sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ex bom é ex morto?

Alguém já mencionou aquela combinação que alguns casais fazem de vez em quando? Um entra com o pé e o outro com a bunda? Pois é. Ninguém nasce, cresce e sai desse mundo sem passar por uma dessas, ninguém.

A pessoa pode ser bonita, sexy, bem sucedida, desejada por um monte de gente que a conhece, não importa, um dia, alguma hora, em algum lugar vai aparecer aquela outra pessoa que será o seu juízo final amoroso. Vai ser encantadora, apaixonante, vai até dar a entender que existe recíproca e, de repente, a sola do sapato estará atingindo os fundilhos da sua calça.

Não tem quem resista. Essa pessoa vai se tornar aquela que discursamos sobre ela quando bebemos, quando conhecemos alguém novo (como que para estabelecer um parâmetro) ou simplesmente quando vamos na macumba para "trazer a pessoa amada em 3 dias".

Não tem nada mais afrodisíaco do que rejeição. Transforma alguém "mais ou menos" em "uau!" em questão de minutos.

Tive um amigo na faculdade que era o que chamamos de pegador. Bonito, praticante de artes marciais, boa situação financeira, olhos cor de mel, um verdadeiro galã de cinema. Arrumava a mulher que quisesse, onde quisesse, na hora que quisesse.

Sério. Podíamos ir numa dessas boates onde até o suor das pessoas é cheiroso e as moças dão a impressão que são de plástico e não precisam satisfazer nenhuma necessidade fisiológica, dessas que a gente pede licença pra pedir licença e ainda fica com medo de receber um "não", sabem como é? Então, se esse meu amigo fosse numa boate dessas, certeza que pegaria alguém.

Esse era o nível do rapaz.

Até que um dia, pasmem, numa festa junina da faculdade, lá pelas 2:00 da madrugada a frequência não estava das melhores e o nosso herói apolíneo avistou uma mocinha com suas amigas num canto.

Ela não era nada demais. Morena, rosto normal, corpo igual a de outras 300, nem melhor e nem pior, a popular "sem graça". Tinha até umas orelhinhas de abano, mas não era feia. Ele resolveu que ia "ficar com ela". Mas o tom que usou avisando aquilo para nós foi algo próximo de um "vou ali fazer um favor para aquela menina e trocar minha saliva olímpica com a dela".

Foi lá, conversou, deu a clássica puxadinha pro canto e quando ia "finalizar" percebeu que uma das mãos da moça estava sobre seu peito, afastando-o e jogando a pá de cal com uma verdadeira criptonita verbal: "não".

Pera aí, como é que é? Não? Se a gente não acreditou, imagina ele. Foi algo como "pera aí, você está me dizendo não?!". E ela "É, não.".

Ele teve que perguntar "Porque?" e ela "Por nada, só não estou afim".

Sabem amor ao primeiro "toco"? Pois é. Aconteceu com ele. Subitamente ela passou a ser a mulher mais linda e desejável do mundo, ele queria porque queria. Saía e ficava pelos cantos, só falava nela, a muito custo arrumou o telefone, ligava, galanteava, chamava pra sair, quase que se oferecia pra comprar uma segunda chance e nada, a menina não queria mesmo, não era joguinho, não era estratégia, ela simplesmente achava que aquele grande prêmio não valia nem uma raspadinha.

"Cara, não me leve a mal, mas você é muito playboy, é muito metido e eu não gosto de homem assim".

"Mas então você está me dando o fora porque me acha bonito demais pra você?"

"Não, eu não te acho feio nem bonito, você é normal, é que eu não quero mesmo, não bateu, o que quer que eu faça?"

E nunca saiu disso, até que ele desistiu, só que nunca mais exibiu aquele ar de triunfo outra vez, tinha perdido uma e pra um time que ele considerava de "segunda divisão".

Com relacionamentos acontece o mesmo. Ninguém ama o outro da mesma forma que é amado, o amor não pressupõe equilíbrio. Existe a troca, amor por amor, mas a quantidade não está no contrato.

