quarta-feira, 31 de março de 2010

Faço coro: não doe nada para as ONGs

Calma! Não comece a me tratar como se eu fosse um vendedor da Sinaf querendo te passar um plano funerário na sua festa de aniversário. Sei que existem algumas - poucas - ONGs que são sérias e que dependem de ajuda para fazer seus trabalhos, mas não sejamos inocentes em acreditar que todas são, porque senão vou te oferecer um excelente negócio com um herdeiro nigeriano.

Lendo um excelente artigo do professor Demétrio Magnoli, no qual ele jogava uma luz sobre a real situação da miséria no Haiti e exortava quem lesse para que não doasse dinheiro àquele país, porque este numerário fatalmente cairia no buraco negro das ONGs, eu percebi como essas entidades muitas vezes obscuras alimentam-se da pobreza global para existir.

Não é uma afirmação insensível essa, apesar de parecer assim de primeira. Podemos dizer que as ONGs só existem porque existe pobreza, mas será mesmo que essas entidades, algumas milionárias, querem mesmo erradicar o que lhes dá sustento?

Destaco um trecho do artigo do professor Demétrio sobre o Haiti que me parece primordial para o entendimento do problema que são as ONGs:

"O dinheiro arrecadado não chegará nunca às pessoas que perderam o quase nada que tinham. Será desviado para financiar os intermediários entre o mundo e o devastado país caribenho: as ONGs internacionais, às vezes associadas à diminuta, cleptocrática elite haitiana. Já era assim antes do terremoto (...) o Haiti é um protetorado da ONU governado pelas ONGs. Obviamente, existem ONGs bem-intencionadas, mas não é esse o ponto (...) as pessoas não têm direitos, a não ser o de aguardar na fila até que o funcionário de uma ONG lhes estendam um prato de comida. É assim há anos, bem antes do terremoto."

Será que, de posse dessas informações, sustentar ONGs e apoiá-las é uma idéia tão boa assim? Você que me lê, gostaria de uma vida assim para sua família?

Para vocês terem uma noção, até o Viva Rio (!!!) está no Haiti, como se já não houvessem pobres suficientes para eles aqui no Brasil.

Isso aliás lembrou bem uma história que ouvi de uma pessoa que trabalha no serviço público junto às populações que beiram o lumpesinato, se já não estão nele totalmente. Ela contou que precisava por vezes apartar as brigas de ongueiros, dizendo para eles que "tem pobre pra todo mundo".

Numa excelente abordagem do assunto, o filme "Quanto vale ou é por quilo?", do diretor Sérgio Bianchi, mostra sem muitos rodeios o absurdo que é a falência das instituições nacionais no Brasil e a sua paulatina substituição pelo assim chamado "Terceiro Setor".

Assim como no Haiti, somente a ausência de um estado possibilita o caldo de cultura para que essas entidades atuem. Assim como no Haiti, imensas populações no Brasil dependem dessas ONGs para comer, estudar, vestir, receber tratamento médico e, claro, essas mesmas ONGs recebem muito dinheiro de doadores privados e públicos para substituir o estado em suas obrigações.

É uma imensa engrenagem de marketing, logística, solidariedade subvencionada.

Aí me pergunto: é realmente uma coisa boa? Ou isso é um imenso mercado que movimenta milhões ao redor do planeta e que mais se assemelha a uma máfia? Só que ao invés de traficar escravos, drogas ou explorar a prostituição, esta é a máfia da pobreza.

São empresários, profissionais enjeitados pelo mercado e pelo serviço público e aproveitadores que, repito, se não perfazem a totalidade dos "ongueiros", pelo menos constituem uma grande porção destes.

Toda essa gente sustentada como nababos a partir das doações que a miséria e a ausência do estado proporcionam, teria qual interesse em promover a erradicação da miséria e o retorno do estado?

É por isso que faço coro, mais uma vez, ao professor Demétrio e digo: eu não dou dinheiro para ONGs (e se faço, procuro conhece-la bem mais do que sua propaganda conta) e espero que, uma vez sabendo disso tudo, todas as pessoas pensem bem antes de fazê-lo também.

terça-feira, 30 de março de 2010

Casados, mas cada um na sua casa

Faz um tempinho eu li uma reportagem contando que o diretor de cinema Tim Burton e sua esposa, Helena Bonham Carter, embora casadíssimos moram em casas separadas.

