O temporal que caiu sobre o Rio de Janeiro levou bem mais do que lixo pelas correntezas imundas das enchentes que causou, levou muitas vidas também. Centenas de mortos, outras centenas de feridos, milhares de desabrigados, sua grande maioria habitante das muitas encostas da cidade.
O mesmo relevo exótico que presenteou o Rio com uma beleza natural que encanta qualquer um, também cobrou seu preço com a falta de espaços urbanos e com a utilização deste relevo para um processo de favelização que terminou por roubar em muito esta mesma beleza.
Já falei disso aqui antes. Favelas são não apenas bolsões de miséria, sujeira, áreas sujeitas ao avanço do crime a reboque da ausência do estado. Favelas são horrorosas esteticamente. Substituem-se árvores e vegetação nativa por barracos, vielas, biroscas, lixo.
A tal regra que impede a construção acima da "Cota 100"(acima de 100 metros) é jogada no mesmo lixão que os restos de comida dos barracos, com os ratos passeando por cima.
E sempre que uma remoção, ainda que mínima, é tentada, logo aparecem as ONGs, os defensores da favelização, a justiça garantindo liminares, os demagogos de plantão e toda sorte de gente interessada em manter aquela chaga aberta na cidade.
Aí quando ocorre um temporal, tudo desaba e as pessoas são vitimadas, essa mesma gente corre para perguntar porque o poder público nada faz, como é que aquela situação foi permitida. Há mais de 50 anos, após outro temporal que também destruiu a cidade, alguns urbanistas elencaram diversas soluções para que o Rio de Janeiro amenizasse seus sofrimentos com as chuvas.
Entre limpeza e canalização de rios, ampliação do sistema de captação das águas e outras sugestões, estava a remoção total das favelas e o reflorestamento das encostas. No entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas existia um desses amontoados de barracos. Esta foto mostra como era a área antes da remoção.
Imagine como seria um dos cartões postais da cidade hoje se aquela favela ainda estivesse ali. Infelizmente esse tipo de ação parou. A demagogia e a busca do voto fácil não só fizeram com que sucessivos governos deixassem de combater essas invasões como passassem a estimulá-las.
Invadem uma área, constróem barracos, destróem a natureza, alguns fazem gato de luz, de net, de água e no final são premiados com a posse do terreno e com algum PAC, que vai urbanizar (leia-se maquiar) todo aquele caos incorrigível e ainda ganham internet Wi-Fi grátis de brinde.
A solução verdadeira, que é a remoção total e reassentamento em outras áreas da cidade, é satanizada de todo lado. "Vão morar aonde?", "Vai botar essa gente toda em que lugar?".
Ora, amigos. Com certeza não será em Ipanema, no Leblon e nem em Copacabana. Mora nesses lugares quem pode. Eu mesmo não moro em nenhum desses bairros assim como muita gente que não quer arcar com os custos da habitação ali também não.
Mas nem por isso levantei um barraco à beira-mar, na esperança de darem posse depois.
E assim tem que ser com quem mora nas favelas. Vão morar aonde podem, aonde há espaço. O poder público, se fosse sério, colocaria transporte público de qualidade nesses locais de reassentamento e a mobilidade estaria garantida, assim como a qualidade de vida de toda a cidade.
Não são soluções fáceis, é claro. Mas são bem menos custosas do que as vidas que se perdem de vez em quando nesses desabamentos, vidas perdidas para se defender posições coitadistas, para perpetuar essa política e essa visão "faveleira" de urbanismo.
Vidas trocadas por votos.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O problema das franquias
Sempre que uma fórmula de negócios dá certo, fatalmente surgem as franquias. Além de ser uma boa forma de capitalização, é um jeito de ampliar o alcance da marca sem precisar tantos investimentos por parte do franqueador.
Mas não é para falar sobre os prós e contras de se tornar franqueado ou franqueador que toquei nesse assunto, é para observar essa modalidade sob a nossa ótica, a do consumidor.
Outro dia eu entrei numa das muitas franquias da temakeria Koni Store . Aliás, temakerias são uma das três coisas que mais existem aqui no Rio, ao lado de favelas e lojas de frozen yogurt.