Mas nem sempre o lado que recebe o menor quinhão é o que sofre mais no fim. Quem é mais presente, mais carinhoso, mais amoroso, geralmente fará mais falta do que o que é mais distante.

Ninguém sente saudade das nossas ausências.

E nada pior num fim de relação do que encontrar o outro já bem, sem demonstrar a menor saudade de nós, resolvido, "em outra". Nós podemos até estar numa boa também, mas a idéia de que não fazemos tanta falta quanto achávamos é dolorosa.

O ressentido não se dói porque alguém está melhor do que ele, mas porque não está pior.

Daí a minha adaptação de uma frase muito popular que ouvimos toda hora, que "ex bom é ex morto", que eu acho de péssimo gosto. Não quero ninguém morto, quero todo mundo vivo. Primeiro porque seria dramático demais e segundo porque morto não sente falta de ninguém, a gente é que acaba sentindo.

Prefiro dizer que ex bom é bem vivo, de preferência embarangado e com alguém bem pior do que nós.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Adoção de crianças por casais homossexuais

O STJ, em decisão histórica, reconheceu o direito de um casal homossexual adotar uma criança e registrá-la como sua filha. Esta decisão encerra uma questão polêmica e que acende paixões, mas que deve ser comemorada na minha opinião.

Ser gay, ao contrário do que dizem e acreditam algumas pessoas, não é uma opção, não é uma doença, não é uma degeneração, não é um atestado de incapacidade social, cultural ou familiar. Quem é gay o é independente de sua vontade.

Quantos casais heterossexuais maltratam seus filhos, abandonam suas crianças, negligenciam, abusam, roubam suas infâncias das mais variadas formas? Isso quer dizer então que heterossexuais devam ser considerados incapacitados para adotar crianças? Não. Isso quer dizer que ser homo ou hetero são não são prefixos que nos permitam fazer qualquer avaliação justa.

A imoralidade, a corrupção, a indecência de comportamento é compartilhada por heterossexuais e homossexuais, não sendo portanto relacionadas à sexualidade de ninguém.

Dito isto, podemos pensar na situação das crianças órfãs e abandonadas que estão espalhadas por todo o nosso país, ponderando lucidamente sobre o destino que desejamos que elas tenham.

Em condições normais, um casal heterossexual deve sim, ter a preferência na adoção de crianças, pelo simples fato de ser o mais próximo de uma "família" que essas crianças conhecem e conhecerão no decorrer de sua vida. Isso não é preconceito, isto é um fato.

Sendo bons pais e boas mães, o questionamento das próprias crianças e posteriormente do seu círculo social será infinitamente menor e isso deve ser levado em conta, ainda que esta opinião possa desagradar algumas pessoas.

Mas se um casal homossexual tiver melhores condições de dar a esta criança uma infância feliz, educação, saúde e, principalmente, amor, não vejo razão para que esta adoção seja impedida sob qualquer pretexto.

Casais heterossexuais saudáveis optam por ter seus próprios filhos. É um instinto e um sonho que ninguém pode condenar. Por este motivo sobram menos famílias dispostas a adotar crianças do que o contingente delas que se amontoa em orfanatos e instituições semelhantes pelo país.

Logo, por mais diferente e estranha que possa parecer a situação de uma criança sendo criada por dois pais ou duas mães gays, esta é uma situação que não é nem de perto tão cruel como a realidade destes meninos e meninas que estão por aí abandonados, muitos nas ruas, sem um lar que possa ajudá-los a se transformar em homens e mulheres que estarão inseridos na sociedade como indivíduos produtivos, felizes, enfim, como cidadãos e não frias estatísticas.

Homossexualidade não é "contagiosa", homossexualidade não se ensina. Se valesse essa regra, o contrário também valeria e veríamos por aí vários cursos "ensinando" como a pessoa pode se tornar heterossexual.

Pode acontecer de alguma criança adotada por um casal homossexual vir a ser homossexual na idade adulta? Sim. Mas não será por conta dos pais e sim porque ela assim seria em qualquer ambiente, em qualquer família.

