falam? Unfollow, Abs", aí uma meia hora depois leio ele falando assim pra outro "Anunciar unfollow é coisa de p*u no c*, mano".
Do the talk but doesn't walk the walk, sabe como é?
Comigo não. Eu não anuncio unfollow (se já o fiz, me auto-comisero nesse momento por isso), raramente anuncio block (isso sim, tem gente que merece, mas não como faz o Cardoso, que utiliza o anúncio de block como forma de compensar a ausência de orgasmos) e principalmente: sigo quem me interessa, não sigo quem não quero e faço isso independente da pessoa falar ou não o que eu gosto.
E aconselho sempre o mesmo no meu Twitter: esteja à vontade para me acompanhar, mas saiba que sou anti-esquerdista, anti-petralha, não gosto de movimentos sociais, faço humor ácido beirando o rude várias vezes, não tenho paciência com miguxo, tenho pontos de vista radicais e não mudo uma vírgula para agradar a ninguém que não esteja disposto a me pagar uma boa quantia de dólares americanos por isso. E mesmo assim, existem limites que nem isso me fará cruzar.
Agora, ficar fazendo mimimi pra cima de mim achando que isso será alguma grande ameaça, sinceramente, merece unfollow na hora (e sem anunciar).
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
10 Comportamentos carnavalescos que te transformam num escroto
Tem quem goste, assim como eu já gostei bastante. Mas também existe muita gente que detesta isso tudo. O batuque, os engarrafamentos, os blocos, a famigerada axé music, mas acredite: tem jeito de piorar.
Certos comportamentos e atitudes durante o Carnaval conseguem transformar o que já é ruim em algo abominável, por isso resolvi listar aqui os 10 comportamentos mais escrotos que eu observo no período. Vamos lá:
O "Bloco das Piranhas" - Quem nunca se vestiu ou pelo menos não conhece alguém que já usou roupa de mulher? Pode ser até uma brincadeira legal aquela coisa de colocar o sutiã da prima, a canga da namorada, passar o batom da avó e sair na rua com os amigos, mas precisa incorporar a puta chata só por causa disso?
Ficar implicando com desconhecidos, fingindo que vai pegar nos "documentos" dos caras e sendo excessivamente escrachado é escroto.
O que dizer então desses sujeitos que vão para um bloco que sai à tarde, mas de manhã já estão com um biquini enfiado na bunda e depois que o bloco termina, e já é lá pelas 2:00 ou 3:00 da manhã, ainda estão com roupa de menina por aí? No mínimo estão realizando um desejo muito escondido e adoooooram o Carnaval, já que podem "botar tudo pra fora".
As cantadas grosseiras - Sabe aquele cara que é excelente vizinho, bom colega de trabalho, pagador de impostos, mas no Carnaval veste a pele de Mr Hyde-Pedreiro? Não pode passar uma menina que é um tal de "te chupo", "enfio isso", "meto aquilo"? Sei que tem gente que faz isso o ano inteiro, parabéns, são escrotos perenes, mas se você faz isso só porque "é Carnaval", fique sabendo: você é um escroto carnavalesco.
A roupinha indecente - Um elemento primordial para o sujeito da cantada grosseira é a "dadivosa". Sabemos que faz calor na festa de Momo, que roupas confortáveis ajudam na "folia", mas um pouco de noção também ajuda nesse quesito.
A menina vai pra um bloco/trio elétrico, onde certamente haverão bêbados e homens com mais testosterona do que uns 100 touros juntos, e faz o que? Coloca uma sainha ou shortinho branco, minúsculo, todo enfiado e com uma calcinha fio dental daquelas de levantar defunto. Adiciona a isso um sutiã que só cobre os mamilos e vai pra rua feliz da vida, achando que será "respeitada" só porque quer.