Pedi o temaki "salmon skin", que vem com a pele do peixe empanada, e tive uma surpresa desagradável já na primeira mordida. No lugar do salmão e do nori (alga que envolve o temaki) crocante com que estava acostumado, veio um peixe frio e uma alga mais mole do que biscoito de maizena guardado aberto.
Ainda tentei heroicamente encarar aquela refeição, mas terminei jogando aquilo no lixo de tão intagável que era, mais ou menos como faço com aqueles jornais que a Igreja Universal distribui na rua, e arrependido de não ter ido em algum Mc Donald's mesmo.
Vamos combinar aqui que se um cliente entra no seu restaurante, teoricamente um estabelecimento que serve comida de boa qualidade, e sai dali pensando que teria sido melhor comer num fast food, algo muito grave está acontecendo.
Ocorre que uma coisa é cuidar da qualidade em uma pequena temakeria em Ipanema ou de um conjunto restrito de filiais. Outra coisa bem diferente é manter aquele mesmo padrão de sucesso em dezenas de franquias espalhadas por todos os lugares imagináveis.
Seja qual for o ramo, mas principalmente o de alimentação, o sabor precisa acompanhar a fama da marca. Gostem ou não do Mc Donald´s, da Domino's Pizza ou qualquer outra grande cadeia mundial dessas, é um fato que comer um Whooper numa cidadezinha do Wyoming, em Tóquio ou na Barra da Tijuca será uma experiencia igual. O gosto, pro bem ou pro mal, não se altera.
Mas quando um restaurante mais estiloso como o Koni ou uma loja como a Yogoberry, que são voltados a um público um pouco mais exigente começam a se expandir, eles precisam manter a mesma atmosfera de esmero e classe que levou sua marca ao sucesso. Não adianta só o visual da loja acompanhar o padrão, o sabor e o cuidado com a qualidade da comida precisam ser iguais.
É frustrante ver essas lojas aderirem à venda dos famigerados "combos", aquela coisa popularesca de "escolha pelo número e leve mais do que você precisaria comer".
Isso é um dos sintomas de empobrecimento da experiência do cliente. Ao invés de criar sabores, de apresentá-los e oferecê-los, opta-se pela massificação, pela padronização que rouba o brilho.
Sei que o objetivo de qualquer negócio é lucro, é expansão, mas fica a idéia de que franquias são excelentes para vender produtos que já vem prontos da fábrica, para lanchonetes que já tem seu cardápio nivelado pelo mais básico que possa existir (não precisa faculdade de gastronomia para vender hamburgers ), mas nunca para produtos que exijam um cuidado um pouco maior do que jogar um punhado de batatas no óleo fervente e esperar ficar pronto pra jogar sal.
Mas não é para falar sobre os prós e contras de se tornar franqueado ou franqueador que toquei nesse assunto, é para observar essa modalidade sob a nossa ótica, a do consumidor.
Outro dia eu entrei numa das muitas franquias da temakeria Koni Store . Aliás, temakerias são uma das três coisas que mais existem aqui no Rio, ao lado de favelas e lojas de frozen yogurt.
Pedi o temaki "salmon skin", que vem com a pele do peixe empanada, e tive uma surpresa desagradável já na primeira mordida. No lugar do salmão e do nori (alga que envolve o temaki) crocante com que estava acostumado, veio um peixe frio e uma alga mais mole do que biscoito de maizena guardado aberto.
Ainda tentei heroicamente encarar aquela refeição, mas terminei jogando aquilo no lixo de tão intagável que era, mais ou menos como faço com aqueles jornais que a Igreja Universal distribui na rua, e arrependido de não ter ido em algum Mc Donald's mesmo.
Vamos combinar aqui que se um cliente entra no seu restaurante, teoricamente um estabelecimento que serve comida de boa qualidade, e sai dali pensando que teria sido melhor comer num fast food, algo muito grave está acontecendo.
Ocorre que uma coisa é cuidar da qualidade em uma pequena temakeria em Ipanema ou de um conjunto restrito de filiais. Outra coisa bem diferente é manter aquele mesmo padrão de sucesso em dezenas de franquias espalhadas por todos os lugares imagináveis.
