quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tempo, senhor da razão, devorador de tudo.

O tempo apaga tudo. Quantas vezes já ouvimos esta afirmação, não é?

Quando crianças e adolescentes ouvimos nossos pais dizerem que não teremos aquela disposição toda depois de uns anos na "guerra" e ficamos putos, imaginando ser mentira, fruto da inveja que eles possam sentir da nossa juventude e tempo livre.

Aí esse msesmo tempo que não mente e nem sente inveja de nada e o aconchego de um sofá com um bom filme no DVD num final de semana nos fazem ver que, para variar, nossos pais estavam cobertos de razão.

Mas existem também as pessoas que encontramos pelo caminho. Quem nunca se pegou ao final de um curso ginasial ou mesmo superior fazendo juras de amizade eterna, de manter contato e nunca deixar aquele espírito desaparecer?

Qualquer ser humano que passe dos trinta pode contabilizar uma boa centena de "amigos eternos".

Pena que o tempo (sempre ele) e a vida real não respeitam muito essas promessas e acabamos vendo que amigos mesmo só uns poucos e que se de eterno nem nós mesmo somos, que dirá nossas relações pessoais.

Isso tudo tem seu lado bom, é claro. Não sei se gostaria de ver meus amigos de infância ficando calvos, barrigudos e, principalmente, chatos. Pais de família falando de emprego, papinhas e, às vezes, amantes. Deixa isso para os chatos que eu conheci já na idade adulta e que não me decepcionam com sua perda de viço.

Os da faculdade então nem se fala. Éramos dignos membros da juventude médio-abastada do nosso país. Curso superior em instituição particular, todos morando fora porque a faculdade era no interior e todo o tempo do mundo(aí ele agia a favor) para fazer besteiras, experimentar tudo, curtir um ócio às vezes nada criativo e simplesmente ocupar-se em viver.

Formados, todos tornam-se concorrentes. Seja na profissão, seja na vida. A maturidade traz a competição e faz aflorar o animal que existe em todos nós.

Quem ganha mais, quem se saiu melhor, quem isso, quem aquilo. Um verdadeiro porre. Talvez seja por isso que só me relaciono com um ou dois amigos daquele tempo. Pela total e completa falta de paciência com os rapapés, conversas triviais e alhures que surgem entre ex-companheiros de juventude.

Nesse ponto até que o tempo tem sido bom comigo. Apesar de me distanciar cada vez mais daquela época feliz e inconsequente, ele também está apagando rostos e personalidades menos importantes com quem convivi, só ficando na memória mesmo os mais interessantes e as experiências que, ao final de tudo, me fizeram de algum modo ser quem eu sou.

Pois é, aprendi isso também: o tempo ajuda a nossa memória a fazer uma bela seleção natural em no baú do passado.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Qual ladrão você prefere?

Um belo dia, ou melhor, uma bela noite, resolvi que sairia de casa no meio da madrugada rumo a uma festa na boate Pista 3 (do Grupo Matriz), em Botafogo, aqui no Rio.

Noves fora o total desrespeito à lei anti-fumo e ao direito que todos tem de não respirar substâncias potenciamente mortais, apenas pelo prazer de alguns aspirarem e expirarem fumaça, e alguns pentelhos bebados jogando cerveja para o alto, o que me incomodou mesmo naquela noite foi outra coisa.

Como eu moro no Catete e resolvi tirar o carro da garagem para não virar refém do péssimo sistema de transportes do Rio de Janeiro (isso na Zona Sul, imagina no resto da cidade), pude observar uma discrepância curiosa no caminho de mais o menos 15 minutos que percorri entre um bairro e outro: a proporção inversa da quantidade de policiais e viaturas na rua à quantidade de radares e pardais, sempre alertas, para meter a mão no bolso do sujeito que passe dos 50km/hr ou que avance algum sinal de trânsito (semáforo para os paulistas).