Nada justifica um comportamento silvícola com as moças, afinal, a era do tacape e da pedra lascada já passou, mas também é muita falta de noção sair na rua quase nua, ficar pulando e agarrando todo mundo em volta e aí quando toma um "abraço de urso" vir com aquela conversinha mole "Que isso!?Que sem noção! Eu só tô aqui curtindo, dançando, nada a ver, não misture as coisas!".
Coleguinha, essa atitude é escrota.
"Que isso?! É Carnaval!" - Essa famigerada frase é usada neste período para justificar todo tipo de atitude abominável e inconveniente que pudermos imaginar. O cara passa a mão na mulher do outro e quando se vê prestes a levar um soco, dispara "Que isso?! É Carnaval!".
Está com pressa pra comprar mais uma cerveja e quer furar a fila? "Que isso?! É Carnaval!"
4:00 horas da manhã, fazendo barulho no prédio, falando alto, batucando e enchendo o saco de quem quer dormir? "Que isso?! É Carnaval!"
Pense no que quiser e a justificativa cretina estará lá: "Que isso?! É Carnaval!"
Subir no carro dos outros - Gostou de ver a Luma, a Paola ou a Luana no carro alegórico da sua escola de samba? Parabéns! Mas o capô do carro alheio não é alegoria e é muito escroto se aproveitar de um engarrafamento para subir no carro dos outros, ficar sacudindo, balançando, enfim, colocando o favelado que existe dentro de você pra fora.
Fechar o trânsito - Falei da atitude escrota de subir no carro dos outros e lembrei sua irmã gêmea e às vezes mãe: ficar no meio da rua fechando o trânsito.
A polícia já garantiu o trajeto do maldito bloco, já fechou ruas, colocou o trânsito em meia pista em outras, ou seja, todos os moradores da região já tiveram seu direito de ir e vir devidamente tolhido em nome da "folia", mas existem os escrotos que acham isso pouco.
Aí fecham a outra metade da pista que estava aberta, ficando na frente dos carros, esperam o sinal abrir para postarem-se na faixa de pedestres e atrasarem o trânsito e assim contribuem para com que aqueles que já não gostam de Carnaval passem a odiá-lo, mas claro, eles acham que podem fazer isso, afinal, "É carnaval!".
Forçar animação - Como quase toda atitude escrota carnavalesca é parente de alguma outra, claro que tem os animados de aluguel. O cara tá ali com cara de c*, a guria já cansada e com o pé doendo, mas basta ouvirem uma marchinha ou perceberem uma câmera que saltam do entediado-mode para o folião-mode em 2 segundos. Pulam, riem e cantam pela milésima vez a "Cabeleira do Zezé".
E aqueles que tentam forçar o folião-mode nos outros? Você avisa ao amigo "tô na minha, vou num cineminha e depois jantar" e o folião dispara "Que isso??????Porra!!!!!É carnaval, sai dessa!" e praticamente te arrasta para algum lugar do qual você vai querer fugir em 15 minutos.
E pior são os desconhecidos querendo abraçar, te fazer pular e praticamente te obrigar a cantar a "Cabeleira do Zezé".
Mijar na rua - Nem preciso desenvolver muito, né? Tem quem faça isso a 2 metros de um banheiro químico.
"Peguei 50" - Você foi pra academia, tomou sua bomba, ficou sarado pra "tirar a camisa no bloco e pegar geral"? Fez "Glúteos-Abdomen-Pernas" desde Outubro pra chegar no Carnaval e os "carinhas todos chegarem em cima no trio da Ivete"? Parabéns, mas entre "beijar" 50 bocas e efetivamente ter pego 50 pessoas existe uma grande diferença.
Primeiro, pra mim você trocou baba com 50, porque pegar pressupõe mais do que um beijo corrido no meio da rua entre milhares de pessoas se acotovelando.
Depois, qual o proveito disso? Sem contar que se você "pegou" 50 naquele esquema carnavalesco de "acende, puxa, prende, passa" que nem cachimbo da paz, é porque 50 te "pegaram" também.
