sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Cotas? Divisões? Não, obrigado.
Antigamente moças de família não se misturavam com malandros de morro, brancos só ouviam musica de branco, pretos não entravam em certos lugares, gays eram atirados nos chafarizes e viviam escondidos, católicos não se misturavam com judeus, meninos e meninas estudavam separados. Tudo era considerado muito normal, até que a sociedade cansada destas amarras começou a destruí-las uma a uma.
O tempo passou e um casamento interracial já não assustava, meninos e meninas estudavam juntos sem problemas, ricos e pobres relacionavam-se sem que isso fosse considerado uma aberração (OK, aqui nem tanto), gays podiam até assumir sua condição perante todos com certa tranquilidade. As barreiras caíram e a sociedade, noves fora a hipocrisia perene, ficou mais misturada no sentido estrito da coisa.
Mas eis que neste início de século XXI o processo se inverte. Como tudo na vida, seja a arte ou os costumes, a moda ou as próprias cidades, um ciclo dá lugar a outro, que dá lugar a outro, que termina dando lugar ao primeiro e tudo se repete.
Vemos universidades selecionando alunos pela cor da sua pele, vagões de metrô e trem exclusivos para mulheres, redutos gays sinalizados com bandeiras coloridas, governantes e movimentos ditos sociais jogando pobres contra ricos.
Tudo baseado no coitadismo e na noção de que o estado precisa dar uma "forcinha" para aqueles que considera menos capazes, o que na grande parte das vezes não passa de impostura e populismo barato.
Ainda acredito na livre iniciativa, nas oportunidades iguais e no esforço individual como motores de uma sociedade democrática. Tutela do estado só acontece em ditaduras, escrachadas ou disfarçadas.
Não sei, acho que daqui a alguns anos estaremos novamente vendo passeatas pela integração na sociedade, mulheres queimando sutiãs ou então gays sendo atirados em chafarizes, não duvido de mais nada.
O ser humano perde tempo demais desfazendo e refazendo velhos erros.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Night dos cariocas, balada dos paulistas: mas qual é a boa mesmo?
Discordo do mestre Nelson só no quesito "tédio", não sei bem como era na época dele, mas conheci boates que tinham de tudo, menos tédio caso você soubesse calibrar seu nível alcoólico de maneira adequada.
Aí é que entra a minha concordância com o o resto do pensamento: pra curtir boate, pelo menos pra mim, só estando bêbado.
Quando penso em noitada, me vem à mente a boate que mais me marcou e na qual eu praticamente morei, de sexta à sábado, durante bons anos: a Bunker.
Era maravilhoso esperar por aqueles finais de semana à noite, quando via de tudo, e fazia e participava de quase tudo, sem no entanto conhecer direito ninguém e nem me preocupar em ouvir muito do que elas tinham a dizer.
Mas não é sobre minhas reminiscências da Bunker que quero falar hoje, o farei em data oportuna.
O assunto hoje é essa certa anti-sociabilidade das boates. Por mais paradoxal que possa ser, um local destinado a curtir com os amigos, ver e ser visto, conhecer pessoas, é também o ambiente mais inóspito que conheço para desenvolvermos uma boa conversa e relaxarmos, premissas básicas na minha opinião para uma interação satisfatória.
Todo mundo que me lê e tenha uma vida minimamente normal, já foi a alguma boate pelo menos uma vez na vida e tentou "conversar" lá dentro, não é?
É aquela coisa "Oi, tudo bem?", "O que?????", "Tava te olhando dali, te achei uma gata!", "Hein? Minha amiga é uma vaca? Porque você tá dizendo isso, seu escroto?".
Exageros a parte, é quase impossível conversar decentemente ali dentro. Mas se fosse só o isso...
Em São Paulo parece que a Lei Anti-fumo "pegou", mas antes do advento dela lá e no resto do Brasil ainda, passar a noite numa boate é garantia de sair dali tendo fumado passivamente uns 10 cigarros e com até as roupas de baixo defumadas por tanta fumaça.
Além disso tudo, tem o escuro, o que junto com o teor alcoólico pode contribuir para termos surpresas desagradáveis no dia seguinte.
