segunda-feira, 10 de maio de 2010
O anti-tudo
Eu sei que a vida é curta e que a existência de 4 segundas-feiras por mês a torna ainda mais complicada, mas não é por isso que eu tenho que fingir que gosto de coisas pelas quais sinto horror só pra dizer que "sei viver". Acreditem: mesmo não achando graça nas piadas do CQC, não assistindo BBB, não sendo "cervejeiro" e nem indo a micaretas, eu consigo ser feliz em várias ocasiões.
Não sou rico (gostaria muito de ser acintosamente rico, mas não sou) e sempre penso que diversão de pobre é castigo de rico. Churrasco na laje, cerveja de 1 real, funk, pagode...só pode ser tortura, né? Mas tem quem se divirta com isso, fazer o que? Acho o maior barato e quase invejo quem consiga tirar satisfação do que custa tão pouco.
Mas o assunto é sobre eu e mais algumas pessoas serem consideradas "anti-tudo". Os ranzinzas, os estraga-prazeres, os reclamões, os que não sabem viver. Pra manter a fama, permitam-me discordar disso.
Alguém já pensou que uma pessoa considerada anti-tudo pode ser na verdade a favor de um monte de coisas? Eu mesmo não sou anti quase nada e sim a favor. Por exemplo, acham que eu sou anti-PT. É mentira. Eu sou é a favor da transparência e da ética na política, da democracia representativa, da alternância de poder.
Dizem que eu sou anti-funk, anti-favela (o que seria quase a mesma coisa), mas uma outra forma de enxergar isso é me ver como alguém a favor de uma cidade mais bonita, mais organizada e de todos os estilos agradáveis de música, que definitivamente não passam perto do funk.
Claro que também tem o pagode e o axé, mas eu não sou "anti" nenhum dos dois também. Eles podem ser colocados ao lado de sub-celebridades e novelas da Globo. Sou a favor de todos! A favor de que participem da missão da NASA para Marte e fiquem por lá.
O mesmo acontece com lugares cheios, não é que eu odeie multidões, é que prefiro lugares mais vazios. Não detesto o calor escaldante do verão, prefiro o frio. Viram como é só uma questão de ponto de vista?
Pense em mim como alguém que é totalmente favorável a um ambiente refrigerado, com pessoas bonitas e cheirosas, boa conversa e companhias que me façam ser alguém melhor depois de alguma convivência.
Viver e evoluir é abrir portas e aproveitar as portas que nos abrem. Ficar parado no mesmo lugar, gostando das mesmas coisas e acompanhando a maioria é mais confortável, com certeza, mas nem por isso é melhor.
Se eu curtisse jogar uma pelada no final de semana, enchendo a cara de cerveja e depois saindo pra um pagodinho com certeza teria uns 100 amigos a mais. Teria programa pra fazer todo sábado à noite, ouviria rádios FM sem precisar trocar de estação de 10 em 10 minutos e ainda por cima economizaria a grana da mensalidade da TV a Cabo.
Mas não posso trair minha personalidade, afinal de contas, aí eu seria "anti-eu" e isso sim, é imperdoável.
sábado, 8 de maio de 2010
Dilma e a "Operação Cavalo de Tróia"
Assistindo isso, fico impressionado com a vaidade de Lula, que entendeu que mesmo ao arrepio da lei, da ética e da liturgia do cargo de Presidente da República tentará batizar essa mulher como sua sucessora. "Sou popular, renego o passado, brinco de descobridor do Brasil, porque não? Dane-se o país".
Só mesmo o PT na sua inesgotável pusilanimidade para se sujeitar a isso e somente um indivíduo já sem a menor noção da realidade para apresentar uma pessoa tão desqualificada e despreparada para ser candidata a presidência.
Espero estar errado, afinal é apenas uma teoria, porém não acho que seja tão mirabolante assim: só consigo enxergar essa mulher como um Cavalo de Tróia. Sério.
Trata-se de uma pessoa que não tem história política e nem biografia para preservar e que muito bem pode vir a servir como o veículo para a guinada à esquerda radical e ao chavismo mais nefasto.