Piadinha da Mangueira entrando - "E aí? Vai ver a Mangueira entrando hoje?". Auto-explicativa, né? Piada velha e gasta.
Conhece mais alguma? Compartilhe comigo!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Porque detesto "famosos"
Até criei a série "Notícias que merecem o selo f*da-se de qualidade" aqui no blog, série que posto quase diariamente e que invariavelmente traz manchetes bizarras sobre banalidades do dia a dia, transformadas em assunto só porque foram protagonizadas por algum "famoso".
É um tal de "Fulana toma sorvete na praia", "Cicrano mergulha no mar com seus filhos", "Beltrano foi fazer compras no shopping", que não me contenho sempre que leio isso e penso "porra, mas e o f*da-se?".
Sei que muitas vezes essas pessoas prefeririam não ter paparazzis na sua cola o dia inteiro, mas sei também que esses são minoria e geralmente tem algum talento sobressalente para acrescentar à ocupação de "famoso" ou "VIP ou ainda "filho/marido/namorada/amante de alguém".
Não creio, por exemplo, que o Mel Gibson deseje ser ridicularizado e tachado de retrógrado, troglodita, entre outras coisas pelos repórteres-fotoqueiros que o seguem pela rua, muito pelo fato de ser um católico apostólico romano declarado que não fica por aí pedindo "desculpas" por tudo o que a sua religião pode ter "feito de errado" sabe há quantos séculos atrás, mas também porque ele é um ator talentoso e o que faz, vira notícia querendo ou não.
Sabe como é, se ele fosse adepto da Cabala ou do Budismo, religiões mais "in" entre a mídia-fofoqueira, ele talvez recebesse um tratamento menos asqueroso por parte dela, mas isso é um outro assunto.
Voltando ao porque de detestar "famosos", o que claro muitos imbecis definem como "inveja", a explicação para isso vem justamente do fato dessas manchetes na internet, em jornalecos de formato tablóide ou mesmo na televisão nos impedirem de ignorá-los.
Queira ou não, olhe pro lado, troque o canal, aperte correndo o ctrl+alt+del, uma hora você se vê obrigado a saber que a Susana Vieira saiu de casa sem sutiã, que a Carolina Dieckmann deu beijos em seu novo namorado numa sessão de cinema, que a Ivete Sangalo lançou mais alguma "moda quentíssima" pro carnaval de Salvador, que a Gracyanne Barbosa comeu cereais no café da manhã, que algum ex-BBB torrou-se a tarde inteira numa clínica de bronzeamento artificial.
O que desejo explicar é que por mais que a gente tente ignorar, alguma hora uma dessas informações "úteis" nos pegam desprevenidos e são implantadas em nossa mente como um verdadeiro estupro noticioso.
Volto a dizer: não entro aqui no mérito do talento ou da qualidade, ainda que considere que metade desse pessoal de colunas de fofocas não possuem algum(a), mas no ridículo que são essas coberturas, ainda que mais ridículo ainda seja quem consome isso seriamente.
E falei tudo isso porque hoje estava lendo uma edição virtual de um grande jornal do Rio e me deparei com essa manchete: "Madonna não permitirá paparazzi no hotel em que vai se hospedar", que encabeçava uma matéria que dizia que "Os síndicos dos prédios em volta ao Hotel Fasano já foram avisados para que não permitam, em hipótese alguma, paparazzi entrar nos edifícios para tirar fotos de Madonna na piscina do hotel".
Quer dizer, uma porrastar (licença da expressão, por favor, porque popstar ela foi já faz tempo, hoje é apenas mais uma coroa desgovernada) quer mandar no que condomínios particulares fazem em suas dependências em nome de uma privacidade que ela mesma não faz a menor questão de manter, senão não noticiaria idas à praia, à academia, quantas águas de coco bebeu por dia, etc, etc, e nem fecharia o trânsito de quarteirões inteiros, com a patética colaboração da "Prefeitura da Ordem" do Sr. Eduardo Paes, somente para ir jantar com o namorado.