O fato é: boate é excelente pra quem está afim de "fritar" por aí ou realmente se jogar na pista, pro resto todo é mesmo um "local de convivência impossível", cheio de fumaça, música alta, escuro, quente e acelerado demais se a sua for só "jogar uma conversa fora" ou mesmo "conhecer alguém" de verdade.
Porque pra curtir boate, é melhor não se importar em ouvir e ser ouvido e principalmente: não esquecer de abastecer seu tanque com algumas doses antes.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A turma da MTV ou a melhor banda de todos os tempos da ultima semana
Não poderia dizer que sim, visto que fui apresentado a tal evendo no exato momento da pergunta dela. Daí ela me disse que o festival seria imperdível, pois tocariam nele o Metric e o Fujiya&Myagi.
Precisei confessar então que estava sendo apresentado a estes artistas naquele exato momento, à exceção do Myagi que até então para mim era apenas o velhinho japonês do filme Karatê Kid.
Só que isso tudo me fez repensar algo que já assaltava meus ócios frequentemente: o fenêmeno do "ídolo miojo", aquele que leva 3 minutos para ser feito e mais ou menos um dia para ser levado pela descarga.
Sim, o ídolo miojo existe e é muito mais preocupante do que a "celebridade instantanea" pois, ao contrário desta última, geralmente é levado mais a sério.
Quantos TIMs Festival já não se passaram sem que eu fosse taxado por alguns amigos de alienígena por não estar interessado nos shows de bandas com um único CD lançado, com um ou dois "sucessos" e que a gente não faz idéia se durará até o próximo inverno.
Nada contra estes artistas, alguns até muito bons, mas um ou dois discos de qualidade não justificam essa histeria e idolatria toda.
São cultuados hoje e substituidos no ano que vem por algum outro artista eloquente, estiloso, prodigioso, virtuose ou tudo isso ao mesmo tempo e às vezes nada disso. Alguns, como o Arcade Fire e os Yeah Yeah Yeahs,por exemplo, até passaram a figurar no meu aparelho de som, mas sempre no seu devido lugar: musica boa e só.
Ainda sou do tempo em que cultuávamos os Smiths, o U2, o Cure, Eric Clapton, Stones ou mesmo o Dire Straits. Artistas com carreiras longevas e discografias quilométricas.
Óbvio que eles iniciaram suas carreiras como bons músicos com um ou dois álbuns lançados, mas até então eram tratados apenas como isso, a adoração veio bem depois.
Daí fico nesse dilema entre ser considerado chato, desinformado e pseudo-blasé ou começar a ter faniquitos quando algum inglês com franja estilosa vier aqui mostrar seus experimentos musicais. Fazer o que? São intempéries de quem já viveu um pouquinho.
Em todo caso, prefiro continuar assim e não me impressionar demais com tudo o que aparece, até mesmo porque preciso guardar minha energia e minha idolatria para os meus ícones de verdade. Imagina, se eu tiver algum desmaio de emoção por causa dos Arctic Monkeys o que terei que fazer se um dia for a outro show do Morrissey e quiser colocar tudo numa escala adequada!? Nem pensar!
Quanto às novidades, bem, por enquanto prefiro considerar apenas como isso mesmo: novidades. Quando e se virarem gente grande, justificarão essas reverências também.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Aventuras no PSP de um sujeito da época do Atari
Mas acreditem, aquilo era o maior hype.
Hype que durou pouquíssimo (ainda bem), porque logo chegou o Atari, verdadeiro paraíso em cores e com figuras e cenários. Tudo bem que vistos de hoje, os jogos do Atari eram completamente toscos, mas dominaram durante bastante tempo o imaginário e os desejos dos garotos da minha época, mais ou menos junto com a Luiza Brunet.
Lembro que passava noites inteiras jogando Pitfall, River Raid, Seaquest e claro, o quase unânime Pac Man.
Mas como tudo em tecnologia, o Atari também foi superado (Ufa!) e vieram alguns consoles um pouco melhores do que ele na minha opinião, tipo os MSX , que a despeito de nos obrigarem a ficar esperando loooooongos períodos para que os jogos fossem carregados em fitas cassete(!!!), tinham uma qualidade bem superior aos do Atari.