Reinaldo Azevedo já utilizou esse termo para uma outra teoria sobre Lula, Dilma e o PMDB, mas ele é tão apropriado ao que penso, que não o sacrificarei em nome da originalidade.
Se tudo correr como eles planejam, depois de 4 anos de uma presidência fraca, volta o "Grande Mestre", aí sim, do jeito que ele tanto sonha, como um Fidel Castro do acarajé com farofa.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Procura-se a Coca-Light
Mas o fato é que depois de uma certa idade, nosso metabolismo fica menos rebelde e nos obriga a cortar calorias, caso contrário colecionaremos quilos a mais.
Daí a opção pelos refrigerantes Diet ou Light. Não vou mentir pra você: o gosto não é igual. Parece muito com o açúcar, mas quem disser que é igual não sabe a diferença entre um iPhone e um HiPhone.
Mas já é alguma coisa, então eu que sou fã de Coca-Cola, aderi à Coca Light. Mas um dia apareceu a Coca Zero, com gosto bem mais parecido com açúcar, um rótulo estiloso e a mesma promessa de eliminar o peso na consciência e na balança.
Até que recebi uma dessas correntes de internet, mais ou menos parecida com as que nos avisavam sobre os riscos de cobras e escorpiões em brinquedos do Mc Donald´s, de pessoas abduzidas na fila do Mc Donald´s que acordavam sem um rim ou dos assaltantes que marcam os carros das pessoas no Drive Thru do Mc Donald´s para nos roubar depois.
Como se nota a partir desses alertas repassados de email em email, as propriedades alimentícias da comida do Mc Donald´s são o menor risco que um cliente pode estar sujeito ali.
Mas essa tal corrente curiosamente não falava do Mc Donald´s e sim da Coca Zero. O texto em questão avisava que ao invés do aspartame usado na Coca Light, a Zero utilizava entre seus edulcorantes o ciclamato de sódio, que seria uma substância cancerígena proibida nos EUA, no México e em mais alguns países nos quais a Coca Zero utilizava outro produto adoçante na sua fórmula. Diziam que o ciclamato só era utilizado no lugar do aspartame porque seria bem mais barato.
Até na Venezuela, pasmem, o ciclamato foi proibido, ainda que eu ache que eles deveriam proibir outras coisas igualmente letais por lá, como o Hugo Chávez, por exemplo.
Fui pesquisar mais sobre o assunto e encontrei uma lista de produtos divulgada pelo FDA, órgão de saúde pública dos EUA, chamada "Generally Recognized as Safe (GRAS)", traduzindo seria algo como "reconhecidos como seguros". Nesta lista o ciclamato aparece com a seguinte observação: "Sodium cyclamate - NNS, ILL - Removed from GRAS", quer dizer, ele não é considerado seguro para consumo nos EUA.
Não sou repórter, mas fui atrás do tal "outro lado da história" e encontrei um comunicado da Coca-Cola dizendo que o ciclamato é liberado para consumo em mais de 50 países, inclusive na União Européia, e que só foi proibido nos EUA devido a testes realizados com ratos na década de 1970, onde os roedores receberam quantidades equivalentes a 700 latas de refrigerante por dia e que estudos posteriores provaram que o ciclamato não era uma substância perigosa.
Avisavam ainda que nos EUA já há um pedido para reaprovar o ciclamato e que este está sob revisão da FDA.
Até aqui, mais um boato internético desvendado, não é? Não. A parte que ainda ficou me incomodando foi a que dizia que a opção pelo ciclamato se devia a este ser mais barato.
Pensemos: mais barato, mais lucro. Qual empresa não gosta disso? E qual o problema se alguns clientes vierem a morrer por conta disso depois? Os valores pagos em indenizações sempre serão infinitamente menores do que os lucros.
Só que tudo isso pode não passar de teoria da conspiração levantada por um blogueiro sem assunto numa sexta-feira entediante. Mas um último dado que me deixa ainda mais desconfiado é o sumiço da Coca Light do mercado.