Seja qual for o ramo, mas principalmente o de alimentação, o sabor precisa acompanhar a fama da marca. Gostem ou não do Mc Donald´s, da Domino's Pizza ou qualquer outra grande cadeia mundial dessas, é um fato que comer um Whooper numa cidadezinha do Wyoming, em Tóquio ou na Barra da Tijuca será uma experiencia igual. O gosto, pro bem ou pro mal, não se altera.
Mas quando um restaurante mais estiloso como o Koni ou uma loja como a Yogoberry, que são voltados a um público um pouco mais exigente começam a se expandir, eles precisam manter a mesma atmosfera de esmero e classe que levou sua marca ao sucesso. Não adianta só o visual da loja acompanhar o padrão, o sabor e o cuidado com a qualidade da comida precisam ser iguais.
É frustrante ver essas lojas aderirem à venda dos famigerados "combos", aquela coisa popularesca de "escolha pelo número e leve mais do que você precisaria comer".
Isso é um dos sintomas de empobrecimento da experiência do cliente. Ao invés de criar sabores, de apresentá-los e oferecê-los, opta-se pela massificação, pela padronização que rouba o brilho.
Sei que o objetivo de qualquer negócio é lucro, é expansão, mas fica a idéia de que franquias são excelentes para vender produtos que já vem prontos da fábrica, para lanchonetes que já tem seu cardápio nivelado pelo mais básico que possa existir (não precisa faculdade de gastronomia para vender hamburgers ), mas nunca para produtos que exijam um cuidado um pouco maior do que jogar um punhado de batatas no óleo fervente e esperar ficar pronto pra jogar sal.
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Uma notícia interpretada sob outra ótica
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Mais um temporal pára o Rio de Janeiro
Hoje meu blog vai se render à conversa de elevador e falar do tempo. Como não está fazendo aquele calor iraquiano típico do Rio de Janeiro, falemos então da outra estação climática da cidade: a chuva.
Pra começar, no Rio só faz frio mesmo durante uns três dias e 12 horas por ano. No resto do tempo a cidade se divide entre o calor infernal e a chuva torrencial. Sabendo disso, todo carioca sabe que seu guarda-roupa precisa de menos agasalhos e mais galochas.
Quem vier morar no Rio de Janeiro deve ter em mente que de três coisas ele jamais escapará: suar feito um maratonista queniano mesmo que caminhe a passos de tartaruga, molhar seus pés nas águas fétidas de alguma enchente durante um temporal e ouvir a infame piadinha de "ver a Mangueira entrando" quando chega o Carnaval.
Se eu sei disso e certamente o prefeito da cidade (por prefeito entenda-se qualquer indivíduo que já ocupou ou ainda ocupará este cargo nos últimos e nos próximos 20 anos) também sabe.
Como no Rio o calor é tão inevitável quanto guardadores de automóveis e bailes funk, melhor então que o alcaide se preocupe com as chuvas. E não acho que a presença do prefeito na imprensa dizendo platitudes como "não tentem atravessar ruas alagadas" ou "não saiam de casa se o seu carro não for anfíbio" seja uma ação efetiva contra o caos que se instala.
Desde que Getúlio Vargas ouvia discos da Xuxa todo mundo sabe que a Praça da Bandeira alaga quando chove. Desde que a Praça da Bandeira existe ela é a principal via de ligação entre a Zona Norte da cidade e o Centro. Dessa forma, sempre que chove estas duas partes da cidade ficam isoladas uma da outra.
Não é possível que um país que tem a criatividade para produzir tantos mensalões e impostos diferentes não consiga imaginar uma solução viável para a Praça da Bandeira. Garanto que a população não se importaria caso essa solução fosse superfaturada tal qual a Cidade da Música do César Maia, que sozinho mandou na cidade por uns 17 anos e nada fez contra os problemas causados pelas chuvas.
Todo mundo sabe que bueiro entupido vira alagamento. Todo mundo sabe que casa construída em encosta de morro, bah vamos parar com esse "politicamente correto" e dizer favela mesmo, todo mundo sabe que as favelas desabam na cabeça dos próprios favelados quando chove, qualquer indivíduo com mais de 10 anos de idade conhece todos os pontos críticos em dias de chuva da cidade onde mora, e como é que um prefeito sabendo disso tudo, nada faz?