Ainda que o Rio seja uma cidade dominada pela violência, com bandidos cada vez mais cruéis e bestiais, o mesmo poder público que é incapaz de garantir um transporte de massa decente e uma segurança mínima ao cidadão, é o que o pune caso ele, por exemplo, cruze um sinal vermelho para não ser ameaçado com uma arma.

Foram 15 minutos de trajeto, uns 3 ou 4 pardais em sinais, mais uma meia dúzia de radares controlando o limite de velocidade e uma, isso mesmo, uma viatura da Polícia Militar, fazendo um lanche em um desses postos de gasolina 24 horas.

Digo isso porque não esbarrei com nenhuma barreira da "Operação Lei Seca", que aproveita o ensejo de combater quem bebe e dirige e fiscaliza também o pagamento do IPVA, as lanternas, faróis e mais qualquer outra coisa que possa gerar multa, reboque e bastante transtorno para o pobre coitado que seja parado ali.

Sem contar as ruas esburacadas, mal iluminadas, dignas de uma pocilga de cidade.

Polícia para proteger? Nem pensar. "Choque de Ordem" que retire das ruas os flanelinhas que infernizam o cidadão? De jeito nenhum! Uma sincronização de sinais de trânsito para que os engarrafamentos não sejam ainda mais insuportáveis? Pra que?!

O poder público é eficiente mesmo quando se trata de multar, rebocar, punir, infernizar. Tudo, claro, para a "nossa proteção", segundo eles mesmos dizem.

Operação Lei Seca e Choque de Ordem tem o tempo todo. Operação "Asfalto Liso" e "Estacione em Paz" isso ainda estou pra ver.

Só resta uma dúvida: será que se a pessoa cruzar o sinal e ainda assim seu carro levar um tiro, ela ganha desconto na multa ou no IPVA, pelo menos? Duvido muito.

Neste paisinho de muitos deveres e punições e quase nenhum direito, o que sobra no final é a escolha entre ser roubado pelo ladrão no meio da rua ou pelos ladrões nos palácios.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Primavera-Verão/Outono-Inverno

Estava folheando uma revista antiga na sala de espera de um consutório (sei que revista antiga de consultório parece pleonasmo, mas sigamos) e vi que um determinado chinelo (de uma fealdade ofensiva) seria a grande coqueluche do verão 2008.

Todos os que fossem vivos naquele ano, também terminariam o verão sem conseguir imaginar como seria a vida nas praias sem um carrinho simpático empurrado por um jovem uniformizado e munido de uma sombrinha estilosa que venderia salada de frutas, água de coco e outros acepipes naturebas.

Confesso que mesmo indo à praia com uma frequência bastante razoável e habitando a "Meca" veranil brasileira que é o Rio de Janeiro, manjedoura de tudo que é moda útil e inútil, feia ou bonita possíveis, não vi o tal chinelo enfeiando um pé sequer e nem achei a tal barraquinha modernosa.

Isso teoricamente serviria como prova cabal de que os experts nas modas e tendências não sabem de nada e apenas dão chutes a esmo, às vezes acertando o alvo, às vezes não.

Mas aí lembro uma cena, que eu particularmente acho deliciosa, do filme "O Diabo Veste Prada", quando a sempre lindíssima Anne Hathaway, interpretando a sua Andy, leva uma lição de moral de Miranda (vivida por uma das maiores de todas, Meryl Streep).

Na cena em questão a estagiária vivida pela Anne Hathaway faz pouco caso de uma reunião comandada pela chefe, como que toda aquela energia dispendida em favor de definir tendências fosse perda de tempo.

Aí então a chefe, o "diabo" em pessoa, explica para sua rebelde estagiária que o "azul cerúleo" do suéter que ela usa, com certeza escolhido numa cesta de uma loja de departamentos popular, havia sido uma cor que virou febre a partir de uma coleção Yves Saint Laurent.

Ela termina dizendo algo como "foram pessoas numa sala como esta, e não você, que escolheram a cor que agora você usa".

Isto faz pensar de verdade.