Bem, na verdade não tão separadas assim, eles compraram três casas e as interligaram, uma para cada um e uma terceira para os filhos, que moram com uma babá. Eles se referem à tal divisão como "territórios separados".

Segundo declarou Helena, "Eu falo, ele ronca. Além disso, meu marido sofre de insônia, por isso tem ver TV até dormir, ao passo que eu preciso de silêncio". Além do que, eles contam, as casas tem decorações bem diferentes, cada uma ao estilo do seu "dono".

Estranho, né? Nem tanto.

Na minha opinião o maior problema disso aí é o financeiro. Duas casas, dois condomínios, dois IPTUs, conta de luz, água, telefone, etc. Mas isso é um problema para pobres mortais, não para o Tim Burton, apesar de saber que o conceito "casados, mas cada um na sua" não está restrito a ricos e excêntricos. Pobres, malucos e torcedores do Botafogo também podem querer isso perfeitamente.

E tirando esses obstáculos pecuniários, só vejo alegria nessa solução.

Primeiro porque para dormir junto e fazer sexo ninguém precisa morar na mesma casa, dorme quando quer, transam quando ambos querem. Filhos? Aposto que adorariam a idéia de uma TV em cada sala. Depois porque assim como falou a esposa do Tim Burton, as pessoas tem hábitos e gostos diferentes e isso não precisa necessariamente mudar só porque casaram.

Um dorme tarde demais, o outro acorda com as galinhas. Um gosta de paredes escuras, o outro de cores berrantes. Um ouve som alto demais, o outro prefere música ambiente de consultório dentário. Se o dinheiro permitir, porque não morar, por exemplo, em apartamentos geminados?

Coloca-se uma daquelas portas duplas que encontramos em quartos de hotel, cada um abre ou fecha a sua e pronto.

Porque todo mundo tem seus dias de mau humor, de TPM, de Galvão Bueno e o outro não precisa ficar esbarrando na nossa chatice o tempo todo dentro de casa. Quando estão na boa, um convida o outro pra jantar, pra ver DVD na sua "casa". Quando estão de xarope, fica cada um na sua e com a porta fechada.

Se pensarmos bem, é uma evolução dos "dois banheiros", que já era uma evolução das "duas pias".

Cada um tem seu ritmo, seu jeito e nem por isso ama menos o outro, pelo contrário, desse jeito o amor pode até crescer, já que saudade é um bom elemento nisso tudo.

Eu ia adorar não precisar esconder minha coleção de cachimbos, continuar a ter móveis que mais parecem do meu avô e escutar Kiss no último volume. Ela, bem, poderia fazer até reuniões da Amway em casa se quisesse, porque não me incomodaria em nada.

Quase todo casado reclama bastante da tal "convivência". O que seria isso? Bem, "convivência" é aturar toalha molhada em cima da cama, calcinha pendurada na torneira, aquela fruteira horrorosa que alguma tia deu de presente no casamento, o Jornal Nacional e a novela das 8. Convivência é esbarrar no mesmo corredor 2, 3 vezes por dia. Todo dia.

Morando em casas separadas porém no mesmo andar, uma ao lado da outra ou uma em cima da outra, você tem dois corredores, duas TVs, dois quartos, duas toalhas molhadas, só não é de bom tom duas cuecas ou calcinhas, porque aí já vira relação aberta e isso é papo para outro dia.

Desse jeito, a gente se esbarra quando quer, mais ou menos como acontece num namoro, e não dizem também que o maior segredo dos casamentos longevos é "tratarem-se como eternos namorados"? Pois é, esta seria uma bela mãozinha.

domingo, 28 de março de 2010

Porque já sei em quem não votarei

Com a proximidade do fim do BBB 10, talvez agora o povo brasileiro comece a se interessar um pouco mais pela eleição que decidirá o futuro do país pelos próximos 4 anos e, bem mais do que isso, a cara que o Brasil terá pelas décadas que estão à frente.

A senadora Marina Silva reclamou da espécie de gincana entre realizações presentes e passadas que está se fazendo entre os governos do presidente Fernando Henrique e do presidente Lula, transformando a eleição numa espécie de plebiscito.

Mas não é bem assim.

Somente aos petralhas interessa fazer esta comparação. Não tanto pelas qualidades ou defeitos de ambos os governos, mas principalmente porque sua candidata não tem o que mostrar. E esta é a primeira razão pela qual eu digo que meu voto, um dos poucos e singelos representantes do que ainda possuímos de cidadania no Brasil, não irá para a candidata oficial.