Depois, mais ou menos com o aparecimento dos games de terceira, quarta e quinta gerações como o Mega Drive, Neo Geo e o Play Station I, eu já estava mais preocupado em correr atrás de menininhas na rua, roubar o carro do meu pai para rodar no domingo à tarde e ir pra festinhas atrás de mais...menininhas e consequentemente não liguei muito para lançamentos que me manteriam dentro de casa, com dois ou três marmanjos tentando passar fases de jogos, e confesso que tudo isso passou batido pra mim.
Tudo isso ou quase. Como morava fora porque estudei numa faculdade no interior, queria algo para aquelas horas de tédio e comprei um Game Gear, com uma telinha minúscula e jogos bem "mais ou menos", mas ainda bem distante dos DS e PSP de hoje em dia.
Sem contar que usavam uma quantidade absurda de pilhas o que me obrigava a usar um jogo portátil somente em casa ligado na tomada, quer dizer, só rindo.
Anos antes, ainda criança, eu já adorava os portáteis tipo Game Watch, que eram realmente portáteis e me permitiam passar um tempão jogando Donkey Kong na escola.
Só quando saíram alguns jogos a partir de CD-ROM é que eu voltei a me interessar um pouco por games e adorava ficar jogando Heretic e Doom até altas horas, mas nada comparável à loucura que eu sentia pelo Atari.
Tanto que nem cheguei a ter um PS I ou II.
Até que apareceu o Play Station Portátil.
A primeira vez que o vi fiquei como se tivesse uns 10 anos outra vez e queria porque queria aquele brinquedinho. Tanto fiz que achei um conhecido que tinha viajado pra França a trabalho, comprado um Slim Silver desbloqueado para jogar nos deslocamentos de trem e enjoado do bichinho quando voltou pra cá. Quis me vender e eu, claro, comprei na hora.
Os jogos de luta e RPG me impressionaram muito e é quase inacreditável o visual daquele trequinho e as quase infinitas possibilidades que ele proporciona além jogos de qualidade como acesso à internet, reprodução de vídeos, visualizar fotos, o escambau.
Comecei a baixar jogos compulsivamente e jogar tudo que podia, mas no final das contas acabei usando o meu PSP mesmo pra jogar emuladores de Nintendo e instalar joguinhos de celular.
Sério.
Passo horas jogando quebra-cabeças, Tetris, corridas de carro (essas menos toscas) e os jogos um pouco melhores, mas ainda assim simplórios como o Dungeon Maker, que nada mais é do que a construção de labirintos e a matança de monstros ad nauseam.
Acho que eu, que fui uma criança que achava que não poderia existir nada melhor do que o Atari, meio que não acompanhei a evolução que os jogos sofreram e acabo me interessando mesmo é pelo que gostava na infância.
Até acho o maior barato os Need for Speed da vida e zerei o Medal of Honor, mas gosto mesmo é das velharias.
Tanto que estava com o meu brinquedinho no metrô, jogando um prosaico Quadrapop da Sony Ericsson no emulador (É sério, eu coloquei um emulador para joguinhos de celular no PSP), e vi um moleque com essas mochilas enormes, cheias de livros, voltando da escola me encarando.
Por um momento achei que o moleque fosse me atacar com aquela mochila, arrancar o PSP das minhas mãos e deixar no lugar um Game Gear da vida, bem mais condizente com as tosqueiras que eu cismo de jogar no PSP.Pensando bem, ele não estaria de todo errado.
Livro infantil, livro adulto: tudo é hábito.
Obvio que apareceram diversos coitadistas nos comentários me acusando de (argh) "preconceito", "discriminação", entre outras imposturas. Mas o que me causou mais espanto e curiosidade foi a acusação de possuir uma "submissão à leitura", assim mesmo, como se isso fosse algo ruim.
Talvez por vivermos num país que confere 80% de popularidade a um presidente que despreza a educação formal e diz que ler "dá sono", as pessoas quase que precisam se desculpar por terem alguma cultura e hábitos de "classe média burguesa e insensível", como estudar e ler com frequência, por exemplo.