Somos nós mesmos que decidimos a "tendência" que faz sucesso, seja no vestuário como também em tecnologia como celulares, reprodutores de mp3, jogos, filmes, computadores, calçados, automóveis, etc, etc ou nós apenas decidimos o que queremos a partir do que nos é apresentado por quem realmente decide?

Esta é uma boa pergunta de difícil resposta, porém curiosa de procurar e ponderar.

No final das contas, o que nós realmente decidimos e escolhemos e o que os outros escolhem por nós?

Não parece difícil concluir que muitas "Mirandas" são quem na verdade definem boa parte de tudo o que consumimos pela nossa vida afora.

sábado, 14 de novembro de 2009

Para Cuba e Venezuela, com carinho

Comprei o livro "De Cuba com carinho", de Yoaní Sánchez, já esperando ler coisas que comprovassem os motivos do meu horror ao regime ditatorial cubano.

Sabia que alguém que nasceu e cresceu sob a sombra sinistra da opressão, da pobreza e da privação, estariam imunes à propaganda mistificadora repetida pelos sátrapas do regime comunista dentro do país e pelos imbecis ignorantes e/ou mal-intencionados de fora.

Num dos trechos ela desenvolve uma idéia da qual compartilho totalmente: que uma revolução que dura intermináveis 50 anos, não é uma revolução e sim um gigante autofágico que regurgita repressão.

Vejo a Venezuela caminhando para isto. Camadas ignorantes sendo atiradas através do ressentimento fomentado e estimulado pelo chefe do país, interessado em dividir para conquistar e subjugar, em uma pobreza e uma indigência cada vez maior, cada vez mais sem retorno.

E a reboque desta falsa democracia, indefesa sem os contrapesos que a resguardem da turba, uma nação caminha para a fome, para a escassez, para o racionamento, para as filas, em marcha a ré rápida rumo ao século passado, século que aprisiona Cuba ainda em sua primeira metade.

Bolívia, Equador, Nicarágua, entre outros, caminham para este triste fim.

Em nome de um tal "bolivarianismo", suprime-se a alternância de poder, a liberdade de imprensa, o direito ao contraditório, a obrigação ao questionamento. Semeiam com o vento do embuste, a tempestade da ignorância coletiva.

Exceção à corajosa Honduras, que soube utilizar a maior e melhor arma contra este assalto à democracia utilizando seus próprios meios para dilapidá-la: a letra da lei.

No Brasil muitos adorariam viver este bolivarianismo. Falta-lhes apenas coragem e certeza de sucesso para tal no momento. Caso esta certeza apareça, a coragem virá a reboque.

A coragem dessa gente depende da quantidade de seguidores que possuam.

Dizem que em Cuba não existem analfabetos. Verdade. Mas também não existem serviços básicos, sua medicina tão falada no exterior é inacessível ao cidadão comum e a vida levada fora dos balneários e resorts de Varadero é bem menos glamourosa do que o turista que passeia pelo país em ônibus refrigerados fumando seu charuto Cohiba pode suspeitar.

Tanto que a própria Yoani sugere em seu livro que os turistas comprem um pacote turístico que poderia se chamar algo como "Cuba Real".

O indivíduo ficaria no calor sem nem um ventilador por causa do racionamento energético, esperaria 3 dias por uma passagem de ônibus para viajar pelo país, teria direito a 300 gramas de peixe por mês para se alimentar e, como brinde, um pão racionado por dia.

Talvez se os esquedopatas brasileiros fossem viver esta verdadeira experiência revolucionária, longe do oba-oba festivo que vivem aqui com a sua pelegagem, não seriam mais os mesmos na volta.

Esta velharia é a grande "novidade" apresentada pela América do Sul para o mundo, através de discursos tão virulentos quanto falsificados.

Cuba tem a sua cota e a Venezuela a cada dia paga mais uma prestação dessa passagem rumo ao atraso.

Quem mais será vítima destas "velhas novidades"? E até quando haverá terreno para este tipo de embuste?