A forma com que o presidente Lula ungiu alguém de seu círculo pessoal à condição de presidenciável, muito mais pela sua vontade pura e simples do que pela preocupação em eleger um quadro que pudesse governar o Brasil é absurdamente chocante.

Não que o PT possua coisa muito melhor. Não possui. Mas dentre os verdadeiros desastres que são os políticos daquele partido que foi carcomido pelo poder, tal qual um navio exposto aos efeitos da maresia, existem governadores, senadores de longos mandatos, prefeitos, enfim, políticos que, se igualmente representam atraso, pelo menos possuem alguma luz própria e mais rodagem em atividades políticas e também nas urnas do que a "Criatura Eleitoral" de Lula.

Nem perderei muito tempo aqui falando do passado da candidata oficial como terrorista de esquerda e das suas amizades com ideólogos da "linha dura" do PT, esta gente que só não "engoliu" Lula porque este não é uma invenção de gabinete como é Dilma, e que só espera a chegada desta invenção do presidente ao poder para instalar ali um verdadeiro politburo bananesco.

A arrogância de um líder que, do alto de seus quase 80% de aprovação, pensa que pode tratar sua sucessão como se fosse uma entronização, é mais um dos motivos pelos quais eu não votarei na candidatura oficial.

Nestes últimos anos, o Brasil melhorou em diversos indicadores, não há dúvida alguma disso. Mas também não existe nenhuma dúvida de que isso só se deu porque o PT não cumpriu o que prometia enquanto era oposição, porque não levou a cabo idiotices como romper com o FMI, com a política cambial, com a responsabilidade fiscal, entre outras políticas que mantiveram o país dentro de um projeto maior do que partidos.

Mas tudo isso é olhar para trás, ainda que este "lá atrás" seja o ano passado. Uma eleição decide o que acontecerá no futuro e é neste cenário de manter as conquistas dos últimos 15, 16 anos e ir mais adiante, que escolheremos o próximo presidente.

E justo neste momento, nesta encruzilhada tão importante para a história do nosso país, o atual presidente oferece à nação a pessoa mais inexperiente, despreparada e, segundo muita gente que conviveu com ela relata, destemperada para a missão que jamais poderia escolher.

O que além da arrogância de alguém que zomba da justiça eleitoral e do processo democrático poderia justificar isto? Não, não pretendo escolher um Capitão Hereditário, pretendo escolher o Presidente da República e não será um acólito de ninguém a melhor pessoa para esta missão.

Junte-se a isso propostas que o PT tem como primordiais no seu projeto de poder, como controle da imprensa, inchaço do estado, apoio à vagabundagem no campo através do MST (que inclusive já avisou que fará uma guerra no campo em defesa de Dilma) além do cenário de batalha criado por professores fazendo greves políticas e chegando a queimar livros, o incômodo apoio a países como o Irã, que negam o Holocausto e oprimem suas oposições.

Perseguição a opositores que aliás também é prática comum em outros amigos do PT como Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador. Tudo isso cria um cenário que nos faz pensar: serão estas as últimas eleições realmente livres e com real oportunidade de alternância de poder que veremos no Brasil em muitos anos?

Não sei. Espero sinceramente que não. E é por isso mesmo que ainda não decidi em quem votarei, mas já tenho uma certeza cristalizada de quem não levará meu voto e esta pessoa é a brincadeira de mau gosto que Lula tenta empurrar pela goela do país abaixo, só pra mostrar que é realmente "O Cara" e que elege até alguém pior do que um poste como sua sucessora.

sábado, 27 de março de 2010

Dilma é um poste? Por favor! Não ofendam o poste!


Como podem notar pela comparação, um poste comum seria bem menos nocivo na presidência do que o poste do Lula.



Excelentíssimo Senhor Presidente da República, o Poste.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Caso Nardoni: um país de peritos

Escrevo esse post talvez horas, talvez dias antes de ser proferida a sentença do júri popular do "Caso Isabella". Se o pai da menina e sua madrasta serão absolvidos ou condenados, ainda não sei, mas seja qual for o desfecho desse julgamento, uma coisa é certa: eu fico grato que este espetáculo nauseante esteja próximo do seu fim.