Digamos que a dinheirama que vai ser gasta para promover 15 dias de Jogos Olímpicos e construir estádios e arenas que depois virarão criadouro de mosquito da dengue fosse usada para algo um pouco mais útil como, por exemplo, garantir que os cidadãos não gastem 5 horas para voltar para seus lares caso chova mais de 30 minutos na cidade. Não seria mais inteligente?
Mas quem disse que político brasileiro é inteligente? Eles são é espertos, o que é bem diferente, ainda que pareça igual. São todos medalha de ouro em pilantragem.
Pelo menos uma obra eu já vejo concluída para a tal Olimpíada 2016: basta rezar para chover bastante que o Parque Aquático estará ali, prontinho para as competições de "fuga do engarrafamento", "salve-se quem puder" e "desafio à leptospirose".
Pra começar, no Rio só faz frio mesmo durante uns três dias e 12 horas por ano. No resto do tempo a cidade se divide entre o calor infernal e a chuva torrencial. Sabendo disso, todo carioca sabe que seu guarda-roupa precisa de menos agasalhos e mais galochas.
Quem vier morar no Rio de Janeiro deve ter em mente que de três coisas ele jamais escapará: suar feito um maratonista queniano mesmo que caminhe a passos de tartaruga, molhar seus pés nas águas fétidas de alguma enchente durante um temporal e ouvir a infame piadinha de "ver a Mangueira entrando" quando chega o Carnaval.
Se eu sei disso e certamente o prefeito da cidade (por prefeito entenda-se qualquer indivíduo que já ocupou ou ainda ocupará este cargo nos últimos e nos próximos 20 anos) também sabe.
Como no Rio o calor é tão inevitável quanto guardadores de automóveis e bailes funk, melhor então que o alcaide se preocupe com as chuvas. E não acho que a presença do prefeito na imprensa dizendo platitudes como "não tentem atravessar ruas alagadas" ou "não saiam de casa se o seu carro não for anfíbio" seja uma ação efetiva contra o caos que se instala.
Desde que Getúlio Vargas ouvia discos da Xuxa todo mundo sabe que a Praça da Bandeira alaga quando chove. Desde que a Praça da Bandeira existe ela é a principal via de ligação entre a Zona Norte da cidade e o Centro. Dessa forma, sempre que chove estas duas partes da cidade ficam isoladas uma da outra.
Não é possível que um país que tem a criatividade para produzir tantos mensalões e impostos diferentes não consiga imaginar uma solução viável para a Praça da Bandeira. Garanto que a população não se importaria caso essa solução fosse superfaturada tal qual a Cidade da Música do César Maia, que sozinho mandou na cidade por uns 17 anos e nada fez contra os problemas causados pelas chuvas.
Todo mundo sabe que bueiro entupido vira alagamento. Todo mundo sabe que casa construída em encosta de morro, bah vamos parar com esse "politicamente correto" e dizer favela mesmo, todo mundo sabe que as favelas desabam na cabeça dos próprios favelados quando chove, qualquer indivíduo com mais de 10 anos de idade conhece todos os pontos críticos em dias de chuva da cidade onde mora, e como é que um prefeito sabendo disso tudo, nada faz?
Digamos que a dinheirama que vai ser gasta para promover 15 dias de Jogos Olímpicos e construir estádios e arenas que depois virarão criadouro de mosquito da dengue fosse usada para algo um pouco mais útil como, por exemplo, garantir que os cidadãos não gastem 5 horas para voltar para seus lares caso chova mais de 30 minutos na cidade. Não seria mais inteligente?
Mas quem disse que político brasileiro é inteligente? Eles são é espertos, o que é bem diferente, ainda que pareça igual. São todos medalha de ouro em pilantragem.
Pelo menos uma obra eu já vejo concluída para a tal Olimpíada 2016: basta rezar para chover bastante que o Parque Aquático estará ali, prontinho para as competições de "fuga do engarrafamento", "salve-se quem puder" e "desafio à leptospirose".
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segunda-feira, 5 de abril de 2010
Votar adianta?
