Dizem por aí que o maior afrodisíaco que existe é o cheiro da "andada de fila". Não sei se é mesmo, porque também dizem que ostras são afrodisíacas. Mas elas não têm pés, logo não podem metê-los nas nádegas de ninguém, então creio que se não for realmente o maior afrodisíaco de todos, a andada de fila é pelo menos o mais difícil de esquecer.
Quando eu era mais novo - rá-rá, jamais direi que não mais sou novo - costumava observar nas "noitadas" as pessoas e tentar identificar as "Madalenas Arrependidas". Era fácil: bastava alguma música mais romântica começar a tocar que as madalenas iam pra algum canto, abraçavam algum amigo, ficavam com aquela cara de cachorro que comeu a torta, lamentando algum amor perdido.
Tudo bem que a música acabava, a agitação voltava e eles retomavam os trabalhos de "pegar geral", mas ali, naquele momento de melancolia, a pessoa perdida talvez estivesse se vingando sem saber de tudo o que sofrera. Sim, porque raramente a pessoa que sofre fica se lamentando por muito tempo depois do rompimento, só o algoz.
O algoz fica pensando que poderia ter sido mais legal, que poderia ter testado menos a paciência alheia, ter mais tolerância, ter deixado o outro menos sextas-feiras em casa com cara de tacho pra ir pra "night", enfim, poderia ter valorizado um pouco mais, justamente para não perder.
Porque se você for pensar bem, é verdade quando dizem que todo relacionamento tem uma vítima. Não existe democracia ou igualdade no amor, alguém sempre leva uma parte maior e melhor. Erra quem pensa diferente. Mas isso não pressupõe que alguém leve tudo e o outro não leve nada.

Porque quando isso acontece, não ocorre um rompimento, mas uma libertação. Se você deixava sua namorada em casa no final de semana para ir para a boate "beijar na boca", se você negligenciava seu namorado para ir "zoar com as amigas", se você achava difícil dizer "eu te amo" mas tinha a maior facilidade para dizer "eu te detesto", me responda: ele ou ela sentirão falta do que, quando vocês não estiverem mais juntos? Das suas ausências? Da sua falta?
E aí, quando a "fila anda", o cara fica desnorteado, afinal, não terá mais aquela menina o esperando em casa, no dia seguinte da noitada, para ir num cineminha. A menina perde o chão, porque o "namorado bonzinho" saiu fora e não tem mais ninguém pra chamar de "seu".
Nesse momento, dois caminhos são percorridos por quase todo mundo, tanto vítimas quanto algozes.
Um leva para o supermercado dos relacionamentos efêmeros, para mais pegações, para ficar com mais e mais gente e se vingar do mundo. É aquela pessoa que diz "agora vou usar todo mundo, vou ser coldheartbraker".
O outro leva para a lamentação, a recomposição e a decisão de dar mais valor a si, ao outro e ao relacionamento. O algoz vai tratar a pão de ló o que aparecer pela frente, talvez trocando de posições, talvez dando valor a quem não merece.
A vítima vai se valorizar, às vezes exagerando na dose, às vezes não.
A verdade disso tudo é que todos os relacionamentos nos tornam alunos e professores, todos nós preparamos uns aos outros para o que vem no futuro, até que consigamos algum equilíbrio que nos permita ter relacionamentos mais maduros e duradouros.
E assim seremos felizes para sempre - ou quase sempre - até que chegue a hora de aprender algum truque novo.