Pra quem já bebeu as duas, é fácil diferenciar seu gosto. Cada uma tinha seus clientes fiéis e ninguém brigava com ninguém tal como sunitas e xiitas. Porque então a Coca-Cola resolveu dar um sumiço na Cola Light?
Seja em shoppings, lanchonetes e até alguns supermercados, ela sumiu. Você encontra a tal Coca Zero ou então no máximo uma tal Coca Light Plus que vem numa lata menor e com preço igual ou até maior.
A boa e velha Coca Light sumiu do mercado por uma "estratégia de marketing" da empresa. Estratégia que obriga a pessoa que quiser continuar consumindo os refrigerantes da companhia, que diga-se de passagem é dona de uma fatia de mercado imensa no Brasil, a optar pela tal Coca Zero que usa um adoçante suspeito e barato.
Não sei o que você pensa disso, mas eu desconfio muito quando uma empresa resolve me oferecer um produto que diz ser tão bom quanto outro mas que tem um custo bem menor para eles. Afinal, por mais respeito que essa empresa possa ter por mim, não sou ingênuo e sei que a parte do meu corpo que ela preza mesmo é o meu bolso.
Os veículos de imprensa e a política
Pra quem não sabe inglês, explico rapidinho: o The Sun traz em sua manchete os dizeres "Em Cameron (líder do Partido Conservador) nós confiamos, é nossa única esperança". Já o Daily Mirror traz em sua primeira página a seguinte convocação: "Primeiro-Ministro? Tem certeza? Não deixe que David Cameron (aqui o termo "con" tem duplo sentido, algo como "enganar" e tornar conservador ou "con" como são chamados os conservadores mundo afora), vote no Partido Trabalhista".
Como vocês podem notar, nenhuma pessoa que possua pelo menos duas sinapses comunicantes terá dúvida alguma sobre qual partido este ou aquele jornal apóiam.
Aqui no Brasil temos esse apoio velado, essa coisa cínica da "isenção" que na verdade não existe. Alguns veículos são claramente opositores ao governo. Outros, fingem uma neutralidade.
Órgãos de imprensa, ou pelo menos muitos destes órgãos de imprensa, necessitam de verbas federais que chegam em forma de anúncios, logo não podem adotar postura independente em relação ao governo. Só que não podem exagerar no apoio, senão, quando e se houver uma troca no poder, a torneira fecha.
Então eles transitam naquele terreno meio doido em que para elogiar um, precisam elogiar o outro e para falar dos defeitos de um, precisam achar algum defeito no outro.
"Serra fez um ótimo discurso na pré-convenção do PSDB". "Dilma conseguiu concluir brilhantemente pelo menos uma das 300 frases que iniciou em seu pronunciamento para os líderes do MST".
"Ato de Centrais Sindicais pró-Dilma recebeu milhões de estatais em patrocínio e Lula discursou pedindo votos para ela". "Prefeito de Camboriú pagou uma coxinha para Serra e ele disse que fumantes são idiotas".
E por aí vai.
Não seria melhor que os jornais fizessem como nos EUA e no Reino Unido e tirassem de uma vez a máscara?
Tenho certeza que a democracia não precisa de simulacros para ser forte, precisa apenas de transparência.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Nos tempos do Fotolog
Costumo brincar dizendo que o Orkut está para o Fotolog assim como o Twitter está para o Orkut. Um atropelando a fama do outro.
A rotina era quase invariável: a pessoa saía na sexta feira para alguma festa, boate, show, velório, baile da terceira idade, seja o que for, e levava sua câmera fotográfica, que na época nem precisava ser digital (scanner era equipamento obrigatório), tirava fotos fazendo pose, corria pra casa e publicava no Fotolog.
Muitas noites de tédio apareciam como baladas incríveis mais tarde no álbum.