Falo tudo isso porque lembro quando era criança, quando constantemente ganhava livros de presente. Minha avó dizia que o hábito da leitura se desenvolve desde cedo e sempre aplicou em mim e no meu irmão essa teoria tão consagrada.
Começava nos presenteando com aqueles livros que tem mais figuras do que palavras e conforme o tempo passava, as figuras diminuíam e as palavras viravam a "atração principal".
Foi lendo Lygia Bojunga Nunes, em livros como "Os Colegas" e "Bolsa Amarela" que eu aprendi que basta um cantinho da casa mais sossegado e um livro na mão, que a gente literalmente viaja sem fazer muito esforço.
Depois veio minha adolescência e como todo moleque da minha época, eu era viciado nos livros do Marcos Rey que saíam pela Coleção Vaga-Lume.
Ficava louco quando a minha escola, que hoje vejo que era bem diferenciada, organizava feiras de livros para que comprássemos títulos com desconto.
Foi numa dessas feirinhas que descobri "Amar se aprende amando" e me apaixonei por Drummond logo de cara. Tenho tanto carinho por essa época que recentemente recomprei "O Mistério do Cinco Estrelas" para ter na minha pequena biblioteca.
E assim, crescendo de livro em livro, cheguei a Fernando Sabino, Julio Cortazar, Nelson Rodrigues, Raymond Carver, entre outros, num hábito que começou lá atrás, ainda na infância.
Não sei se por causa das facilidades tecnológicas atualmente ou se por causa desse nivelamento por baixo que a sociedade impõe, mas não vejo nas crianças e adolescentes de hoje em dia toda a paixão por livros que existia na minha infância.
Só sei que a tal "submissão à leitura" da qual fui acusado mostra-se, no decorrer da vida, uma alegre e salutar submissão, que nos livra de outras bem menos desejáveis, como a submissão à ignorância, ao servilismo, à mistificação e a conceitos "politica e burramente corretos" que teimosamente intentam em nos transformar em massa homogênea, medíocre e incapaz de pensar por si, submissos a um "senso comum" idiotizado.
Se formos pensar bem, submeter-se à leitura liberta, engrandece e nos forma como indivíduos livres.
Vamos nos submeter a ela então!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Eleição 2010: Serra, Dilma, Ciro ou Ultimate Fight-Brasília
Este aliás é só mais um traço da maior característica que identifico em Lula: a sua vaidade desmedida, que talvez seja até o contraponto ideal ao seu imenso complexo de inferioridade, seja por ser um "retirante" nordestino, seja por não passar muito de um semi-analfabeto.
Mas vamos adiante.
O presidente resolveu que vai medir forças com o bom senso em 2010. Tentará eleger uma mulher sem carisma, ex-terrorista, antipática e sem nenhuma experiência eleitoral como sua sucessora. Porque?
Simples e já bastante debatido: se vencer, provará que é "o cara", tendo elegido um poste. Se perder, terá levado um poste bem mais longe do que qualquer um sonhou e estará pavimentado o caminho para sua "volta triunfal" em 2014.
Lula é um excelente petista nesse sentido. Pensa mais no projeto de poder do que no de país.
Canso de dizer que nem desgosto da pessoa dele e sei que o governo dele foi bom até pra mim, mas me pergunto até quanto ele não foi ajudado por um país já sem o passivo de tantas estatais semi-falidas, com uma economia já arrumada pela Lei de Responsabilidade Fiscal e a política monetária, um país então mais bem preparado para crises do que estava na época de FHC.
Lula importou programas e políticas de FHC in totum.
Seja o seu Bolsa Família, seja o PAC das cidades históricas, seja o câmbio flutuante e a política de juros, o que o PT fez ao chegar ao poder, e nem o culpo por isso e até chego a agradecer, foi jogar no lixo tudo o que prometia e seguir com a política que era usada na época do governo tucano.
Mas sobram perguntas.