Porque das revoluções que não sabem a hora de virar história, sobram somente os uniformes dos ditadores e das forças de repressão. Todos terminam caquéticos, menos estes uniformes, sempre brilhantes, sempre engomados, sempre novos e vistosos, como que para contrastar com tudo o que agoniza, carcomido, à sua volta.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Gentileza gera gentileza

Um dia desses eu estava caminhando perto da minha casa, numa dessas calçadas estreitas que o Rio de Janeiro tem aos montes, quando a sacola de compras de uma senhora que caminhava na minha frente arrebentou e dela caíram várias laranjas. Obviamente, quer dizer nos dias de hoje nem sei se é tão óbvio assim, parei para ajudá-la.

Depois de ter recolhido tudo junto com ela, sobrou uma laranja que eu peguei e quando fui entregar, ela me ofereceu como presente em agradecimento pela ajuda. Agradeci de volta, ela me desejou sorte e cada um seguiu seu caminho, o seu dia e foi cuidar da vida.

Nada demais, uma historinha boba como qualquer outra que pode acontecer com qualquer um se não tivesse servido para me fazer pensar que caso ocorresse durante alguma viagem minha por qualquer lugar do mundo, eu pensaria assim: "nossa, que povo simpático, educado, cortês".

E tudo isso se passou numa das cidades que eu considero um dos templos mundiais da falta de educação, a minha cidade, o Rio de Janeiro.

Pensei ainda ser algum resquício do tempo em que ela merecia a alcunha de "Cidade Maravilhosa", coisa que hoje, à exceção destes pequenos momentos, ela está longe de ser e isso me fez sentir uma nostalgia de coisas que nem mesmo vivi.

O ser humano consegue ser extremamente agradável quando quer, o grande problema é não se esforça nem um pouco para isso na maioria das vezes.

A nossa sociedade contemporânea atribui força e delega admiração à indiferença e ao cinismo solitário, ao sarcasmo que invariavelmente é confundido com inteligência.

Essa brutalidade intrínseca é tão presente e tão "normal", que uma pequena e doce experiência como essa me faz acreditar que a despeito de tudo, nem todos valorizam o áspero, o demasiado objetivo, o impessoal e que de vez em quando alguém pode lhe oferecer a sobremesa do seu almoço numa simples retribuição a um ato de solidariedade.

São fatos assim que me impedem de virar de vez um misantropo de vez.

O meu "obrigado" à simpática senhorinha por isto.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vendeu a mãe no Mercado Livre

Confesso que já utilizei o Mercado Livre pra comprar um monte de coisas úteis e outras tantas quinquilharias. É fácil encontrar ali quase tudo que queremos pela metade do preço.

Mas já dizia um sábio que não existe almoço grátis, então, estamos sujeitos a todos os tipos de contratempos.

Desde receber uma pedra no lugar do Play Station III comprado através do Sedex a Cobrar(que nos dá a ilusão da segurança), até receber um lindo pendrive de 256Mb falsificado no lugar daquele maravilhoso Corsair de 128Gb que você queria.

Mas essas histórias trágicas sobre o Mercado Livre estão por aí espalhadas pra quem quiser ver. Não faltam denúncias e reclamações, eu mesmo já recebi um relógio quebrado e tive que penar pra receber o dinheiro de volta do esperto que tentou vende-lo pra mim.

Tive sorte, porque levar cano ali é o mais usual quando a coisa vai mal.

Felizmente 99% das negociações que fiz lá deram certo. Comprei traquitanas que até hoje utilizo e algumas que até já revendi utilizando o próprio site pra isso.

Mas o que dizer dos leilões bizarros que vemos por ali?

Se a pessoa tiver paciência, encontrará pérolas como bicicletas sem roda, processadores queimados, iPod que não toca mas "serve como pendrive", entre outras esquisitices.

Mas essas soam até como normais perto de leilões que vendem enxofre cristalizado, um chaveiro com um bambu que cresce dentro ou uma fralda para aves (!!!).

O mesmo comprador da fralda provavelmente vai adorar a capa de chuva para cachorros, e só mesmo o amor pelos animais justifica alguém comprar uma bomba de dedetização velha (que não mata nem uma mosca).