Naquela época as câmeras digitais estavam no início de sua popularização, celular com câmera então nem pensar, o mais moderno que existia era um aparelho com tela colorida que não sabíamos pra que servia, já que não tirava fotos, não acessava a internet e se bem me lembro não se comunicava com o computador, logo nem fotos podíamos colocar no display.
Quem tinha uma câmera de 1.3 megapixels era ídolo e lixos como Breeze Cam e uma tal de TecPix (que vendia até no programa do João Kléber) eram levados a sério.
Mas voltando ao Fotolog, sabe como hoje causa estranheza alguém não possuir uma conta ou pelo menos não conhecer o Twitter? Pois é, naquela época era difícil quem não tivesse um Fotolog.
Era uma mistura de álbum do Orkut com microblog, ainda que o termo nem existisse. A pessoa colocava uma foto sua, um texto (podia ser maior do que 140 caracteres) e tinha um espaço para comentários de quem acessasse. Havia ainda um sistema de favoritos, que parecia muito com o sistema de followers do Twitter (havia também aquela coisa do "me favorita que eu te favorito?"), além do que a popularidade era medida pelo número de comentários, ainda que o sistema limitasse esse número.
Era comum a frase "conheço fulano só do Fotolog". E rolava aquela coisa tácita do elogio recíproco, sabe como é? Você podia postar uma foto com duas batatas-fritas enfiadas no nariz, peruca de palhaço e a boca aberta mostrando comida mastigada que sempre apareciam comentários dizendo que você é lindo, a foto é linda e tudo aquilo é um barato. Lógico que você tinha que retribuir elogiando o álbum alheio também.
A eterna busca de carinho virtual para substituir carências reais.
No rastro do Fotolog apareceram vários serviços idênticos como Flogão, Fotoblog e até Sexlog.
Mas por incrível que pareça, a afetação era menor. A inclusão digital também, então por pior que o nível pudesse ficar, não podia ser comparado com o charco que existe hoje.
Agora, 5 anos depois da última vez que coloquei uma foto ali, só quando alguém me lembra é que penso no Fotolog. Geralmente algum amigo daquela época, falando sobre fatos que estranhamente já estão tão distantes.
Visitei o site para escrever esse texto e encontrei tudo parado no tempo. Muita gente ainda atualiza seus perfis, mas a maioria parou mais ou menos na mesma época, entre 2005 e 2006, deixando tudo como estava, sem se preocupar em deletar o perfil. Até meu velho Fotolog (www.fotolog.com/mvrj) está lá, como se eu jamais o tivesse abandonado.
As mesmas festas, os mesmos sorrisos, as observações, os comentários, todo mundo mais novinho, tantas noites boas (ou pensam que só era tédio disfarçado?), tantos amigos que ficaram pelo caminho. A impressão é que alguma estranha invenção parou o tempo e que você está visitanto seu passado ali intocado, real, mas ainda assim intangível.
E o mais incrível é que mesmo sem fazer tanto tempo assim, já parece que passaram séculos.
Será que vai acontecer o mesmo com o Twitter? Será que daqui a alguns anos estaremos visitando nossos velhos hábitos, pensamentos, piadas, amigos e sentindo falta de tudo isso também?
terça-feira, 4 de maio de 2010
Como não pode ser Chávez, Lula quer ser Putin
Durante esta comparação alguns debatedores observaram muito bem que o cenário no Brasil difere da China, noves fora a ditadura comunista que governa o país, primeiro pelo tamanho da população chinesa e de seu mercado consumidor e depois porque as novas gerações daquele país jamais tiveram alguma liberdade, contentando-se com o pouco que está conseguindo, como quem prova uma fruta suculenta pela primeira vez.
A China conseguiu incluir 300 milhões de pessoas no mercado consumidor, tornando-se grande mercado para produtos de luxo, automóveis e bens de consumo dos mais variados. Toda essa gente está inebriada com sua boa situação e só daqui a mais um tempo irá questionar a falta de liberdade e democracia que ainda os acorrenta na primeira metade do século passado sob vários aspectos.