O país poderia ter crescido mais sem o freio de mão puxado por Palocci e depois Guido Mantega que sempre o mantiveram lá no alto? Enquanto crescíamos 4%, 5% no pré-crise, não poderíamos ter crescido 8%,9%?
Tudo isso é exercício de suposição, mas o fato é que o Brasil está economicamente melhor hoje do que há 15 anos por méritos de Lula e de FHC.
Resolvida essa questão, sobra a questão da ética.
O PT foi durante quase 3 décadas o inspetor de colégio interno da política brasileira. Seus barbudinhos chatos estavam em todas as CPIs possíveis, gritando contra tudo o que viam.
Exerceu uma oposição sistemática e raivosa e tinha como principal ativo político a máxima de ser o "partido da ética".
Mensalão, Gautama, José Dirceu, Delúbio, dólares na cueca e mais tantas outras excescências depois, o PT hoje é o partido que tem no seu dono (Lula, é claro) alguém que defende Renan Calheiros, José Sarney e Fernando Collor e diz até que se fosse brasileiro, Jesus Cristo faria alianças com Judas, talvez para justificar ele mesmo ser um legítimo Judas da ética que tanto defendia.
Anthony Garotinho, diga-se de passagem outra chaga supurada em forma de gente, disse uma vez que o PT era o "Partido da Boquinha". Noves fora a horripilante persona que representa, o famigerado ex-governador acertou em cheio.
Como bem adora dizer o "coroné" Lula, "nunca antes na história desse país" um partido aparelhou tanto o Estado e nunca colocou tanto papagaio de pirata pendurado em cargos de primeiro, segundo, terceiro e até vigésimo escalões.
Vide o que a Petrobras se transformou sob o reinado petralha.
Petralhas aliás parecem que o tempo inteiro estão desestabilizando o país na oposição indo contra tudo ou então tentando pilhá-lo na situação, preenchendo cada cargo disponível com alguém do aparelho partidário.
O maior deserviço de Lula ao país é este: oficializar e transformar em "normal" toda e qualquer basculheira que seria inadmissível em um país sério.
Por melhor que esteja a situação econômica de uma nação (e nem estamos tão bem assim), não se pode prescindir de valores morais em troca disso, ou então a nação inteira torna-se nada mais do que uma prostituta.
No caso do Brasil, nosso ignorante e carente povo é uma prostituta bem barata, porque em troca da esmola do Bolsa Família sufraga um presidente que jogou latrina abaixo todos os valores que dizia lhe serem caros.
Junte-se a isso a sua amizade declarada por proto-ditadores salafrários como Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales e Fernando Lugo, indo inclusive contra os interesses dos brasileiros para sustentar essas amizades, permitindo sequestro de empresas e cidadãos e que a economia e o contribuinte brasileiro sejam lesados criminosamente e temos aí um coquetel potencialmente perigoso.
Pegue um partido que jogou a ética no lixo, que possui um braço quase armado como são os baderneiros do MST, sustentados com dinheiro público, que não se envergonha de aparelhar o estado e que tem sempre acima do país o interesse partidário e una a um presidente autoritário, personalista e que devora até mesmo aliados em prol do seu projeto de poder e temos aí a essência do império petralha.
Esta campanha antecipada, indo contra todas as regras e leis do país, esse deboche à justiça e à noção de alternância de poder, só nos prova que Lula só não faz o que Chávez e o resto da quadrilha bolivariana pratica em seus países, porque não tem cojones para tal e não tem certeza de que seria bem sucedido.
Se tivesse esta certeza, tenho minhas dúvidas se não estaríamos vivendo no Brasil mais uma maldita experiência bolivariana.
É por esta razão que o PT merece ser derrotado nas eleições do ano que vem. Ainda que aparentemente não exista nada muito diferente dele em termos de ética, mas a democracia brasileira pede que, pelo menos, troquemos as moscas de vez em quando.
Que venham novas moscas então.
O campeonato mundial de curling
Nesse exato momento você começa a se perguntar que você tem a ver com isso, não é? Já explico, não feche a página ainda!