O normal será esta criança viver num ambiente onde haverá amor, condições financeiras para que ela tenha educação, lazer, saúde. Claro que ela verá brigas, desarmonia, períodos mais difíceis da vida. Mas qual família não passa por tudo isso? O mais importante é que ela terá em seus pais (ou suas mães) aquelas pessoas com as quais sabemos que podemos contar, nosso porto seguro para todas as horas, nosso lar.

Seria muito cruel que o estado, em nome de valores supostamente morais que estão ultrapassados e são insensíveis a problemas reais, impedisse que pessoas psicológica e financeiramente capazes pudessem amar, ser amadas e dar a uma criança a oportunidade de ter uma infância feliz e uma vida plena.

Venceu a razão.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ler dá sono

Em Fevereiro deste ano, Zuenir Ventura escreveu um artigo que me agradou tanto que guardei numa pasta de recortes que coleciono (sim, tenho essa mania de velho).

Ele falava sobre como nossas escolas abdicaram da tarefa de formar leitores para, com sua imposição aos alunos de livros densos demais ou datados demais, formar pessoas que simplesmente odeiam livros, que preferem resumos só "pra fazer a prova" e dessa forma se afastam cada vez mais da educação e cultura.

Num país onde o presidente diz sem nenhuma vergonha que "lê pouco porque dá sono" e que "prefere ver novelas na televisão", não é de se espantar que a indigência cultural seja essa nuvem de gafanhotos que temos, mas o que será que é feito para estimular a leitura?

Ontem eu estava no MSN e uma conhecida que está se preparando para outro vestibular e veio me pedir um bom resumo de "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", porque ela simplesmente não conseguia ler três páginas seguidas sem querer marcar um tratamento de canal com o seu dentista para se "divertir mais".

E isso acontece com todos nós em algum ponto da vida. "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Iracema", "Memórias de um Sargento de Milícias", "O Ateneu", "O Cortiço", entre outros, pulam de repente na nossa frente trazendo consigo um prazo: uma semana até a prova.

Ficamos meio atônitos e chocados, porque nem em um ano conseguiríamos a força de vontade suficiente para ler aquelas páginas abafadas e que tão pouco tem a ver com nosso cotidiano.

Não estou aqui questionando (e nem mesmo defendendo) o valor literário de tais obras, isso vai da opinião de cada um. O que questiono é se esses livros são realmente os mais adequados para criar num jovem o hábito e, principalmente, o amor pela leitura.

Numa época em que temos disponíveis TV a Cabo, internet de banda larga, You Tube, Twitter, Orkut, cinema em 3D, tantos recursos audiovisuais, é quase impossível fazer alguém gostar dos bons e velhos livros se o que as escolas oferecem como porta de entrada para a literatura são obras com linguagem e ambientação tão pouco atuais quanto "Senhora", por exemplo, que tem trechos assim: "Os olhos grandes e rasgados, Deus não os aveludaria com a mais inefável ternura, se os destinasse para vibrar chispas de escárnio. Para que a perfeição estatuária do talhe de sílfide, se em vez de arfar ao suave influxo do amor, ele devia ser agitado pelos assomos do desprezo?"

Lembro bem quando precisei fazer uma prova sobre "O Alienista", da força de vontade necessária para não me matar engolindo as páginas do livro e olha que nem é um livro tão grande.

Mas a questão maior é: porque não começar por onde os jovens encontrariam eco do que vivem naquelas páginas?

Temos como bem disse Zuenir Ventura em seu artigo, Fernando Sabino, Rubem Braga. Mas vou mais adiante e cito Nelson Rodrigues (porque não?), Rubem Fonseca, Lívia Garcia-Roza, João Ubaldo Ribeiro, são tantos, com temas e estilos atuais, que "prenderão" os jovens à leitura com argumentos muito mais construtivos do que "senão vai tirar um zero na prova".

Muito se fala no "prazer da leitura", mas seria desejável que esse tal prazer fosse ensinado aos que nele iniciam com algo diferente de uma sessão de torturas. Talvez assim todos descobrissem que livros servem para a vida toda e não pra "passar de ano".

Os anos passam, a educação fica.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Homem só quer uma coisa...