No Brasil existe essa liberdade, o que gera questionamentos variados. Temos uma segurança jurídica bem maior e um mercado interno infinitamente menor, o que não nos permitirá agir sob os mesmos preceitos que levaram a China ao seu crescimento invejável nas últimas décadas.
Até aqui, nada contra. Acho que é uma análise lúcida e coerente. O que senti falta durante toda essa exposição e o tempo escasso para que todos pudessem fazer perguntas à mesa me impediu de questionar, foi a ausência de uma comparação entre o Brasil petista e a Rússia de Vladimir Putin.
Não vou me concentrar nas diferenças e particularidades que obviamente existem entre os dois, mas compartilhar minha dúvida sobre perturbadoras semelhanças entre o Brasil do PT e a Rússia de Putin.
Diferente da China que concentra seu crescimento no setor industrial, Brasil e Rússia concentram-se na produção de matérias primas. O Brasil produz alimentos (ainda que o governo e setores da esquerda demonizem o agro-negócio) e a Rússia, petróleo e gás.
Novamente diferente da China, onde o Partido Único há tempos funciona como uma engrenagem autônoma, maior do que o estado, no Brasil e na Rússia existe um sistema pluripartidário e eleições periódicas. Em ambos, porém, esses partidos são fracos e servem apenas como veículo para a condução de políticos personalistas ao poder.
Vota-se nas pessoas e não nos partidos ou ideologias.
E mais uma vez, com diferenças de origem e de personalidade, os dois países possuem líderes carismáticos que adoram o poder e o exercem no limite do pudor e da legalidade e baseiam-se numa popularidade construída em torno de uma mística pessoal. Lula é o operário que foi muito pobre, sofreu e venceu na vida, chegando ao posto máximo de seu país. Putin, um ex-agente da KGB, um verdadeiro herói russo, que esbanja virilidade e lembra aos seus compatriotas os melhores dias de seu país como potência mundial.
E as semelhanças não param aí. O capitalismo de estado, tanto lá como aqui, também se baseia em grupos de empresários "amigos" do governo sendo beneficiados (ou amigos de ocasião, já que fora do governo não existe tanta verba a baixo custo), diretorias de estatais sendo entregues com base em fidelidade partidária e não em mérito e um gosto todo especial pela estatização.
A proposta de ressuscitar a Telebrás e o caso da Usina de Belo Monte estão aí pra não me deixarem mentir. Quem nos garante que passado o período de bonança, não cairemos na mesma estagnação em que a Rússia caiu pela incapacidade de suas empresas privadas sobreviverem longe do guarda-chuva protetor do governo, e das estatais em manter o mínimo de eficiência nas suas operações?
Finalizando, Putin foi eleito e reeleito presidente da Rússia. Para não ter que recorrer a um terceiro mandato (como faz Hugo Chávez em sua demoditadura plebiscitária), escolheu para sucedê-lo uma pessoa sem muito brilho e executor de tarefas, que é o atual presidente Dmitri Medvedev. Antes de ser ungido por Putin como "herdeiro" de seu trono, Medvedev foi responsável pela reforma do serviço público, membro do conselho fiscal da Gazprom, estatal e maior empresa de gás do mundo, e finalmente tornou-se chefe da administração do Kremlin e adjunto do vice-primeiro-ministro.
Putin então foi para o cargo de primeiro-ministro e nem as matrioskas (aquelas bonequinhas que são vendidas para turistas na Rússia) acreditam que ele mande menos do que o presidente Medvedev.
Será que você também percebe aí uma semelhança assustadora com um certo presidente, uma certa Ministra da Casa Civil e uma eleição que se aproxima? Deixo a pergunta para cada um de nós refletir e responder.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Que falta de sacanagem!
Isso que você acabou de assistir (ou que já havia assistido em algum outro lugar) virou hit no You Tube, Trending Topic no Twitter e sensação na internet, merecendo os seus 5 minutos de fama. Sim, porque nesse mundo virtual de celebridades efervecentes, os 15 minutos foram diminuídos para 5, caso contrário não caberia todo mundo.