Assim como você e eu, a esmagadora maioria da população do mundo pouco liga para o ranking mundial do curling. Aliás, aposto que dessa esmagadora maioria que pouco liga, a esmagadora maioria nem conhece ou ouviu falar deste esquisito esporte.
Saiba no entanto que ele é um esporte olímpico, que organiza campeonatos disputadíssimos nos países mais ao norte do equador e que movimenta uma boa quantidade de dinheiro em patrocínio e incentivos.
Só que a despeito de toda essa "importância", o fato continua sendo só um: o resto do mundo como diz o elegante senador Fernando Collor "obra" e caminha para o esporte.
A blogosfera , mais particularmente os auto-intitulados "probloggers", são mais ou menos como o curling. Viram?! Cheguei no assunto finalmente!
Durante essa semana debateu-se a ética de quem aceita ganhar dinheiro para dar seu testemunho sobre produtos dos quais falava mal antes e jurava boicotar, sobre (de novo) os conceitos de relevância e até sobre um pós-adolescente que se considera o novo Machado de Assis da coisosfera.
Como bem disse o Izzy Nobre, probloggers são "esses seres mitológicos da fauna internética brasileira".
Nada poderia ser mais exato. Essas pessoas construiram ao seu redor uma espécie de realidade paralela que lhes confia muito mais importância do que realmente possuem.
Não entro no mérito da qualidade do material que produzem. Alguns copiam piadas de sites estrangeiros, outros opinam sobre qualquer coisa que lhes venham à mente, outros passam o dia caçando links para passar adiante, outros brincam de personagem de seriado, fazem piadas, enfim, ninguém inventa nada muito novo, mas também não são piores do que a programação da TV aberta, por exemplo.
Só que talvez porque possuam uma quantidade de leitores considerada razoável para os padrões estabelecidos por eles mesmos, seja pelos brindes e restos de verba publicitária que recebem em troca de anúncios e "testemunhos", a tal meritocracia blogueira do Brasil começou a agir como se o campeonato de curling fosse a Copa do Mundo de futebol.
Quem vê essas pessoas se jactando das cortesias que recebem, usando brindes como "provas" de superioridade e para dar "carteirada" em discussões, diminuindo qualquer um que não tenha dado palestra em um dos muitos "qualquer coisa camp" da vida, pensa que se tratam de astros e estrelas mundiais, que vivem num jet set cercados de jatinhos, iates, modelos e uma vida digna do sultão de Brunei.
Nenhum problema na pessoa querer maquiar a própria realidade até como uma forma de negação, promoção pessoal ou o que seja, mas a atitude dos "probloggers" brasileiros beira a de um jogador de curling que pensa que é o Kaká ou o Cristiano Ronaldo.
Chega a ser caso psiquiátrico.
O ponto disto tudo é esse: antes de entrar no Twitter, eu mesmo nunca tinha ouvido falar de 99% desse pessoal e assim como eu, a grande maioria do público de internet brasileiro não faz a menor idéia de quem essa gente seja.
Os caras ficam tão envoltos no seu "nicho", que nem percebem que pros de fora aquele seu conceito de "fama" e "sucesso" é pura e simplesmente risível.
Estes dias mesmo aconteceu um evento onde levaram não sei quantos blogueiros para passarem quatro dias num balneário às custas da prefeitura local. O evento foi alardeado como "retumbante sucesso", algo a ser "invejado" e "copiado", no entanto, em breve pesquisa no meu próprio msn, das 20 e tantas pessoas online no momento, nenhuma, rigorosamente nenhuma jamais havia sequer ouvido falar da tal "maravilhosa ação de mídias sociais".
Essa é apenas uma amostra da total irrelevância dos auto-intitulados relevantes da blogosfera brasileira.
Não vou exagerar e dizer que não existe importância alguma, claro que tem! Existem ações, dinheiro e atenções envolvidas diretamente com o que se faz nos blogs, mas ainda hoje é algo secundário e como bem disse o Izzy Nobre em um de seus textos, blogueiros são os "lowest bidder" da história toda.
Os "patrões" lhes atiram miçangas e eles vão dançando felizes para divertimento da platéia.
São os campeões de curling da internet, se tanto.