Já teve copo de mate usado pelo Tom Cruise (Por módicos 5 mil reais) e uma cueca usada e com "cheirinho"(Eca!).

Se você não tem onde gastar seu dinheiro e quer jogá-lo fora, pode comprar um neon para ser usado na boca, uma revista com o Maluf na capa ou então uma porção de bolinhos de bacalhau (resta saber se chegarão quentinhos na sua casa).

Se estiver afim de um hobby de final de semana, que tal fazer concorrência para a empresa de limpeza pública da sua cidade e comprar um caminhão compactador de lixo, só pra provar que você "recolhe bem melhor do que eles"?

No Mercado Livre dos leilões "fora de série", o céu é o limite!

Você pode dar uma conferida no "material" da Xuxa antes dela alfabetizar crianças em inglês, pode comprar uma bola de cristal pra tentar adivinhar qual será o próximo mico da "rainha dos baixinhos" ou se você é fã da loira, provavelmente seu bom gosto te fará apreciar bastante um CD do Roberto Justus.

Ainda para os fãs da Xuxa, vende-se um excelente lote de esterco bovino.

Se o seu sonho é parecer um ator de filme mexicano ou se você adoraria namorar uma portuguesa, seus problemas terminaram! Você pode adquirir um legítimo bigode de pêlos humanos!

Aí, para seduzir sua gatinha bigoduda, nada melhor do que uma cueca temática do Pinochio ou então fazer simulação de sexo virtual usando sua exclusiva fantasia de MSN.

E o que dizer de alguém que vende uma garrafa de whisky vazia? Deve te-la bebido inteira pra achar que alguém compraria uma porcaria dessas.

Só torçamos para que o sujeito não resolva beber a garrafa toda e sair por aí dirigindo, a menos que o carro dele seja esse maravilhoso Passat, que poderia ser vendido numa curiosa promoção: se você conseguir achar o verdadeiro dono do carro, leva o bólido de brinde.

Quando a gente bebe, é melhor ir de ônibus, mas de preferência um inteiro e não só a roleta.

E pra quem curte um possante, o Mercado Livre tem de tudo literalmente, até carro de funerária. E se você resolver investir mesmo nesse look Família Addams, porque não abrir logo um negócio? Lá você encontra um sistema de automação para funerárias para te ajudar.

Tanta maluquice assim, só faz a gente pensar que esse pessoal caiu de boca num penico ou que tem muita m*! na cabeça, não é?

E haja papel higiênico pra limpar...sorte que até isso vende no Mercado Livre.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão 2009 : jogando uma luz sobre o Brasil

Ontem 80% do PIB brasileiro ficou totalmente às escuras por algumas horas. Possivelmente problemas nas linhas de distribuição de Furnas, administrada pelo PMDB de Sarney aliado de Lula, causaram a primeira paralização total da Usina de Itaipu da história destepaíz.

Os petralhas prontamente dirão que também houve um apagão durante o governo de FHC, na sua eterna psicose comparativa, que teima em se achar menos sujo só porque o outro é mal-lavado.

Entendam: eu não gostei do governo FHC, não quero aquilo de volta, mas isso não quer dizer que eu também deseje que o petralhismo se torne uma nova monarquia pelega.

Petralhas pensam assim: se eles patrocinaram um esquema de compra de votos de milhões, não tem problema, afinal o Azeredo também fez um. Se eles se aliam ao Collor e ao Sarney, tudo bem, afinal FHC foi aliado de Antônio Carlos Magalhães e por aí vai.

Pra quem, quando fazia uma oposição raivosa fora do poder, dizia ser tão diferente, até que as ambições desta gente foram bem redimensionadas pra baixo.

Mas vamos prosseguir.

Este apagão não é o fim do mundo, como muitos pensaram, e nem campanha viral pro lançamento do filme 2012. Além daqui do Brasil mesmo, apagões gigantescos já aconteceram mundo afora e nem por isso os países que os sofreram são melhores ou piores do que algum outro.