Vou fazer uma pausa pra você poder parar de rir de tanta coisa ridícula junta. Pronto, melhor? Então vamos falar o mais próximo de "sério" que é possível sobre esses pré-adolescentes e adolescentes de hoje em dia.
Já dizia Nelson Rodrigues que o jovem tem "todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade". Concordo com ele e acrescento: alguns adultos continuam adolescentes mesmo depois de velhos.
Mas eles não são o assunto, o assunto hoje são os adolescentes propriamente ditos, esta geração tão bem representada nesse vídeo. Já tive essa idade e quem me lê, se não morrer antes ou se não estiver me acompanhando através de uma sessão espírita, também já teve ou terá. Lá pelos 12, 13 anos começamos a descobrir o mundo. Tudo é novidade, portas, janelas e zíperes começam a se abrir à nossa frente e, na ânsia pela liberdade necessária para tantas descobertas, viramos pequenos e insuportáveis rebeldes. Era assim no tempo dos nossos avós, foi durante o nosso tempo e assim será enquanto o sol brilhar.
Curtimos ouvir bandas de rock no último volume, nos trancamos no quarto, sofremos paixonites, só andamos em turma, tudo isso é comum, o que não é comum é a imaturidade extrema, a idiotice estratosférica, o linguajar de silvícola e a comunicação escrita digna de babuínos treinados que essa "galera" atual exibe com o orgulho de uma besta quadrada babando sua saliva asinina.
Escrevem como imbecis, comportam-se como imbecis e nem pra demonstrar rebeldia conseguem sair do circuito MTV. Podem me chamar de saudosista, podem falar o que bem entenderem, mas a turma que foi adolescente junto comigo tinha sim, ídolos roqueiros, enchia salas de espetáculo, andava atrás deles, mas era diferente.Basta pegar uma letra, qualquer letra de qualquer música, da Legião Urbana, Plebe Rude, Camisa de Vênus, Paralamas do Sucesso, Titãs, Ira! e comparar com essas bandinhas cultuadas agora como Restart, NX Zero, Hori e o escambau, e teremos quase certeza que as mulheres grávidas de 1995 pra cá sofreram os efeitos de algum tipo de radiação.
Eram ídolos pela atitude, pelo que diziam, pela qualidade das suas letras e só. Porque vamos combinar, Renato Russo, o Nasi do Ira!, Herbert Vianna e Bi Ribeiro, a maioria dos Titãs, Marcelo Nova ou o Ameba da Plebe Rude não eram o que se pode dizer bonitos e nem seriam "ídolos teen" nesse atual cenário que parece exigir três talentos para se chegar ao sucesso: androginia, roupas ridículas e um péssimo corte de cabelo.
Cadê a cara de mau que os roqueiros exibiam em outros tempos? Imagino um adolescente de hoje em dia num show do Ozzy em que ele babava sangue ou num show do Kiss com o Gene Simmons mandando aquele sinal feio do dedo para a platéia. Acho que eles iriam chorar e correr pro Twitter dizendo que estão traumatizados.
Maldade pra esses adolescentes de hoje seria o Júnior se separar da Sandy.
Eu assisto um vídeo desses e fico preocupado, sério. Porque se esses serão os brasileiros de amanhã, fatalmente seremos governados por algum chimpanzé que fugirá do zoológico e se elegerá presidente. Preocupação nem tanto por eles, que provavelmente aprenderão um bocado e evoluirão através dos exemplos do primata, mas comigo, que serei velho num país dominado pelos imbecis.
Não sei se por causa da violência e da criação desses jovens, que são mais presos, vivendo em condomínios e prédios cercados por segurança, não sei se devido ao maior acesso à informação fácil (e inútil) na internet, se à ausência de boa leitura ou simplesmente porque andam colocando idiotizol na ração que dão pra eles, mas o fato é: não se fazem mais adolescentes como antigamente.
Esses de hoje, com essa cabeça que têm, quando muito andariam com as crianças de 3 ou 4 anos da minha época e isso é o mais grave: quando tiverem 30, terão chegado aos 15.