Quem nunca ouviu isso? Que "todo homem, independente do que diga, só quer comer a mulher"?

Sua variante acontece no pós-sexo, quando o cara fica naquela ressaca característica do orgasmo masculino, meio arredio, e ela manda na lata "agora que já conseguiu o que queria vai ficar aí esquisito, né?"

Eu sei que é cultural, quase um arco-reflexo, mas dá uma vontade danada de perguntar "O que eu queria? Porque? Você não queria também?".

É que nem aquela história de "só saí pra dançar". A menina se arruma, coloca um vestidinho matador, decote perfumado, salto alto, unhas dos pés pintadas como quem diz "rapaz, você ainda não viu nada", e diz que só está ali pra dançar e que acha "um saco" os homens paquerando. Eu sei que na maioria das vezes é charminho, mas tem umas que acabam acreditando mesmo nisso.

Mulher é pra ser valorizada, é claro. Eu as considero heroínas, porque tem atração verdadeira por algo tão sem graça e pouco harmonioso quanto os homens, mas uma coisa é valorizar, outra é super valorizar.

Que ela não saia por aí pegando qualquer um, dando pra qualquer um, não é somente aceitável como é desejável e evita desde micoses até filhos com jogadores de futebol que depois não vão querer pagar pensão, mas tratar o ato sexual como se fosse a arca perdida do Indiana Jones é meio sacal.

Até no reino animal quando cessa a dança do acasalamento, a fêmea escolhe o macho e pronto, terminam aí os 12 Trabalhos de Hércules. Já imaginaram a leoa atrás do leão assim "Agora que você já conseguiu o que queria e me comeu não diz mais que a minha juba é a mais bonita da selva, o que é? Tá de olho na mulher do tigre?".

Com as mulheres não, muitas adotam aquela postura "estou te fazendo um favor, te dando algo muito precioso, faça por merecer senão eu não faço mais o sacrifício", quando nós sabemos muito bem que elas gostam tanto de sexo quanto nós.

Não faço aqui a defesa do sujeito que depois que passa o namoro engorda 30 quilos, passa o final de semana vendo TV na sala e pedindo que ela traga a cerveja. Todo relacionamento é uma conquista diária e assim como o cara gosta da sua mulher bonita, cheirosa e de bom humor de vez em quando, elas também gostam de um cara de banho tomado, sem unhas pretas e que não tenha uma barriga que lembre a tia dela depois de parir o sexto filho.

Mas caso você não tenha conhecido um Adônis e hoje ele tenha virado um Rei Momo, caso hoje ele tenha resolvido dormir depois de transar ou tenha preferido ver a final da Copa do Mundo ao invés do Balé da Inguchétia, acredite: não é porque ele só queria te comer e agora está te tratando como lixo. Pode ser que ele só não esteja num bom dia (pra você).

No final das contas, o que vou dizer vale para ambos: Foi por vontade própria? Foi gostoso? Então tá no lucro. Se for bom mesmo e valer a pena, garanto que vai ter bis, um atrás do outro, até que um dia você acorde desejando aquela pessoa quase como no primeiro dia e vendo que já se passaram bons anos juntos.

No fundo, tanto os homens quanto as mulheres só querem uma coisa: reciprocidade. Pratique.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

E nos livros de história petralhas...

Não existe partido de direita no Brasil

Direita x Esquerda: velha e interminável disputa.

Historicamente esses termos surgiram durante a Revolução Francesa. O chamado "Terceiro Estado", alta e média burguesia e setores mais "populares", sentava-se à esquerda do rei, enquanto os aristocratas e o clero sentavam-se à direita.

Somente após a revolução e a queda da monarquia é que essa divisão passou a ser usada para separar girondinos (a burguesia, temerosa de uma radicalização da revolução) e jacobinos (que desejavam esse aprofundamento revolucionário).

Talvez essa filigrana histórica sirva para explicar o porque da minha opinião sobre não existir partidos de direita no Brasil. No final das contas são todos esquerdistas que temem quase como um xingamento a palavra "direita". Fazendo o papel da derrotada "monarquia" francesa, podemos perfeitamente encaixar a ditadura militar, aquele indesejável e longo período de estagnação política e intelectual.