Hoje fui pedir a transferência do meu local de votação no TRE-RJ. Morei em Jacarepaguá a vida toda e mudei para o Catete há poucos anos, e sempre tive preguiça de ir lá trocar isso.
Só que a última eleição municipal me ensinou uma amarga lição: distância aliada à um gigantesco engarrafamento pode acabar com seu dia. Sendo assim, resolvi facilitar o cumprimento do meu "dever cívico" e agora votarei na minha esquina. Bem melhor, né?
Mas essa história comezinha não é a razão de prender vocês aqui lendo minhas aventuras eleitorais, é só o tal "gancho" pra falar do assunto que realmente interessa.
Enquanto aguardava na fila do TRE, uma senhora puxou assunto comigo. Ela estava ali pra pagar umas 2 ou 3 multas eleitorais por não ter comparecido ou justificado ausência em pleitos anteriores e me disse uma coisa que, de tão chocado que fiquei, não consegui nem esboçar aquela reação-fake de simpatia: "Eu nunca vou votar, meu filho. Não tenho ânimo para ir lá escolher esses ladrões, prefiro que os outros decidam por mim".
Notem que o grifo é proposital. Ela prefere que alguém que ela nem conhece decida por ela quem vai mexer na política de impostos que afeta o seu bolso, que defina salários que afetarão os seus rendimentos, que decida qual escola vai receber verba ou não, se a violência deve ser combatida prioritariamente e de que forma, se a favelização é problema ou solução, aonde vai o asfalto, se políticos ladrões serão responsabilizados em Comissões de Ética, etc, etc, etc.
Mas aposto que ela (e/ou muitos que pensam igual a ela) não tiveram a menor preguiça de opinar e/ou votar em algum dos paredões do Big Brother Brasil.
Eu sei que a qualidade e o caráter da nossa classe política desestimula o cidadão honesto, que trabalha, que tem mais o que fazer da vida e não quer nenhuma boquinha a se envolver ou se interessar muito sobre esses assuntos.
Mas também sei que a política existe obrigatoriamente em qualquer sociedade e que a classe política estará presente independente de nossa vontade ou não.
Dessa forma, cada vez que uma pessoa comum, séria, limpa, desiste de se informar sobre a política, esse espaço deixado por ela obrigatoriamente será ocupado por algum pilantra, que não terá o menor pudor de utilizá-lo para lesar a totalidade da sociedade.
Saber quem é o deputado em quem você votou, saber o que os candidatos aos mais diversos cargos propõem, guardar promessas, optar por aquele que melhor representará os valores da ética e, principalmente, da democracia, é uma forma de participar e de influir sem precisar necessariamente envolver-se com máquinas partidárias.
A opção do avestruz, que enterra a cabeça num buraco e espera que os outros resolvam tudo por ele, além de idiota é perigosa, porque não se esqueça: se a sua cabeça estiver enterrada num buraco, provavelmente suas nádegas estarão apontando para cima, sujeitas a qualquer coisa que vier.
Só que a última eleição municipal me ensinou uma amarga lição: distância aliada à um gigantesco engarrafamento pode acabar com seu dia. Sendo assim, resolvi facilitar o cumprimento do meu "dever cívico" e agora votarei na minha esquina. Bem melhor, né?
Mas essa história comezinha não é a razão de prender vocês aqui lendo minhas aventuras eleitorais, é só o tal "gancho" pra falar do assunto que realmente interessa.
Enquanto aguardava na fila do TRE, uma senhora puxou assunto comigo. Ela estava ali pra pagar umas 2 ou 3 multas eleitorais por não ter comparecido ou justificado ausência em pleitos anteriores e me disse uma coisa que, de tão chocado que fiquei, não consegui nem esboçar aquela reação-fake de simpatia: "Eu nunca vou votar, meu filho. Não tenho ânimo para ir lá escolher esses ladrões, prefiro que os outros decidam por mim".
Notem que o grifo é proposital. Ela prefere que alguém que ela nem conhece decida por ela quem vai mexer na política de impostos que afeta o seu bolso, que defina salários que afetarão os seus rendimentos, que decida qual escola vai receber verba ou não, se a violência deve ser combatida prioritariamente e de que forma, se a favelização é problema ou solução, aonde vai o asfalto, se políticos ladrões serão responsabilizados em Comissões de Ética, etc, etc, etc.