Tirando os regimes "socialistas" apreciados pelos intelectualóides, pelegos e vagabundos ditos de "esquerda" como os de Cuba ou Venezuela, cortes de energia e limitações ao tempo de banho do cidadão são coisas raras e inusitadas.

O que mais chama a atenção neste apagão de 2009 no Brasil é a total falta de preparo do governo para lidar com situações assim. Não existe um sistema eficiente de detecção dos problemas, não existem linhas de comunicação com a população que possam simplesmente dizer "está acontecendo isso, por causa disso" e, o mais gritante, não temos nenhum "Plano B".

Caso o conserto deste problema durasse, digamos, 2 dias, seriam dois dias inteiros sem energia nas regiões afetadas, porque a despeito de pagarmos o tal "seguro apagão" compulsoriamente nas contas de luz e a despeito dos milhões e milhões gastos na construção de caras usinas termo-elétricas, não existe um "backup".

Isso demonstra o país virtual e de improviso, o país da propaganda ufanista mistificadora que é construido pelo PT há 8 anos.

Comemoramos o direito de sediar uma Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada como se nossas cidades não fossem caóticas, favelizadas, sujas, poluídas e violentas.

Estamos prestes a distribuir "Bolsa Cinema" e "Bolsa Celular", enquanto boa parte da população vive em favelas, dominadas por bandidos e agredindo o meio ambiente e a paisagem com suas ocupações irregulares.

A candidata oficial, já inclusive em plena campanha ao arrepio completo das leis, dizia em outubro que o Brasil estava "a salvo de um novo apagão elétrico".

O mega-apagão de Novembro mostrou o apreço que a ministra e o governo tem pela verdade.

Assim como as obras do PAC, inauguradas no papel e paralizadas em sua grande maioria.

Assim como nossa infra-estrutura caótica. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro é um belo exemplo. Em 2007 passou por uma reforma que dispendeu milhões. Hoje está sucateado e necessitando de mais uma reforma.

O Maracanã, estádio que receberá a final da Copa de 2016, já foi reformado umas 2 ou 3 vezes nos últimos anos. Será fechado para mais uma reforma milionária em Dezembro.

Tudo que se apresenta como cara e difícil "solução definitiva", mostra-se uma bela gambiarra provisória no final das contas.

É bolsa isso, é bolsa aquilo. Pintam-se barracos de favelas, distribuem geladeiras para as camadas mais pobres. Doam-se mimos para servir como "cala a boca" para a população e enquanto isso todo um país jaz por fazer.

A economia melhorou? Sim. Fruto de uma política de estado de longo prazo que é baseada no tripé metas de inflação, câmbio flutuante e uma maior disciplina fiscal.

Se o PT tem um mérito nestes seus 8 anos de reinado, é o de não ter feito o que prometia quando era oposição e deixar a política econômica intocada.

Um novo presidente, que possa dar um passo adiante dos avanços que o país viu nestes últimos anos é necessário. Mais PT será mais mensalão, mais Sarney, mais fisiologismo, mais "toma lá, dá cá", mais desvios éticos relativizados por um discurso ufanista-mistificador.

Esse país do faz-de-conta precisa tornar-se um país real e para isso precisa se desvincular da imagem e do projeto personalista de um presidente que pensa que o Brasil é o PT, seu feudo intocável.

Um novo presidente não seria louco de mudar tudo, mexer no que funciona, assim como o PT não teve coragem de cumprir o que prometia e não deu o famoso calote no FMI, não mudou o regime de metas de inflação, a política monetária e nem os fundamentos que ajudaram o país a sair da crise financeira que assolou o mundo em 2008. Ninguém quer voltar ao passado.

Este apagão jogou uma luz sobre o Brasil e ela mostra claramente que não é hora de mudar tudo e nem de retroceder, mas de dar um passo adiante, mantendo o que está dando certo até aqui.

Que tenhamos a coragem de faze-lo.
 
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