E como nada pode ser tão detestável que não possa piorar, a matéria ainda dizia que "Os assessores da material girl, inclusive, já entraram em contato com a equipe de Beyoncé para definir os detalhes do jantar entre as divas, que deve ser terça à noite".
Madonna e Beyoncé jantando na Zona Sul do Rio de Janeiro? Podem matar o Obama e toda a cúpula européia nesse mesmo dia, que a imprensa não vai querer nem saber.
Relevante mesmo só o que for totalmente inútil.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Eu lembro do IRC
Percorrendo o tal site, encontrei ali uma janelinha que levava ao chat do IRC. Cliquei mais pela curiosidade mórbida de ver a janelinha avisar que não existia mais vida ali, mas não é que a surpresa foi outra?
Pra quem não viveu a época dos sites em HTML cheios de gifs animados, a conexão discada, o modem barulhento, o pulso único após a meia-noite e o pré-inclusão digital, explico como era: segundo a Wikipedia, o IRC (Internet Relay Chat) "é um protocolo de comunicação utilizado na internet basicamente como bate-papo e para troca de arquivos, permitindo a conversa em grupo ou privada".
Ainda segundo dados facilmente coletados por aí, o IRC chegou a ser um dos 10 aplicativos mais populares de toda a internet, contabilizando mais de 150 milhões de downloads.
Históricos-xarope à parte, o programinha funcionava basicamente assim: você baixava o cliente (que poderia ser simples como o mIRC ou turbinado como eram os famosos scripts, que te permitiam enviar desde imagens em ASCII para as janelas de chat tanto públicas quanto privadas e também mensagens pré-programadas, sons, quizzes e os temidos "nukes", que consistiam em derrubar alguém da internet, e até invadir o computador alheio).
Como podem notar, o IRC podia ser tanto uma excelente diversão quanto uma baita dor de cabeça, pois era território livre para tudo quanto é tipo de exu virtual.
Como tudo na internet, no início era coisa de "nerd", pois todo mundo usava mais os chats baseados em páginas HTML como o do UOL, mas com o tempo o IRC foi se popularizando, até se tornar uma espécie de Orkut dos chats.

Usávamos redes estrangeiras como a Undernet ou a Dalnet. Surgiram também a Brasnet e a Brasirc, que concentravam a maioria dos usuários do país.
Alguns canais, que eram identificados utilizando sempre o símbolo "#" na frente dos seus nomes (a forma de "entrar" neles era digitando o comando /join #nomedocanal), como o #Brasil ou o #Rio, chegavam a receber centenas de pessoas toda noite, que passavam a madrugada conversando e paquerando nas janelinhas de PVT (conversa privada).
Quem não se lembra do "Kit IRC" de azaração? "Oi! Tudo bem? De onde tecla?". Ridículo eu sei, mas quem nunca caiu nessa?!
Os chats eram monitorados pelos OPs (operadores) que eram pessoas designadas pelo fundador do canal para kickar (chutar temporariamente) ou banir os usuários que se tornassem inconvenientes e apareciam com uma arroba na frente do @nickname.
Com o tempo é óbvio que tais operadores ficaram mais inconvenientes do que os próprios pentelhos que eles expulsavam, tornando-se pequenos ditadores daqueles mundinhos virtuais. Credito a eles um pouco do fracasso do IRC, pois as pessoas encheram o saco de ter que se submeter às vontades de uns poucos "escolhidos".
Isso e os constantes "lags" (atrasos no envio/recebimento das mensagens) ocasionados pelo aumento gigantesco do número de usuários simultâneos, o que levava as redes inteiras a caírem por vezes, nos famosos "netsplits".
Ataques e superlotação levavam à instabilidade dos servidores e as pessoas foram enchendo o saco disso.