Mas aposto que ela (e/ou muitos que pensam igual a ela) não tiveram a menor preguiça de opinar e/ou votar em algum dos paredões do Big Brother Brasil.
Eu sei que a qualidade e o caráter da nossa classe política desestimula o cidadão honesto, que trabalha, que tem mais o que fazer da vida e não quer nenhuma boquinha a se envolver ou se interessar muito sobre esses assuntos.
Mas também sei que a política existe obrigatoriamente em qualquer sociedade e que a classe política estará presente independente de nossa vontade ou não.
Dessa forma, cada vez que uma pessoa comum, séria, limpa, desiste de se informar sobre a política, esse espaço deixado por ela obrigatoriamente será ocupado por algum pilantra, que não terá o menor pudor de utilizá-lo para lesar a totalidade da sociedade.
Saber quem é o deputado em quem você votou, saber o que os candidatos aos mais diversos cargos propõem, guardar promessas, optar por aquele que melhor representará os valores da ética e, principalmente, da democracia, é uma forma de participar e de influir sem precisar necessariamente envolver-se com máquinas partidárias.
A opção do avestruz, que enterra a cabeça num buraco e espera que os outros resolvam tudo por ele, além de idiota é perigosa, porque não se esqueça: se a sua cabeça estiver enterrada num buraco, provavelmente suas nádegas estarão apontando para cima, sujeitas a qualquer coisa que vier.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010
Deputada Cidinha Campos e os canalhas da ALERJ
Infelizmente é do mesmo partido do Carlos Lupi, mas esse pronunciamento da deputada Cidinha Campos (PDT-RJ), denunciando e indignando-se contra a quadrilha que compõe a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a Casa da Vergonha, nos faz desejar mais pessoas assim na política nacional.
Talvez não mudasse muita coisa, mas pelo menos os gatos gordos que vivem de roubar o dinheiro dos impostos não andariam na rua com tanta desenvoltura, certos da sua cínica impunidade.
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O Terceiro Momento
Em seu discurso de despedida do governo, a agora ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, referiu-se ao presidente da república como "senhor" nada menos do que 28 vezes.
Nada demais, já que ele é seu "chefe", mas um pouco subserviente além da conta se formos pensar que trata-se da Criatura Eleitoral ungida por Lula para sucedê-lo na Presidência da República.
Ainda mais dentro do círculo íntimo de um governante que não é dado a protocolos como é o caso do cacique-mor do PT.
Mas este fato, que poderia passar desapercebido na montanha de descalabros que marca este final de governo petista, sinaliza para algo que pode muito bem ser verdade, que é o fato de um eventual governo Dilma ser apenas um período "entre-Lulas".
Nossas instituições, por mais maculadas, inertes e ineficientes que sejam, ainda tem força suficiente para evitar manobras chavistas, evitando assim a tentação de um terceiro mandato e, porque não, de um quarto, quinto, etc.
Mas vejam bem que eu disse ainda. Não sabemos até quando o Brasil ainda possuirá instituições que possam resguardar devidamente o processo democrático.
Mas porque terceiro momento? Porque ele seria o ponto culminante (ou pelo menos o momento de inflexão máxima) de um projeto bem maior que o PT parece estar ponto em prática. O primeiro momento foi a eleição de Lula e sua reeleição. É o "Lula I".
O PT precisou em 2002 divulgar a "Carta ao Povo Brasileiro", em que tranquilizava o eleitorado contra o maior medo deste: que o PT agisse como PT.
Duda Mendonça criou o personagem Lulinha Paz e Amor, que deixava de lado a barba desgrenhada, a fala cuspida e apresentava-se ao país mais como um projeto de estadista do que como um produto sindicalista.
Venceu. E teve como mérito manter as políticas econômicas que funcionavam e, questão de tempo, iriam ajudar o Brasil a crescer. Tanto não houve ousadia, que enquanto o mundo crescia a ritmos acelerados o Brasil patinava devido a uma criticada política de juros altos.