Dizem que todo brasileiro é um técnico de futebol. Depende, depende muito. Se uma Olimpíada estiver em andamento, é possível que cada brasileiro torne-se um especialista em ginástica olímpica e seus duplos twists carpados. Como a história da vez é o julgamento do casal Nardoni, que muito propriamente observado pelo blogueiro Gravataí Merengue somente rivaliza em atenção e em comportamento do "povo" com o BBB, cada brasileiro tornou-se um jurado e, mais ainda, um perito criminal.

Assisto horrorizado aquela multidão de desocupados na frente do Fórum de Santana com a certeza de que o Brasil é um país praticamente incorrigível. Somos uma nação composta de pessoas que possuem verdadeira obsessão pela fuga da realidade.

Acreditamos que ir às ruas para exigir o impeachment de um único político, como ocorreu com Fernando Collor, iria redimir séculos de corrupção, ineficiência estatal e descaso. E depois de um tempo, até elle já voltou à ativa.

Achamos que comentar no botequim ou num salão de beleza a nova "campanha social" estimulada por alguma novela é um ato de cidadania corajoso e determinante.

Acreditamos poder redimir uma consciência coletiva vira-lata votando nos paredões do BBB. "Vamos tirar aquele mau-caráter" grita alguém no momento de um paredão. Não tem um que, lembrando o mestre Nelson, não tenha o impulso de olhar por sobre o ombo quando ouve o "mau-caráter".

Aí quando percebe que o dedo apontado não era para si, lá vai o feliz brasileiro apontar o seu para os outros.

Esse Caso Nardoni é um bom exemplo disto. Vejam, não estou dizendo aqui que eles são culpados e muito menos que são inocentes, não entrarei nesse mérito espinhoso que nem peritos de verdade conseguem determinar com certeza. Vou falar do que posso.

E o que vejo são "populares" fazendo escândalo na porta do Fórum, todo mundo ali limpando seus pecados na pia batismal da catarse coletiva, junto com os histéricos na internet.

Um experiente perito classificou as afirmações da polícia e do Instituto de Criminalística como "hollywoodianas", dizendo ser impossível baseado numa marca de tela em uma camiseta determinar que a pessoa "carregava um peso de mais ou menos 25kg". Disse ainda que a tal camiseta só foi colhida 9 dias depois do crime, por falha da investigação, e que "prova tardia não condena ninguém em lugar nenhum".

Só isso, e o comportamento no mínimo midiático do promotor do caso, já seriam suficientes para deixar qualquer pessoa preocupada devido a forma com a qual o processo foi conduzido. Repito: não sei se são inocentes, mas baseado no que foi apresentado até aqui, também não sei se são realmente culpados.

E já que é pra ser hollywoodiano, onde há uma "dúvida razoável", não deve haver condenação, não é mesmo? Porque o tal clamor popular para mim nesse caso vale tanto quanto latidos de uma matilha de cães sarnentos ou, figura mais apropriada para este caso, como zurros.

Qualquer pessoa que possua polegares opositores e cérebro funcional deveria se alarmar com isso. Deveria imaginar-se nesta mesma situação. Sendo acusada de algo por uma polícia que se não é totalmente corrupta, também não é totalmente confiável e tendo contra si a torrente de imbecis que sempre se une para "clamar" coisas no Brasil, para usar casos isolados como desencargo da falida consciência nacional.

Ninguém vê multidões e nem mesmo pequenos grupos na frente do Fórum quando o Fernandinho Beira-Mar aparece para suas audiências, onde será julgado por mais algum assassinato com requintes de crueldade. Tantos crimes bárbaros, tantas injustiças todos os dias, e o tal clamor popular geralmente ocupado com algum reality show ou com as finais do futebol.

Nenhuma manifestação contra o Sarney. Mensalões? Tirando as badernas organizadas e a soldo, nada.

Pra mim, toda essa caterse coletiva ocasional, essa sanha condenatória, nada mais é do que forma de expiar culpas. É a manada sacrificando um dos seus às piranhas, somente para continuar no seu mesmo passo moroso, ruminando capim e golfando sua baba lustrosa.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Liberdade quer dizer liberdade

Sei que esse texto vai me causar algumas dores de cabeça, sei que vão me acusar até de ter assassinado Ghandi. Sei também que ainda tentarão colocar John F. Kennedy, Martin Luther King e o surgimento dos comerciais da Polishop na minha conta, mas tudo bem, é o preço de nadar contra a tal correnteza.