Claro que a internet de banda larga, que popularizou vídeos e streamings de alta velocidade, o MSN que permitia que as pessoas conversassem com mais recursos, o Orkut que levou grande parte do "populacho" que vivia no IRC para lá e o estresse de material que um aplicativo com mais de 10 anos sofre naturalmente contribuiram para que o IRC caísse em desuso, até que a principal rede brasileira, a Brasnet, encerrasse suas atividades.
Tudo passa, tudo tem que passar. Mas dá saudade aquelas madrugadas insones conversando com gente de vários lugares diferentes, as paquerinhas que rendiam encontros memoráveis (tanto no quesito pastelão, quanto no quesito amassos bem dados), os IRContros onde conheci muita gente legal, as trocas de mp3, chegar em casa depois da noitada e entrar ali pra comentar o que rolou com os amigos, enfim, o IRC era muito mais social do que o MSN e muito mais interessante do que o Orkut devido a interatividade que possuía.
Por isso foi legal ver a janelinha do tal site que eu visitei abrir e me jogar dentro de uma antiga sala de chat, agora numa nova rede brasileira de IRC, a Virtualife, e descobrir um monte de canais cheios de gente (não tanto quanto antes, é claro), naquela espécie de resistência ao tempo, naquela volta a um passado muito querido.
Eu lembro do IRC e é muito bom saber que mais um monte de gente lembra também.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A beleza é nosso cartão de visitas (Mas em qual idioma estará escrito?)
De acordo com São Tomás de Aquino, a beleza é "aquilo que provoca um conhecimento gozoso". Simplificando, é aquilo que nos dá prazer em olhar. Denis Diderot disse que belo "é tudo o que contém em si algo capaz de despertar em mim o entendimento da idéia de relação, ou tudo o que desperta esta idéia".
O falecido Papa João Paulo II disse também que a beleza é um "convite a saborear a vida e a sonhar o futuro".
Como podem ver, importantes pensadores preocuparam-se com algo que também é comumente chamado de "fútil". Mas nem sempre foi assim, o belo já foi considerado também uma forma de "ascender ao sagrado".
Começa bem lá atrás, na nossa pré-história, onde o que era "bonito" deveria ser necessariamente indispensável, ou seja, representar boa alimentação e fertilidade. Logo, eles não teriam o menor interesse nessas sílfides de hoje em dia.
Na Grécia antiga, corpos esculturais eram cultuados por estarem de acordo com a filosofia do "corpo são, mente sã". Em Roma, isso representava "força e agilidade". Já os assim chamados "bárbaros", vestiam peles, símbolo da força do caçador, e para não serem confundidos com escravos romanos, usavam cabelos e barbas longas.
Assim como homens com bigode (sei que ainda tem quem goste) faziam muito mais sucesso no século passado do que hoje em dia, Já cultuamos as formas mais rotundas, os cabelos curtíssimos, permanentes, gomalina no cabelo, costeletas, topetes, corpos esqueléticos...
Atualmente, devido a diversidade cultural tão celebrada e à facilidade que existe no tráfego de informações, os padrões de beleza são muitos, mas se pensarmos bem nem tanto assim.
Um homem com tórax largo, braços fortes ou uma mulher com bunda durinha e barriga "chapada" fazem mais sucesso em 99% das ocasiões do que alguém considerado "fora de forma" pelos nossos rígidos padrões atuais. Até já falei disso aqui no blog recentemente, mas hoje o assunto vai mais além.
Começamos desde a infância a ser bombardeados com isso. Perceberam que todo vilão de desenho animado é feio e todo mocinho é bonito? Essa busca começa aí.
Marilyn Monroe disse "é preciso sofrer para ser bonita".
Mas afinal, que é bonito para nós? Parece chover no molhado, mas se você pensar com cuidado, verá que nem tanto.
Conheço caras que preferem ficar com uma mulher fora dos padrões habituais, mas que tenham, por exemplo, pés bonitos. Eu mesmo adoro uma mulher de nariz grande, me chama atenção (vai entender) e de costas largas.