Houve o segundo mandato, conseguido na base do terrorismo privatista e apesar dos escândalos de corrupção que colheram quase toda a cúpula petista que havia chegado ao poder. Desde o publicitário criador do PT manso e vencedor até o seu "general", José Dirceu, todos foram estraçalhados pelas suas próprias atitudes.
Mas o líder ficou. Queimou um a um os seus acólitos e exerceu um segundo mandato com o tripé formado por uma base fisiológica, propaganda massiva e programas de transferência de renda. Atravessou a crise internacional muito bem e emergiu perante o mundo como "o cara".
Ajudou o Brasil a trazer a Copa do Mundo e a Olimpíada, exibindo índices de popularidade mais parecidos com as eleições que Saddam Hussein vencia no Iraque, quando concorria consigo mesmo.
Mas Lula tem um problema e o grande problema de Lula se chama PT. Um partido que foi domado para chegar ao poder, mas que nunca esqueceu o seu "instinto animal". Para um petista, primeiro existe o partido e depois exista a nação.
E se o problema de Lula é o PT, o problema do PT é a democracia, que segundo o próprio Lula "existe até demais" na Venezuela proto-ditatorial de Hugo Chávez.
Com esses índices de popularidade gigantescos e um partido faminto por mais e mais poder, Lula abandonou as incômodas amarras da moderação e voltou a agir como o líder sindical desafiador que não conseguia passar dos 30% de votos nas eleições, curiosamente o mesmo teto em que sua Criatura Eleitoral, Dilma Rousseff, bate com os chifres desde que se lançou.
Passou então a fazer propaganda desavergonhadamente, a fazer de tudo, ético ou não, para conseguir mandar na sucessão do seu "trono".
E caso consiga, virá mais radicalização. O MST já prometeu uma guerra no campo em favor de Dilma, os sindicatos não fazem a menor questão de esconder que farão de tudo para ajudar o PT, a base fisiológica mobilizará currais a seu favor e a partir daí, a ex-terrorista que não tem biografia alguma e nem legado com o qual se preocupar poderá "botar o bloco na rua" e dar a guinada tão desejada rumo ao chavismo.
As bases já estão plantadas com projetos de controle da imprensa, "Comissões da Verdade", poder cada vez maior para ONGs e "movimentos sociais" e tudo isso sustentado pelo oásis-econômico representado pelo petróleo que supostamente jorrará do pré-sal e fornecerá dinheiro para o governo dar Bolsa-Salário para a população inteira.
Este será o segundo momento.
A substituição total do Estado pelo Partido e seus chicaneiros. Conflitos, embates e a velha fórmula de jogar cidadão contra cidadão será aplicada ainda mais e tudo isso preparará o terreno para o terceiro momento que é a volta triunfal do "líder", do "cara" ao poder, com força de um quase-rei. É o "Lula II".
Nesse momento, as instituições é que já estarão domadas, o Partido estará mais forte do que nunca e nada, nada se colocará entre as reeleições sucessivas, o aparelhamento total do governo e o expurgo de tudo o que lhe fizer oposição.
Isso tudo, claro, é apenas uma teoria. Mas conhecendo os líderes petistas, o ideário do partido e a disposição de sua "militância" organizada, não sei se é tão mirabolante assim.
E você que me lê, colocaria sua mão no fogo por eles? Eu não.
Nada demais, já que ele é seu "chefe", mas um pouco subserviente além da conta se formos pensar que trata-se da Criatura Eleitoral ungida por Lula para sucedê-lo na Presidência da República.
Ainda mais dentro do círculo íntimo de um governante que não é dado a protocolos como é o caso do cacique-mor do PT.
Mas este fato, que poderia passar desapercebido na montanha de descalabros que marca este final de governo petista, sinaliza para algo que pode muito bem ser verdade, que é o fato de um eventual governo Dilma ser apenas um período "entre-Lulas".
Nossas instituições, por mais maculadas, inertes e ineficientes que sejam, ainda tem força suficiente para evitar manobras chavistas, evitando assim a tentação de um terceiro mandato e, porque não, de um quarto, quinto, etc.
Mas vejam bem que eu disse ainda. Não sabemos até quando o Brasil ainda possuirá instituições que possam resguardar devidamente o processo democrático.
