Mas não serve uma daquelas piadas das quais só você ri ou que precisa explicar depois de contá-la, porque não tem nada mais deprimente do que uma pessoa contar uma piada pra você como se fosse uma mensagem espiritual do Costinha e você não achar graça alguma.
O sujeito rir de si mesmo é muito bom, é excelente aliás, prova que não se leva a sério demais - o que o salva de ser um mala e de ter gastrite - mas o sujeito rir das próprias piadas - e pior, só ele rir - é sinal de que chegou em algum grau de senilidade preocupante ou então de que sempre foi um cretino mesmo.
Mas supondo que a sua sacada seja realmente genial, você tem todo o direito de aproveitá-la. Faça o seguinte: conte a piada no Twitter.
Em alguns minutos você ganhará RTs, logo em seguida algum blog de humor tratará de transformá-la em uma representação gráfica - valem fotos, esquemas, diagramas, charges - e talvez até dê o seu devido crédito.
Logo em seguida surgirão memês, estilo "Chuck Norris Facts", será criado algum perfil fake que cuidará de reunir ali toda a ninhada de sub-piadas que surgirão a partir da sua, uma turma vai se reunir para colocar o assunto nos Trending Topics (que carinhosamente considero o Troféu da Baba Bovina) e, cereja do bolo, a história será notícia em alguns portais da internet.
Mas não se anime muito, e acredite: por melhor que seja a sua sacada inicial, imbecis repetindo aquilo ad nauseam, o dia inteiro, sem pausa nem para que alimentem os dois neurônios que possuem - um na cabeça e outro na sola do pé, isso mesmo, são apenas dois e não se conhecem - transformará a sua idéia numa coisa chata, pavorosa, que até você mesmo provavelmente vai se arrepender de ter criado. E nem demora muito, em três dias o processo deve estar concluído.Exemplos são fartos - não confundir com flatos, apesar de ser merecido o trocadilho - como as piadinhas sobre o Dourado do BBB, Sônia Abrão, "Cala a Boca Galvão", Kaká Bad Boy, Polvo Paul e, o campeão de todos, as piadinhas sobre o Activia.
Infelizmente o excesso de televisão, baboseiras, ídolos enlatados como Justin Bieber, soap-operas que pregam uma espécie de aposentadoria do pensamento, música ruim de rockers EMOcinhas, poucas surras de cinto, entre outras coisas, estão criando uma geração de imbecis, patetas que só prestam para poucas coisas como comer, defecar e teclar bobagens na internet utilizando português ruim.
Eles são a expressão - a materialização mesmo - de sua risadinha virtual favorita, aquela coisa mais ou menos assim: hauiahddhaodshaosjdahaiashs.
E assim o Twitter, queridinho da internet do momento - ainda que o momento já seja bem longo - vira este moedor de piadas, transformando algumas boas idéias em uma chateação, mais ou menos como tentar assistir um filme no período de férias e ter que aturar um bando de adolescentes fazendo barulho na sala de exibição.
Você até tenta ignorar, mas eles são tão aplicados na sua chatice que não permitem.

É por isso que eu gosto tanto do Romário, o maestro que me proporcionou assistir o Brasil vencer a primeira Copa do Mundo. 1958, 1962 e 1970 eu só vi em video-tape. Ao vivo, a cores e gritando de emoção, foi em 1994, a Copa do Romário, talvez o mais argentino dos jogadores brasileiros.