Carlos Lacerda talvez tenha sido o último grande político a representar a tal "direita" na forma como vemos em vários países europeus e nos EUA.

Após a queda da ditadura e a ascensão da "Nova República", todo mundo no Brasil virou "de esquerda" ou como eles adoram dizer "progressistas". Não temos em nosso amplo leque partidário nada parecido com a divisão Democratas x Republicanos, Trabalhistas x Conservadores, Democratas-Cristãos x Sociais-Democratas.

Isso é estimulado pela postura de nossa mídia, que se arvora em satanizar qualquer proposta política que ouse chegar sequer nas cercanias do outro lado do corredor. Ninguém quer ser associado ao que é quase um palavrão, uma ofensa, "direitista!".

E devido a esta excrescência, o que sobra como "direita" no Brasil são políticos corruptos que abraçam um falso conservadorismo, com viés mais de "moral e bons costumes" e religioso ou então o "rouba mas faz".

Nada que chegue perto do que realmente representa a direita mundo afora, que é a defesa do estado não mínimo, mas concessor e fiscalizador, das liberdades individuais, do mérito, do anti-peleguismo, de um governo voltado para o cidadão médio e não para essa "sindicatocracia" da qual a esquerda se utiliza para criar novas elites e aparelhar o poder público.

No Brasil isso se manifesta na postura coitadista de todas as esferas de governo, na tolerância com o informal, com a desordem. O melhor exemplo é o Rio de Janeiro, desde sempre afeito às "esquerdas" e governado por suas mais diversas matizes. Uma cidade favelizada, tomada pelo informal e pelas pragas urbanas, porque desde sempre satanizou a remoção de favelas, o combate à camelotagem, a aplicação mínima das posturas municipais.

Remover favelas, combater vans e camelôs é "lacerdismo", é coisa de "direita". Vive-se então com o caos e o desconforto de uma das cidades mais problemáticas do país. Esquecem que o tal "lacerdismo" evitou que a Lagoa hoje fosse tomada por favelas em seu entorno e construiu o sistema que até hoje, sem quase ampliação alguma, leva a água potável que chega às torneiras de todos os cariocas.

A eleição presidencial deste ano é outra prova disso. Teremos três representantes da esquerda concorrendo à presidência. Uma, ex-petista com forte apelo à ecologia, ao combate contra o aquecimento global, defensora de políticas que qualquer membro do Partido Democrata americano defenderia.

Outra, uma ex-terrorista de esquerda, concorrendo por um partido que aparelhou o estado, ampliou o famigerado e coitadista sistema de cotas raciais, que defende o mais espúrio controle da imprensa, a baderna no campo do MST, o onguismo, o pobrismo, a "sindicatocracia".

E o terceiro candidato um homem que foi exilado político, presidente da UNE, membro de um partido formado pela ala mais "progressista" que existia no PMDB. Um partido que defende também políticas que estão longe de um direitismo clássico, diferindo do PT apenas na condução responsável do estado e das políticas economica, social e de infra-estrutura.

Por isso eu digo: não existe direita no Brasil.

Não existe quem represente pelo menos 1/3 do eleitorado brasileiro, que erroneamente dizem ser "anti-PT", mas que na verdade é "anti-esquerda" e vaga por aí, de eleição em eleição, à procura de quem mais se aproxime da postura que acredita ser a melhor para sua cidade, seu estado e para o país.

É um contingente razoável de pessoas que, qualquer dia desses, acaba fundando o MSP: Movimento dos Sem Partido.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Foi bom pra você?

Essa perguntinha infame já ficou tão queimada mas nunca deixa de ser usada, ainda que com disfarces. Principalmente numa primeira vez, onde a curiosidade faz qualquer um se coçar pra arrumar um jeito de saber o que a mulher achou da sua performance sexual.

Eu desenvolvi um coeficiente bem simples que funciona mais ou menos assim: se você precisa perguntar, é porque não deve ter sido muito bom. Mas nem todo mundo reza por essa cartilha e aí...problemas!