Mas porque terceiro momento? Porque ele seria o ponto culminante (ou pelo menos o momento de inflexão máxima) de um projeto bem maior que o PT parece estar ponto em prática. O primeiro momento foi a eleição de Lula e sua reeleição. É o "Lula I".
O PT precisou em 2002 divulgar a "Carta ao Povo Brasileiro", em que tranquilizava o eleitorado contra o maior medo deste: que o PT agisse como PT.
Duda Mendonça criou o personagem Lulinha Paz e Amor, que deixava de lado a barba desgrenhada, a fala cuspida e apresentava-se ao país mais como um projeto de estadista do que como um produto sindicalista.
Venceu. E teve como mérito manter as políticas econômicas que funcionavam e, questão de tempo, iriam ajudar o Brasil a crescer. Tanto não houve ousadia, que enquanto o mundo crescia a ritmos acelerados o Brasil patinava devido a uma criticada política de juros altos.
Houve o segundo mandato, conseguido na base do terrorismo privatista e apesar dos escândalos de corrupção que colheram quase toda a cúpula petista que havia chegado ao poder. Desde o publicitário criador do PT manso e vencedor até o seu "general", José Dirceu, todos foram estraçalhados pelas suas próprias atitudes.
Mas o líder ficou. Queimou um a um os seus acólitos e exerceu um segundo mandato com o tripé formado por uma base fisiológica, propaganda massiva e programas de transferência de renda. Atravessou a crise internacional muito bem e emergiu perante o mundo como "o cara".
Ajudou o Brasil a trazer a Copa do Mundo e a Olimpíada, exibindo índices de popularidade mais parecidos com as eleições que Saddam Hussein vencia no Iraque, quando concorria consigo mesmo.
Mas Lula tem um problema e o grande problema de Lula se chama PT. Um partido que foi domado para chegar ao poder, mas que nunca esqueceu o seu "instinto animal". Para um petista, primeiro existe o partido e depois exista a nação.
E se o problema de Lula é o PT, o problema do PT é a democracia, que segundo o próprio Lula "existe até demais" na Venezuela proto-ditatorial de Hugo Chávez.
Com esses índices de popularidade gigantescos e um partido faminto por mais e mais poder, Lula abandonou as incômodas amarras da moderação e voltou a agir como o líder sindical desafiador que não conseguia passar dos 30% de votos nas eleições, curiosamente o mesmo teto em que sua Criatura Eleitoral, Dilma Rousseff, bate com os chifres desde que se lançou.
Passou então a fazer propaganda desavergonhadamente, a fazer de tudo, ético ou não, para conseguir mandar na sucessão do seu "trono".
E caso consiga, virá mais radicalização. O MST já prometeu uma guerra no campo em favor de Dilma, os sindicatos não fazem a menor questão de esconder que farão de tudo para ajudar o PT, a base fisiológica mobilizará currais a seu favor e a partir daí, a ex-terrorista que não tem biografia alguma e nem legado com o qual se preocupar poderá "botar o bloco na rua" e dar a guinada tão desejada rumo ao chavismo.
As bases já estão plantadas com projetos de controle da imprensa, "Comissões da Verdade", poder cada vez maior para ONGs e "movimentos sociais" e tudo isso sustentado pelo oásis-econômico representado pelo petróleo que supostamente jorrará do pré-sal e fornecerá dinheiro para o governo dar Bolsa-Salário para a população inteira.
Este será o segundo momento.
A substituição total do Estado pelo Partido e seus chicaneiros. Conflitos, embates e a velha fórmula de jogar cidadão contra cidadão será aplicada ainda mais e tudo isso preparará o terreno para o terceiro momento que é a volta triunfal do "líder", do "cara" ao poder, com força de um quase-rei. É o "Lula II".
Nesse momento, as instituições é que já estarão domadas, o Partido estará mais forte do que nunca e nada, nada se colocará entre as reeleições sucessivas, o aparelhamento total do governo e o expurgo de tudo o que lhe fizer oposição.
Isso tudo, claro, é apenas uma teoria. Mas conhecendo os líderes petistas, o ideário do partido e a disposição de sua "militância" organizada, não sei se é tão mirabolante assim.
E você que me lê, colocaria sua mão no fogo por eles? Eu não.
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