Estava lendo um texto da Ann Coulter ("Opa!" - muitos dirão - "Tá explicado o 'radicalismo' desse rapaz") onde ela contava os problemas que teve durante a preparação de uma visita que faria ao Canadá para dar uma palestra. A parte que me chamou a atenção especificamente foi a que ela conta ter recebido um email de um "progressista" advertindo-a para as leis canadenses que coíbem o "discurso de ódio".

Mais tarde esses defensores da liberdade fizeram um quebra-quebra na porta do auditório aonde ela falaria, acionaram o alarme de incêndio e ela não pode fazer seu discurso. Como notam, esses defensores da liberdade detestam a liberdade alheia.

Antes de mais nada deixem-me explicar quem é Ann Coulter. Ela é uma americana loiraça, bonita, bem educada, considerada uma das principais vozes do Partido Republicano e, mais ainda, do movimento conservador nos EUA.

É conhecida pela virulencia com que trata os assim chamados "liberais" por lá (aqui seriam os esquerdopatas mesmo) e por não ter nenhuma papa na língua. Diz o que quer, o que pensa, usando por vezes de um discurso sarcástico, pesado. Mas seu maior crime mesmo é ser bonita, inteligente e conservadora, quebrando o estereótipo obrigatório do velho-acima-do-peso-usando-óculos-e-com-cara-de-bobo que todo "progressista" adora aplicar aos que não concordam com eles.

Só que nos EUA existe e é praticado realmente o conceito de "liberdade de expressão". Lá um negro pode virar para mim e dizer "Seu branco desgraçado! Você e seus antepassados escravagistas mereciam uma cabeça de bacalhau enfiada na orelha!" e nada aconteceria com ele.

A Suprema Corte dos EUA não considera esse tipo de coisa como crime. Crime por lá é roubar, estuprar, sonegar, digirir embriagado. Emitir opiniões, por mais violentas que sejam não é crime. É um direito.

Lá o sujeito pode tatuar uma suástica na testa, que o maior risco que corre é o de ser chamado de ridículo. No Brasil não, aqui isso é um crime seríssimo. Ora, um brasileiro usando uma suástica merece tanta cadeia quanto um japonês no samba, um alemão tocando no Olodum ou o Roberto Carlos na Copa de 2006.

São apenas atitudes que não se encaixam com certas situações, não um crime (tudo bem, o meião do Roberto Carlos foi um crime).

No Brasil (e pelo visto no Canadá também) a liberdade de expressão limita-se à liberdade de dizer aquilo que é considerado apropriado. Ou seja, você pode dizer o que bem entender, desde que sua posição não incomode demais muita gente.

Eu considero inaceitável, por exemplo, que se obrigue pessoas a usar diferentes entradas em prédios, elevadores e até assentos em transportes coletivos baseados na cor de sua pele. Não é algo próprio de uma sociedade civilizada.

Mas não considero crime de forma alguma alguém chamar um oriental de "amarelo" ou um negro de "macaco". Desculpem os metidos a avançados, que acham que isso tudo é coisa de "sociedade atrasada", mas não é. Se me chamam de "cachorro!" ou algum cara barbudo de "bode!" ou ainda um velho roqueiro de "dinossauro!", tudo isso tem peso igual.

Liberdade é você permitir que o outro diga algo até que o ofenda, desde que não caia em calúnia ou difamação, estes sim, crimes previstos na lei de qualquer país civilizado.

Você dizer "seu negro ladrão" a um homem inocente no Brasil, é mais sério pela parte do "negro" do que pela do "ladrão", ou seja, admite-se que o outro seja chamado de criminoso, mas não que se fale da cor da pele.

Já vão logo dizer que esse é um texto que defende o "raciiiiissssssmo" veladamente, mas na verdade não é. Não acho que a cor da pele seja ofensa a ninguém e por isso mesmo não deve haver punição alguma por conta disso.

Se me chamarem de "braaaaaaanco" ou mesmo de "cabeçãããããão" por qualquer razão, o máximo que eu exijo como direito é poder chamar o sujeito do que eu quiser também, desde que não use termos como "corrupto!" ou ainda "Dilma!".

Como disse acima, dividir as pessoas e estabelecer lugares determinados a elas em uma sociedade baseado em cor, credo, classe social, etc, é errado, deve ser combatido com todas as forças antes de tudo por ser uma atitude inumana, mas verbalizar opiniões, sem incitar violências ou imputar crimes ao outro deveria ser normal em qualquer país civilizado.