Se você for a uma balada/noitada por aí, vai se dar bem ou mal dependendo do seu estilo e do local que tiver escolhido. Se for um mauricinho e resolver ir numa boate que toca rock, provavelmente as meninas tatuadas e cheias de piercing não terão muito interesse por você, da mesma forma que se elas forem numa boate recheada de loiras oxigenadas com vestidos caros de grife, também não serão muito notadas (a não ser como peça de curiosidade).
Nossas tribos urbanas nos definem mais do que gostaríamos, elas nos aprisionam de certa forma e ditam nossos padrões de beleza. A tal diversidade citada acima, aliada à informação globalizada, não nos livrou do clã, ainda que mais "moderninho".
Eu prefiro mulheres vestidas casualmente, com tatuagens, piercings, etc, mas já namorei patricinhas que fariam inveja a muita estudante de administração da PUC. Digamos que eu prefira transitar entre os valores do que me prender a eles.
Mas o que é belo para um, não é para outro por mais óbvio e lugar comum que seja. Você gosta, eu não. Eu gosto, você não. É bom porque a gente não precisa brigar por ninguém.
Mas e aquelas pessoas que não se enquadram em padrão nenhum (seu ou que você conheça normalmente) e ainda assim te atraem? Sabe aquela coisa do charme? Do "tchan"? Pois é, essa me intriga mais ainda.
Talvez elas sejam um lembrete para nós de que conceitos mudam, mas nós não temos tanto tempo assim para esperar por isso e dessa forma devessemos olhar além deles, e enxergar a beleza que existe invariavelmente em tudo.
Provavelmente esteja aí também a chave para a nossa auto-aceitação e para que não nos preocupemos tanto com o cartão de visitas, já ele não tem muita serventia caso a visita em si seja um desastre.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Tessália: sexo oral/boquete no BBB ou como chocar um país de monges
Tenho procurado (sem sucesso algumas vezes, confesso) me manter distante desses bate-bocas no Twitter, porque sei que ali existe uma cloaca cheia de pessoas que já detestavam a Tessália antes dela sequer dar entrevista ao Jornal da Globo, quanto mais depois de participar do BBB.

Somos assaltados diariamente com cenas de sexo em novelas, com danças que apelam para o erotismo em programas de auditório, com funks que cantam letras pornográficas, axés-music que reduzem mulheres a bonecas infláveis de 1 centavo, tudo em TVs abertas, jornais e rádios, mas no entanto o que leio é uma verdadeira cantilena contra a "pouca vergonha" que foi alguém supostamente fazer sexo oral embaixo de um edredon num programa que é transmitido através de um pay-per-view de TV a cabo.
Aliás, quantos dos frades e das freiras horrorizados com isso será que pagaram o pay-per-view do Big Borther Brasil 10 e quantos terão visto em algum streaming pirata na internet ou em vídeos upados no You Tube? E olha que a assinatura do site do BBB custa só 3,90/mês, não é nem perto de 1,5 milhão de reais...
Volto a dizer, não estou aqui defendendo as atitudes da Tessália na casa, apesar de pessoalmente gostar dela. Talvez não agisse igual se tivesse uma filha pequena do lado de fora da casa me esperando e tendo que aguentar as consequências do que eu fizesse, mas amigos, convenhamos, metade dos que falam dela não tem a sua filha ou família como preocupação sequer secundária.
Ou as piadas grosseiras que o Kibeloco está fazendo com a menina, chegando a manipular uma foto para colocar "leite" sobre a sua boca tem como motivação a preservação da filha de 4 anos dela?
Metade dos que a atacam o fazem porque ela com um script e simpatia pisoteou sobre as cabeças da "meritocracia blogueira", que carinhosamente chamo de bostosteira, e a outra metade o faz porque como todo bom brasileiro, adora uma carniça.
Tem um ditado que diz "atrás de quem corre, tem sempre uns 10 valentes".