Porque não deve existir nada mais broxante para a mulher do que terminar de fazer sexo e o sujeito ficar sondando se ela gostou. Ficar revendo detalhes, tipo "aquela hora que eu beijei seu pescoço, o que você sentiu? Gostou quando eu te dei um puxão?".

Deve dar uma baita vontade de dizer "você quer uma narrativa estilo Galvão Bueno ou José Carlos Araújo? Preciso gritar 'gol" no final?"

Por falar em narradores de futebol, também deve ser muito chato aqueles que passam a transa inteira contando o que está acontecendo. Como se ela não estivesse ali presente junto com ele.

"Tô apertando sua bundinha, agora vou morder seu pescocinho, tá sentindo meu dedo aí, olha que gostoso, agora vou te pegar assim e depois vou fazer ali perto da mesa".

Deve dar uma vontade danada de chegar no ouvido e dizer baixinho "que tal tentarmos tudo isso com o mute ligado?"

Homens tem obsessão pela sua performance sexual e ainda que o ex-namorado da moça seja um ator pornô, o atual namorado precisa saber que é muito melhor do que ele. Não cogitamos a idéia de que se o cara fosse fosse o homem ideal sob todos os aspectos, ela não estaria com a gente naquele momento e sim com ele.

A maioria não se contenta com gemidos, suspiros, expressões faciais. Eles gostam de tudo verbalizado. Tem que ser aquela coisa do "gostoso, delicioso, melhor que eu já tive na vida!". Ainda que seja mentira.

Fico imaginando se no final de uma transa o cara disparar a pergunta a seco: "E aí? Foi bom pra você?", e ela soltar um "legal".

Esse cara estará apaixonado em 3, 2, 1...Pô, "legal" é um desenho do Mickey. Legal é tomar água de coco depois da praia. Como ela não achou que ele fosse a versão brasileira do Dirk Diggler?Com certeza é lésbica ou frígida.

Mas interessante mesmo deve ser a reação de um cara se ouvir como resposta um "pra ser sincera, já tive melhores". Ou ainda algo mais direto, como por exemplo "achei uma boa merda".

O sujeito que ouve isso faz o que depois? Foge pra Palestina e vira homem-bomba, só pra conseguir as tais 70 virgens que não vão compará-lo com ninguém?

Mas existe um outro lado. A moça gemeu, transpirou, te arranhou, bateu no teto três vezes e no final ainda diz um "nossa, foi tão gostoso".

Pensamento seguinte do homem: "Ela deve dizer isso pra todo mundo". Lógico! Porque se a mulher demonstra prazer demais só pode estar fingindo, não tem critério ou então é fácil. Se ele não ganhar uma medalha e ela não jurar com a mão esquerda sobre a Constituição e a direita sobre a Bíblia, ele não vai acreditar em nada daquilo.

Isso explica a obsessão ridícula de alguns pelo tamanho do órgão sexual. Digo isso porque qualquer um que não possua algo em torno de um dedal ou uma carga de caneta Bic é capaz de satisfazer uma garota. E todo mundo sabe que existe uma média. Mas o homem prefere ser enganado e fica doido quando ouve um "nossa, é o maior que eu já vi!".

Só que na maioria das vezes trata-se de um cara comum acreditando que ela pensa mesmo que ele é mais alto do que um jogador de basquete.

No final das contas eu acho que a mulher deve avaliar se aquele cara não é só um ególatra querendo que ela seja a lustradora da sua vaidade. Se não é um desses "comedores" que depois vai sair por aí contando pra todo mundo que "deu uma surra nela".

Se for só isso, sacaneie mesmo, e ainda que o cara te leve nas nuvens diga pra ele no fim que ele está perfeitamente "dentro da sua média". Com isso você fará uma boa ação ajudando a colocar leite na mesa da família de algum analista e dará uma boa lição no fauno.

Agora, se for um cara legal e você pretender algo mais do que uma rapidinha com ele, não custa nada dar uma levantada na bola do rapaz, elogie, aumente um pouquinho e lembre-se: só devemos levar a sinceridade pra cama se ela for tão excitante quanto pequenas e inocentes mentiras.
 
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