E antes que apareça algum estudante de direito aí nos comentários me dizendo que a lei "diz isso, isso e isso", eu aviso: sei o que diz a lei, sei que no Patropi qualquer dia será crime contar piada do Joãozinho sob pena de ofender os alunos "menos capacitados", mas o que digo aqui é que não concordo com isso, acho ridículo e extremamente inócuo.

Senão vejamos, nosso país hoje é mais civilizado, menos violento ou menos machista por conta dessas leis estúpidas? Ou tornou-se um lugar de paranóicos, onde uma pessoa acusa a outra de racismo ou injúria até por causa de uma briga no futebol da pracinha?

Tenho mais portugueses na família do que um pote de tremoços e acharia ridículo se de uma hora pra outra surgisse alguma lei contra a "Injúria aos Luso-Descendentes". Sou do tempo em que chamar "bicha" de "bicha" terminava em duas situações: troca de sopapos caso o sujeito não fosse ou então namoro, caso os dois descobrissem uma vocação oculta.

Hoje em dia não, isso também termina em delegacia.

Liberdade de expressão? Nada, no Brasil existe é frescura.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pizzaria por email

Dia desses caiu uma chuva de cachorro beber água em pé, como dizia a minha avó, transformando o Rio de Janeiro numa lagoa.

Bom, isso não é lá grandes coisas, já que se 5 homens urinarem juntos numa esquina a cidade já alaga, mas foi uma senhora aventura voltar pra casa no meio de bolsões d'água, correntes, tsunamis causadas pela passagem dos ônibus, engarrafamentos, pessoas usando buttons "Perca Peso Agora! Pergunte-me Como" e o medo dos arrastões, mas cheguei são e salvo graças a algumas contra-mãos em ruas menos alagadas.

Mas tal qual falam do petróleo em alto-mar, sei que enchentes e alagamentos de cidades mal cuidadas também são patrimônio da União, então não contei novidade alguma até aqui. A novidade vem agora.

Nesse dia cheguei em casa fulo da vida com a minha noite de sábado natimorta devido a transformação da cidade em Atlântida e também com a fome de quem passou duas horas no meio do caos tentando percorrer um trajeto de meia hora.

Recorri ao prato oficial do sábado à noite, que é a pizza delivery. Comecei ligando pro Mister Pizza (aqui no Rio é conhecida) e as entregas estavam suspensas por causa da chuva. Resolvi então procurar outras que não tivessem motoqueiros de açúcar e consegui em outra pizzaria bem conhecida, a Parmê, o curto prazo de três horas para a entrega.

Como eu ainda queria comer a pizza vivo e não precisar de uma sessão espírita para isso, preferi não esperar morrer de velho em casa aguardando a iguaria e comecei a procurar na internet (que ainda bem, funcionava, mesmo com a chuva) e encontrei uma chamada Dona Celeste, que possui um site com aparência da internet 1.0, porém bem simpático.

Eles possuem um campo onde é possível pedir pizza por email. Olhei, ergui as sobrancelhas e "só de sacanagem" resolvi mandar o email encomendando uma. Sério, em uma noite normal eu já acharia surpreendente a pizza chegar, mas naquela noite específica me parecia coisa de ficção científica.

Continuei procurando e não encontrava nenhum lugar que pudesse me ajudar. O pessoal do Twitter me dava incentivo, dizendo coisas como "Nessa chuva?Você nunca vai conseguir!", até que meu telefone tocou e era a "Dona Celeste" (já fiquei íntimo), avisando que meu pedido já estava a caminho.

Senti a súbita necessidade de me desculpar com eles com bastante ênfase. Disse pra moça que eles estavam de parabéns, que eu jamais imaginei que aquele pedido por email fosse sequer recebido por eles, ao que ela me respondeu com um "inclusive hoje, devido à chuva, só estamos recebendo pedidos por email".

Coisa chique a Dona Celeste, não é?

Como sou da época em que as únicas coisas que funcionavam depois da meia-noite eram latido de cachorro e padre pra dar extrema-unção, isso pra mim foi uma surpresa mais do que agradável.

Aprendi a confiar mais em serviços simples oferecidos na internet e não deixo de me perguntar: porque outras empresas não fazem o mesmo? Com a mesma rapidez, eficiência e esmero da Dona Celeste? Tudo foi rápido, indolor e o melhor de tudo: sem nenhum gerúndio em toda a conversação.

A propósito: a pizza estava deliciosa, virei freguês.
 
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