Essa é a essência do brasileiro: o povo da bunda, do fio dental, do funk probidão, dos gringos fazendo as mulheres de prostitutas, das Brasileirinhas, da boquinha da garrafa, do presidente dos mensalões, do Sarney presidente do Senado, do Maluf com sua legião de fãs, da gente que mostra as carnes nas praias, dos trios elétricos com suas pegações e sua mononucleose, das propinas, do "jeitinho brasileiro", mas todo mundo é sempre muito pudico e "correto".
Todos sempre prontos para um linchamento moral, condenando práticas que se não fazem, também não vão contra no seu dia a dia, mas tudo, claro, em nome da "moral", da "ética" e dos "bons costumes".
Da boquinha da garrafa pra fora.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Junkie food, verão e corpo perfeito
Chega o verão (e esse ano ele chegou com a sutileza de um maçarico) e todo mundo fica mais preocupado com sua forma física, em perder uns quilinhos e estreitar a silhueta, afinal, se você não for problogger e passar o dia inteiro tuitando sobre os drinks que bebe em algum botequim furreca ou sobre quantas séries de TV você já viu naquele dia, você vai querer dar uma passadinha na praia de vez em quando e ajuda muito na experiência se estiver mais em forma.
Muita gente corre para as academias e resolve virar atleta em 1 mês (não esquecer jamais da turma que quer "tirar a camisa no bloco ou no trio da Ivete") e a grande maioria inicia um monte de dietas, das mais convencionais (queijinho branco, suco, cortar refrigerante, fazer as pazes com a alface, etc) às mais bizarras, tipo passar uma semana só comendo pêras no café, almoço e jantar.
Mas tudo isso é somente gancho pra falar de algo em que eu estava pensando outro dia e que tenho certeza todo mundo também já conversou com seus botões sobre o assunto pelo menos alguma vez: porque será que tudo que não presta, que é gostoso e que a gente repete porções generosas mesmo sem fome faz tão mal de acordo com os nutricionistas e com o que nossos contornos corporais demonstram?
Você pode dizer que não, mas uma pizza de champignon é mil vezes mais saborosa do que um punhado de folhas com um "fiozinho de azeite" por cima. E não é muito fácil eleger quem é mais gostoso, se uma taça de sorvete do seu sabor preferido ou uma daquelas barrinhas de proteína que geralmente tem gosto de pilha alcalina.
Não sei ao certo, daí a especulação que faço agora, mas parece que nós sentimos atração por aquilo que demanda sacrifícios para atingir.
Explico: uma mulher ou um cara com barriga de tanquinho, músculos aparentes na medida certa, enfim, com esses corpos que convencionamos a chamar de "corpões" precisam controlar espartanamente suas alimentações, malhar pesado com frequência quase diária, perseverar nessa rotina por um bom tempo (mesmo com atalhos como remédios e bombas, tem que manter o pique) e por isso merecem mais admiração (e tesão) do que alguém que passa o dia deitado no ar-condicionado, comendo Fandangos, se entupindo de cheeseburgers e refrigerante e cultivando uma barriga de hipopótama grávida.
Tudo bem, um corpo durinho é gostoso de apertar e alisar, mas deve ter algum componente que citei acima nessa conta, o do "sacrifício".
Ser "sarado" é difícil, daí os padrões cada vez mais rígidos transformam essas pessoas em semi-deuses e os demais correm atrás do mais perto que puderem chegar disto.
Sei que boa alimentação e exercícios fazem bem pra saúde, porque nosso corpo sofre com o tempo e sem nos cuidarmos, terminaremos com mais radicais livres no organismo do que a esquerdocanalha latino-americana e mais veias entupidas do que as mangueiras de um Corcel II velho, mas convenhamos, seria muito bom se inventassem um cheesebacon com os valores nutricionais de uma folha de rúcula.
Aliás, de meia folha de rúcula.
